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Terapia de substituição renal contínua para recém-nascidos e crianças pequenas já tem máquina de diálise apropriada, publicação do The Lancet

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A diálise peritoneal1 é a terapia de substituição renal2 de escolha para lesão3 renal2 aguda em recém-nascidos, mas em alguns casos ela não é viável ou pode não ser eficaz. As máquinas de Terapia de Substituição Renal2 Contínua (da sigla em inglês CRRT, para Continuous Renal2 Replacement Therapy) são usadas em crianças menores de quinze quilos, mesmo sem indicação nos seus manuais e não sendo projetadas especificamente para crianças pequenas. O objetivo do presente trabalho foi projetar e criar uma máquina de CRRT especificamente para recém-nascidos e crianças pequenas.

Foi feito um projeto prospectivo4, planejado em cinco anos, para conceber, projetar e criar uma miniatura de uma máquina de diálise5 de emergência6, chamada Cardio-Renal2 Pediatric Dialysis Emergency Machine (CARPEDIEM), especificamente para recém-nascidos e crianças pequenas. Os pesquisadores, com a coordenação do Dr. Claudio Ronco, criaram o novo dispositivo e fizeram testes de laboratório in vitro. Completaram o seu desenvolvimento para atender às exigências regulamentares e obtiveram uma licença para uso em humanos. Uma vez aprovada, a máquina foi utilizada para o tratamento de um recém-nascido criticamente doente.

As principais características da CARPEDIEM são o baixo volume para o primeiro enchimento do circuito (menos de 30 ml), bombas de rolamentos em miniaturas e controle de ultrafiltração preciso através de balanças calibradas com uma precisão de um grama7. Testes in vitro confirmaram as especificações exigidas do hardware e do software. Foi atendido um neonato8 com 2.900 gramas com choque9 hemorrágico10, disfunção de múltiplos órgãos e sobrecarga grave de líquidos por mais de 400 horas com a CARPEDIEM, usando hemofiltração venovenosa contínua, diálise5 de albumina11 por passagem única, troca de sangue12 e troca de plasma13. Cerca de 65% da sobrecarga de fluidos do paciente, as concentrações elevadas de creatinina14 e de bilirrubina15 e a acidose16 grave foram todos gerenciados de forma segura e eficaz. Apesar da gravidade da doença, a função do órgão foi restaurada e o recém-nascido sobreviveu, recebendo alta hospitalar com uma leve insuficiência renal17, que não necessitou de terapia de substituição renal2.

A máquina CARPEDIEM CRRT pode ser usada para fornecer várias modalidades de tratamento e apoio para a disfunção de múltiplos órgãos em recém-nascidos e crianças pequenas. A CARPEDIEM pode reduzir o leque de indicações para a diálise peritoneal1, aumentar as indicações para a CRRT, fazer com que o uso de métodos contínuos como a CRRT seja menos traumático e expandir o seu uso como terapia de suporte mesmo quando a terapia de substituição renal2 completa não estiver indicada.

Fonte: The Lancet, volume 383, número 9931, de 24 de maio de 2014 

NEWS.MED.BR, 2014. Terapia de substituição renal contínua para recém-nascidos e crianças pequenas já tem máquina de diálise apropriada, publicação do The Lancet. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/543412/terapia-de-substituicao-renal-continua-para-recem-nascidos-e-criancas-pequenas-ja-tem-maquina-de-dialise-apropriada-publicacao-do-the-lancet.htm>. Acesso em: 23 out. 2019.

Complementos

1 Diálise peritoneal: Ao invés de utilizar um filtro artificial para “limpar“ o sangue, é utilizado o peritônio, que é uma membrana localizada dentro do abdômen e que reveste os órgãos internos. Através da colocação de um catéter flexível no abdômen, é feita a infusão de um líquido semelhante a um soro na cavidade abdominal. Este líquido, que chamamos de banho de diálise, vai entrar em contato com o peritônio, e por ele será feita a retirada das substâncias tóxicas do sangue. Após um período de permanência do banho de diálise na cavidade abdominal, este fica saturado de substâncias tóxicas e é então retirado, sendo feita em seguida a infusão de novo banho de diálise. Esse processo é realizado de uma forma contínua e é conhecido por CAPD, sigla em inglês que significa diálise peritoneal ambulatorial contínua. A diálise peritoneal é uma forma segura de tratamento realizada atualmente por mais de 100.000 pacientes no mundo todo.
2 Renal: Relacionado aos rins. Uma doença renal é uma doença dos rins. Insuficiência renal significa que os rins pararam de funcionar.
3 Lesão: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
4 Prospectivo: 1. Relativo ao futuro. 2. Suposto, possível; esperado. 3. Relativo à preparação e/ou à previsão do futuro quanto à economia, à tecnologia, ao plano social etc. 4. Em geologia, é relativo à prospecção.
5 Diálise: Quando os rins estão muito doentes, eles deixam de realizar suas funções, o que pode levar a risco de vida. Nesta situação, é preciso substituir as funções dos rins de alguma maneira, o que pode ser feito realizando-se um transplante renal, ou através da diálise. A diálise é um tipo de tratamento que visa repor as funções dos rins, retirando as substâncias tóxicas e o excesso de água e sais minerais do organismo, estabelecendo assim uma nova situação de equilíbrio. Existem dois tipos de diálise: a hemodiálise e a diálise peritoneal.
6 Emergência: 1. Ato ou efeito de emergir. 2. Situação grave, perigosa, momento crítico ou fortuito. 3. Setor de uma instituição hospitalar onde são atendidos pacientes que requerem tratamento imediato; pronto-socorro. 4. Eclosão. 5. Qualquer excrescência especializada ou parcial em um ramo ou outro órgão, formada por tecido epidérmico (ou da camada cortical) e um ou mais estratos de tecido subepidérmico, e que pode originar nectários, acúleos, etc. ou não se desenvolver em um órgão definido.
7 Grama: 1. Designação comum a diversas ervas da família das gramíneas que formam forrações espontâneas ou que são cultivadas para criar gramados em jardins e parques ou como forrageiras, em pastagens; relva. 2. Unidade de medida de massa no sistema c.g.s., equivalente a 0,001 kg . Símbolo: g.
8 Neonato: Refere-se a bebês nos seus primeiros 28 dias (mês) de vida. O termo “recentemente-nascido“ refere-se especificamente aos primeiros minutos ou horas que se seguem ao nascimento. Esse termo é utilizado para enfocar os conhecimentos e treinamento da ressuscitação imediatamente após o nascimento e durante as primeiras horas de vida.
9 Choque: 1. Estado de insuficiência circulatória a nível celular, produzido por hemorragias graves, sepse, reações alérgicas graves, etc. Pode ocasionar lesão celular irreversível se a hipóxia persistir por tempo suficiente. 2. Encontro violento, com impacto ou abalo brusco, entre dois corpos. Colisão ou concussão. 3. Perturbação brusca no equilíbrio mental ou emocional. Abalo psíquico devido a uma causa externa.
10 Hemorrágico: Relativo à hemorragia, ou seja, ao escoamento de sangue para fora dos vasos sanguíneos.
11 Albumina: Proteína encontrada no plasma, com importantes funções, como equilíbrio osmótico, transporte de substâncias, etc.
12 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
13 Plasma: Parte que resta do SANGUE, depois que as CÉLULAS SANGÜÍNEAS são removidas por CENTRIFUGAÇÃO (sem COAGULAÇÃO SANGÜÍNEA prévia).
14 Creatinina: Produto residual das proteínas da dieta e dos músculos do corpo. É excretada do organismo pelos rins. Uma vez que as doenças renais progridem, o nível de creatinina aumenta no sangue.
15 Bilirrubina: Pigmento amarelo que é produto da degradação da hemoglobina. Quando aumenta no sangue, acima de seus valores normais, pode produzir uma coloração amarelada da pele e mucosas, denominada icterícia. Pode estar aumentado no sangue devido a aumento da produção do mesmo (excesso de degradação de hemoglobina) ou por dificuldade de escoamento normal (por exemplo, cálculos biliares, hepatite).
16 Acidose: Desequilíbrio do meio interno caracterizado por uma maior concentração de íons hidrogênio no organismo. Pode ser produzida pelo ganho de substâncias ácidas ou perda de substâncias alcalinas (básicas).
17 Insuficiência renal: Condição crônica na qual o corpo retém líquido e excretas pois os rins não são mais capazes de trabalhar apropriadamente. Uma pessoa com insuficiência renal necessita de diálise ou transplante renal.
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