Vacina experimental previne reações alérgicas fatais em camundongos
Uma vacina1 experimental protegeu camundongos geneticamente modificados contra reações alérgicas graves por até um ano, de acordo com uma pesquisa publicada na revista Science Translational Medicine. Segundo os cientistas, as descobertas mostram que a vacinação é uma abordagem promissora para a prevenção de reações alérgicas e pode oferecer proteção mais longa contra alergias do que os tratamentos existentes.
O artigo relata o desenvolvimento de uma vacina1 direcionada à IgE humana que induz proteção de longo prazo contra anafilaxia2 em camundongos humanizados.
Os pesquisadores contextualizam que anticorpos3 de imunoglobulina4 E (IgE) desempenham um papel fundamental na alergia5 e em sua manifestação mais perigosa e potencialmente fatal, a anafilaxia2. Anticorpos3 monoclonais anti-IgE foram desenvolvidos para tratar doenças dependentes de IgE, como asma6 alérgica, alergia5 alimentar e urticária7 espontânea crônica. No entanto, seu uso ainda se restringe a uma minoria de pacientes que sofrem dos sintomas8 mais graves, devido ao alto custo do tratamento e à necessidade de administrações repetidas.
Neste estudo, os pesquisadores optaram por outra fonte de anticorpos3 direcionados à IgE: as próprias células9 B do paciente. Foi desenvolvida uma vacina1 conjugada contra IgE humana como uma potencial terapia alternativa para proteção a longo prazo contra doenças dependentes de IgE.
Leia sobre "Alergia5 alimentar", "Urticária7 crônica espontânea" e "Asma6".
A vacina1 conjugada de IgE foi gerada pela conjugação de um fragmento10 mutado contendo os domínios Cε3-4 da IgE humana com a proteína carreadora CRM197 (material 197 de reação cruzada com difteria11), utilizando a tecnologia Kinoid para induzir a produção de autoanticorpos contra um autoantígeno, através de seu enxerto12 na proteína carreadora CRM197, altamente imunogênica.
(A tecnologia Kinoid é uma plataforma de vacina1 terapêutica13 em que uma proteína do próprio corpo é conjugada a uma proteína carreadora para se tornar imunogênica e induzir anticorpos3 policlonais neutralizantes contra esse alvo, reduzindo sua atividade patológica.)
Para avaliar a eficácia da vacinação com IgE-Kinoid (IgE-K), foi gerado um modelo murino humanizado para IgE e seu receptor de alta afinidade, FcεRI. A vacinação com IgE-K induziu a produção de anticorpos3 neutralizantes anti-IgE humana a longo prazo, sem qualquer efeito adverso detectável. Anticorpos3 anti-IgE foram detectados no soro14 de camundongos imunizados com IgE-K por até 12 meses após a vacinação, com avidez semelhante à do anticorpo15 monoclonal anti-IgE omalizumabe, já aprovado.
Além disso, a vacinação com IgE-K protegeu contra anafilaxia2 cutânea16 e sistêmica grave mediadas por IgE em camundongos humanizados para IgE/FcεRI, mas não prejudicou a resposta imune à infecção17 por helmintos18.
Esses dados sugerem que as vacinas contra IgE podem vir a ser uma ferramenta importante no tratamento de alergias. Os resultados demonstram que a redução a longo prazo da atividade da IgE pode ser alcançada por meio da vacinação com Kinoids humanos e pode proteger contra anafilaxia2 em camundongos humanizados. Isso pode representar uma estratégia terapêutica13 custo-efetiva e de longo prazo para o tratamento de doenças mediadas por IgE.
Veja também sobre "Antígenos19 e anticorpos3 - o que são", "Imunoterapia" e "Como acontece a anafilaxia2".
Fontes:
Science Translational Medicine, Vol. 17, Nº 827, em 03 de dezembro de 2025.
Nature, notícia publicada em 03 de dezembro de 2025.










