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Câncer colorretal hereditário: aspirina pode reduzir a incidência do tumor, diz artigo do The Lancet

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Estudo controlado e randomizado1, publicado pelo periódico The Lancet, mostrou que o consumo regular de 600 mg aspirina, por uma média de 25 meses, pode reduzir a incidência2 de câncer3 colorretal em portadores de câncer3 colorretal hereditário, também conhecido como síndrome4 de Lynch.

Ensaios clínicos5 randomizados têm demonstrado redução do risco de adenomas colorretais, mas em nenhum deles o medicamento foi empregado na prevenção do câncer3 colorretal como um objetivo primário. O ensaio clínico CAPP2 teve como objetivo investigar os efeitos antineoplásicos da aspirina e de um amido resistente em portadores de síndrome4 de Lynch, a principal forma de câncer3 colorretal hereditário.

No estudo randomizado6 CAPP2, um ensaio fatorial 2x2 (factorial design7), portadores da síndrome4 de Lynch foram divididos aleatoriamente em grupos: 600 mg de aspirina, placebo8 aspirina, 30 g de amido resistente ou placebo8 de amido, e acompanhados por até quatro anos. Os participantes e os investigadores não conheciam qual era o tratamento recebido por cada um. O objetivo primário da avaliação foi o desenvolvimento de câncer3 colorretal.

Um total de 861 participantes foram aleatoriamente designados para receber aspirina ou placebo8 aspirina. Em um seguimento médio de 55,7 meses, 48 participantes tinham desenvolvido câncer3 colorretal primário (18 de 427 aleatoriamente designados para aspirina, 30 de 434 para placebo8 aspirina). Não há dados de eventos adversos pós-intervenção disponíveis. Durante a intervenção, os eventos adversos não diferiram entre os grupos aspirina e placebo8 aspirina.

Os resultados mostraram que o uso de 600 mg de aspirina por dia, por uma média de 25 meses, reduziu substancialmente a incidência2 de câncer3 colorretal após 55,7 meses de seguimento dos portadores de câncer3 colorretal hereditário. Mais estudos são necessários para estabelecer a dose ideal e a duração do tratamento com a aspirina.

 Fonte: The Lancet, publicação online de 28 de outubro de 2011

NEWS.MED.BR, 2011. Câncer colorretal hereditário: aspirina pode reduzir a incidência do tumor, diz artigo do The Lancet. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/245245/cancer-colorretal-hereditario-aspirina-pode-reduzir-a-incidencia-do-tumor-diz-artigo-do-the-lancet.htm>. Acesso em: 19 set. 2019.

Complementos

1 Randomizado: Ensaios clínicos comparativos randomizados são considerados o melhor delineamento experimental para avaliar questões relacionadas a tratamento e prevenção. Classicamente, são definidos como experimentos médicos projetados para determinar qual de duas ou mais intervenções é a mais eficaz mediante a alocação aleatória, isto é, randomizada, dos pacientes aos diferentes grupos de estudo. Em geral, um dos grupos é considerado controle – o que algumas vezes pode ser ausência de tratamento, placebo, ou mais frequentemente, um tratamento de eficácia reconhecida. Recursos estatísticos são disponíveis para validar conclusões e maximizar a chance de identificar o melhor tratamento. Esses modelos são chamados de estudos de superioridade, cujo objetivo é determinar se um tratamento em investigação é superior ao agente comparativo.
2 Incidência: Medida da freqüência em que uma doença ocorre. Número de casos novos de uma doença em um certo grupo de pessoas por um certo período de tempo.
3 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
4 Síndrome: Conjunto de sinais e sintomas que se encontram associados a uma entidade conhecida ou não.
5 Ensaios clínicos: Há três fases diferentes em um ensaio clínico. A Fase 1 é o primeiro teste de um tratamento em seres humanos para determinar se ele é seguro. A Fase 2 concentra-se em saber se um tratamento é eficaz. E a Fase 3 é o teste final antes da aprovação para determinar se o tratamento tem vantagens sobre os tratamentos padrões disponíveis.
6 Estudo randomizado: Ensaios clínicos comparativos randomizados são considerados o melhor delineamento experimental para avaliar questões relacionadas a tratamento e prevenção. Classicamente, são definidos como experimentos médicos projetados para determinar qual de duas ou mais intervenções é a mais eficaz mediante a alocação aleatória, isto é, randomizada, dos pacientes aos diferentes grupos de estudo. Em geral, um dos grupos é considerado controle - o que algumas vezes pode ser ausência de tratamento, placebo, ou mais frequentemente, um tratamento de eficácia reconhecida. Recursos estatísticos são disponíveis para validar conclusões e maximizar a chance de identificar o melhor tratamento. Esses modelos são chamados de estudos de superioridade, cujo objetivo é determinar se um tratamento em investigação é superior ao agente comparativo.
7 Factorial design: A maioria dos ensaios considera apenas um fator, em relação o qual a intervenção é comparada a uma ou mais alternativas, ou a um placebo. Em um ensaio usando um desenho fatorial 2x2, os participantes são alocados para uma de quatro combinações possíveis.
8 Placebo: Preparação neutra quanto a efeitos farmacológicos, ministrada em substituição a um medicamento, com a finalidade de suscitar ou controlar as reações, geralmente de natureza psicológica, que acompanham tal procedimento terapêutico.

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