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Buprenorfina é menos arriscada para a maioria dos defeitos congênitos do que a metadona

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O risco de malformações1 congênitas2 parece ser menor com a buprenorfina do que com a metadona quando tomada durante o primeiro trimestre de gravidez3 para transtorno por uso de opioides (TUO), de acordo com uma análise de dados do Medicaid, publicada no JAMA Internal Medicine.

No grupo da buprenorfina, o risco de malformações1 congênitas2 foi de 50,9 em 1.000 gestações, em comparação com 60,6 em 1.000 no grupo da metadona, relataram Elizabeth Suarez, PhD, do Brigham and Women's Hospital e da Harvard Medical School em Boston, e colegas.

Após ajuste para fatores de confusão, isso se traduziu em uma redução de 18% no risco de malformações1 congênitas2 com buprenorfina, descobriram eles.

“Com base nesses resultados, a buprenorfina pode resultar em menor risco para o bebê e pode ser a opção de tratamento apropriada para pacientes4 que iniciam medicação para transtorno por uso de opioides durante a gravidez”, disse Suarez.

Ainda assim, a equipe observou que qualquer um dos tratamentos é “fortemente recomendado em vez do TUO não tratado durante a gravidez3, que está associado a resultados adversos devido à abstinência, retorno ao uso de opioides, overdose, uso de drogas intravenosas e inadequação dos cuidados pré-natais”.

“O pequeno aumento observado no risco de malformações1 com o uso de metadona em comparação com a buprenorfina provavelmente não exclui a metadona como a melhor escolha de tratamento para algumas grávidas, particularmente aquelas em tratamento estável antes da gravidez3 ou pacientes que não respondem bem à buprenorfina”, observaram os pesquisadores.

Leia sobre "Quais medicamentos podem ou não ser tomados durante a gravidez3" e "Malformações1 fetais".

Suarez disse que antes de realizar este estudo, os pesquisadores “tinham muito pouca informação sobre o risco de defeitos congênitos5 após o uso de buprenorfina ou metadona durante a gravidez”. Embora ambos os medicamentos sejam usados para tratar TUO, a buprenorfina é um agonista6 parcial do receptor μ-opioide com baixa atividade intrínseca, enquanto a metadona é um agonista6 completo do receptor μ-opioide com alta atividade intrínseca.

No artigo publicado, os pesquisadores relatam que o uso de buprenorfina ou metadona para tratar transtorno por uso de opioides é recomendado durante a gravidez3; no entanto, o seu potencial teratogênico7 é largamente desconhecido.

O objetivo do estudo, portanto, foi comparar o risco de malformações1 congênitas2 após exposição in utero8 à buprenorfina versus metadona.

Este estudo de coorte9 de base populacional utilizou dados de utilização de cuidados de saúde10 de beneficiários do Medicaid com seguro público nos EUA de 2000 a 2018. Um total de 13.360 gestações com inscrição desde 90 dias antes do início da gravidez3 até 1 mês após o parto e uso de buprenorfina ou metadona no primeiro trimestre foram incluídas e vinculadas aos bebês11. Os dados foram analisados no período de julho a dezembro de 2022.

As exposições do estudo foram uma dispensação farmacêutica de buprenorfina ou um código para administração de metadona no primeiro trimestre.

Os desfechos primários incluíram malformações1 maiores em geral e malformações1 previamente associadas a opioides (quaisquer malformações1 cardíacas, defeito do septo ventricular, defeito do septo atrial secundum/forame12 oval patente não relacionado à prematuridade, defeitos do tubo neural13, pé torto e fissuras14 orais). Os desfechos secundários incluíram outras malformações1 específicas do sistema orgânico.

As diferenças de risco e as razões de risco (RR) foram estimadas comparando a buprenorfina com a metadona, ajustando para fatores de confusão com pesos de sobreposição do escore de propensão.

A coorte15 incluiu 9.514 gestações com exposição à buprenorfina no primeiro trimestre (idade materna média [DP], 28,4 [4,6] anos) e 3.846 com exposição à metadona (idade materna média [DP], 28,8 [4,7] anos).

O risco de malformações1 em geral foi de 50,9 (IC 95%, 46,5-55,3) por 1.000 gestações para a buprenorfina e 60,6 (IC 95%, 53,0-68,1) por 1.000 gestações para a metadona. Após ajuste de confusão, a buprenorfina foi associada a um menor risco de malformações1 em comparação com a metadona (RR, 0,82; IC 95%, 0,69-0,97).

O risco foi menor com buprenorfina para malformações1 cardíacas (RR, 0,63; IC 95%, 0,47-0,85), incluindo tanto defeito do septo ventricular (RR, 0,62; IC 95%, 0,39-0,98) quanto defeito do septo atrial secundum/forame12 oval patente não relacionado à prematuridade (RR, 0,54; IC 95%, 0,30-0,97), fissuras14 orais (RR, 0,65; IC 95%, 0,35-1,19) e pé torto (RR, 0,55; IC 95%, 0,32-0,94). Os resultados para defeitos do tubo neural13 foram incertos devido à baixa contagem de eventos.

Em análises secundárias, a buprenorfina foi associada a um risco reduzido de malformações1 do sistema nervoso central16, urinárias e dos membros, mas a um risco maior de malformações1 gastrointestinais em comparação com a metadona. Esses achados foram consistentes nas análises de sensibilidade e viés.

Neste estudo de coorte9, o risco da maioria das malformações1 previamente associadas à exposição aos opiáceos foi menor em crianças expostas à buprenorfina em comparação com crianças expostas à metadona, independentemente dos fatores de confusão medidos.

O risco de malformação17 é um fator que informa a decisão individualizada da paciente em relação a medicamentos para transtorno por uso de opioides na gravidez3.

Veja também sobre "Transtornos devidos ao abuso de drogas" e "Agentes teratogênicos18 e Teratologia".

 

Fontes:
JAMA Internal Medicine, publicação em 22 de janeiro de 2024.
MedPage Today, notícia publicada em 22 de janeiro de 2024.

 

NEWS.MED.BR, 2024. Buprenorfina é menos arriscada para a maioria dos defeitos congênitos do que a metadona. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1465562/buprenorfina-e-menos-arriscada-para-a-maioria-dos-defeitos-congenitos-do-que-a-metadona.htm>. Acesso em: 21 abr. 2024.

Complementos

1 Malformações: 1. Defeito na forma ou na formação; anomalia, aberração, deformação. 2. Em patologia, é vício de conformação de uma parte do corpo, de origem congênita ou hereditária, geralmente curável por cirurgia. Ela é diferente da deformação (que é adquirida) e da monstruosidade (que é incurável).
2 Congênitas: 1. Em biologia, o que é característico do indivíduo desde o nascimento ou antes do nascimento; conato. 2. Que se manifesta espontaneamente; inato, natural, infuso. 3. Que combina bem com; apropriado, adequado. 4. Em termos jurídicos, é o que foi adquirido durante a vida fetal ou embrionária; nascido com o indivíduo. Por exemplo, um defeito congênito.
3 Gravidez: Condição de ter um embrião ou feto em desenvolvimento no trato reprodutivo feminino após a união de ovo e espermatozóide.
4 Para pacientes: Você pode utilizar este texto livremente com seus pacientes, inclusive alterando-o, de acordo com a sua prática e experiência. Conheça todos os materiais Para Pacientes disponíveis para auxiliar, educar e esclarecer seus pacientes, colaborando para a melhoria da relação médico-paciente, reunidos no canal Para Pacientes . As informações contidas neste texto são baseadas em uma compilação feita pela equipe médica da Centralx. Você deve checar e confirmar as informações e divulgá-las para seus pacientes de acordo com seus conhecimentos médicos.
5 Defeitos congênitos: Problemas ou condições que estão presentes ao nascimento.
6 Agonista: 1. Em farmacologia, agonista refere-se às ações ou aos estímulos provocados por uma resposta, referente ao aumento (ativação) ou diminuição (inibição) da atividade celular. Sendo uma droga receptiva. 2. Lutador. Na Grécia antiga, pessoa que se dedicava à ginástica para fortalecer o físico ou como preparação para o serviço militar.
7 Teratogênico: Agente teratogênico ou teratógeno é tudo aquilo capaz de produzir dano ao embrião ou feto durante a gravidez. Estes danos podem se refletir como perda da gestação, malformações ou alterações funcionais ou ainda distúrbios neurocomportamentais, como retardo mental.
8 Útero: É o maior órgão do sistema reprodutor feminino. Sua função principal é receber o óvulo fertilizado e dar-lhe todas as condições para o seu desenvolvimento.
9 Estudo de coorte: Um estudo de coorte é realizado para verificar se indivíduos expostos a um determinado fator apresentam, em relação aos indivíduos não expostos, uma maior propensão a desenvolver uma determinada doença. Um estudo de coorte é constituído, em seu início, de um grupo de indivíduos, denominada coorte, em que todos estão livres da doença sob investigação. Os indivíduos dessa coorte são classificados em expostos e não-expostos ao fator de interesse, obtendo-se assim dois grupos (ou duas coortes de comparação). Essas coortes serão observadas por um período de tempo, verificando-se quais indivíduos desenvolvem a doença em questão. Os indivíduos expostos e não-expostos devem ser comparáveis, ou seja, semelhantes quanto aos demais fatores, que não o de interesse, para que as conclusões obtidas sejam confiáveis.
10 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
11 Bebês: Lactentes. Inclui o período neonatal e se estende até 1 ano de idade (12 meses).
12 Forame: Mesmo que forâmen. Abertura, buraco, furo, cova. Na anatomia geral, é um orifício, abertura ou perfuração através de um osso ou estrutura membranosa.
13 Tubo neural: Estrutura embrionária que dará origem ao cérebro e à medula espinhal. Durante a gestação humana, o tubo neural dá origem a três vesículas: romboencéfalo, mesencéfalo e prosencéfalo.
14 Fissuras: 1. Pequena abertura longitudinal em; fenda, rachadura, sulco. 2. Em geologia, é qualquer fratura ou fenda pouco alargada em terreno, rocha ou mesmo mineral. 3. Na medicina, é qualquer ulceração alongada e superficial. Também pode significar uma fenda profunda, sulco ou abertura nos ossos; cesura, cissura. 4. Rachadura na pele calosa das mãos ou dos pés, geralmente de pessoas que executam trabalhos rudes. 5. Na odontologia, é uma falha no esmalte de um dente. 6. No uso informal, significa apego extremo; forte inclinação; loucura, paixão, fissuração.
15 Coorte: Grupo de indivíduos que têm algo em comum ao serem reunidos e que são observados por um determinado período de tempo para que se possa avaliar o que ocorre com eles. É importante que todos os indivíduos sejam observados por todo o período de seguimento, já que informações de uma coorte incompleta podem distorcer o verdadeiro estado das coisas. Por outro lado, o período de tempo em que os indivíduos serão observados deve ser significativo na história natural da doença em questão, para que haja tempo suficiente do risco se manifestar.
16 Sistema Nervoso Central: Principais órgãos processadores de informação do sistema nervoso, compreendendo cérebro, medula espinhal e meninges.
17 Malformação: 1. Defeito na forma ou na formação; anomalia, aberração, deformação. 2. Em patologia, é vício de conformação de uma parte do corpo, de origem congênita ou hereditária, geralmente curável por cirurgia. Ela é diferente da deformação (que é adquirida) e da monstruosidade (que é incurável).
18 Teratogênicos: Agente teratogênico ou teratógeno é tudo aquilo capaz de produzir dano ao embrião ou feto durante a gravidez. Estes danos podem se refletir como perda da gestação, malformações ou alterações funcionais ou ainda distúrbios neurocomportamentais, como retardo mental.
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