Gostou do artigo? Compartilhe!

Exercício vigoroso em pacientes com cardiomiopatia hipertrófica não aumenta o risco de mortalidade ou arritmia ventricular

A+ A- Alterar tamanho da letra
Avalie esta notícia

Em um novo estudo, publicado no JAMA Cardiology, os indivíduos com cardiomiopatia hipertrófica que se exercitam vigorosamente não tiveram uma maior mortalidade1 ou uma maior incidência2 de arritmias3 ventriculares associadas. Esses dados, portanto, não suportam a restrição universal de exercícios vigorosos para indivíduos com essa condição cardíaca.

No artigo, os pesquisadores contextualizam que não se sabia se o exercício de intensidade vigorosa estava associado a um aumento no risco de arritmias3 ventriculares em indivíduos com cardiomiopatia hipertrófica (CMH).

Saiba mais sobre "Cardiomiopatia hipertrófica" e "Arritmia4 cardíaca".

O objetivo do estudo, portanto, foi determinar se a prática de exercícios vigorosos estava associada ao aumento do risco de arritmias3 ventriculares e/ou mortalidade1 em indivíduos com CMH.

A hipótese a priori era que os participantes envolvidos em atividades vigorosas não eram mais propensos a ter um evento arrítmico ou morrer do que aqueles que relataram atividades não vigorosas.

Este foi um estudo de coorte5 prospectivo6 iniciado pelo investigador. Os participantes foram inscritos de 18 de maio de 2015 a 25 de abril de 2019, com conclusão em 28 de fevereiro de 2022. Os participantes foram categorizados de acordo com os níveis autorrelatados de atividade física: sedentário, exercício moderado ou exercício de intensidade vigorosa.

Este foi um registro observacional multicêntrico com recrutamento em 42 centros de alto volume que tratam CMH nos EUA e internacionalmente. Indivíduos de 8 a 60 anos com diagnóstico7 de CMH ou genótipo8 positivo sem hipertrofia9 ventricular esquerda (fenótipo10 negativo) sem condições que impedissem o exercício foram incluídos.

As exposições do estudo foram quantidade e intensidade da atividade física.

O desfecho composto primário pré-especificado incluiu morte, parada cardíaca súbita ressuscitada, síncope11 arrítmica e choque12 apropriado de um desfibrilador cardioversor implantável. Todos os eventos de desfecho foram julgados por um comitê de eventos cego para a categoria de exercício do paciente.

Entre o total de 1.660 participantes (idade média [DP], 39 [15] anos; 996 homens [60%]), 252 (15%) foram classificados como sedentários e 709 (43%) participaram de exercícios moderados. Entre os 699 indivíduos (42%) que participaram de exercícios de intensidade vigorosa, 259 (37%) participaram de forma competitiva.

Um total de 77 indivíduos (4,6%) atingiu o desfecho final composto. Esses indivíduos incluíram 44 (4,6%) dos classificados como exercícios não vigorosos ou sedentários e 33 (4,7%) dos classificados como exercícios vigorosos, com taxas correspondentes de 15,3 e 15,9 por 1.000 pessoas-ano, respectivamente.

Na análise multivariada de regressão de Cox do desfecho final composto primário, os indivíduos envolvidos em exercícios vigorosos não experimentaram uma taxa mais alta de eventos em comparação com o grupo de exercícios não vigorosos ou sedentários, com uma taxa de risco ajustada de 1,01. O nível de confiança unilateral superior de 95% foi de 1,48, abaixo do limite pré-especificado de 1,5 para não inferioridade.

Os resultados deste estudo de coorte5 sugerem que entre os indivíduos com CMH ou aqueles que são genótipo8 positivo/fenótipo10 negativo e são tratados em centros experientes, aqueles que se exercitam vigorosamente não apresentam uma taxa mais alta de morte ou arritmias3 com risco de vida do que aqueles que se exercitam moderadamente ou aqueles que eram sedentários.

Esses dados podem somar informações à discussão entre o paciente e seu médico especialista sobre a participação em exercícios.

Leia sobre "Tipos de exercícios físicos", "Treinamento HIIT" e "CrossFit".

 

Fonte: JAMA Cardiology, publicação em 17 de maio de 2023.

 

NEWS.MED.BR, 2023. Exercício vigoroso em pacientes com cardiomiopatia hipertrófica não aumenta o risco de mortalidade ou arritmia ventricular. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1438410/exercicio-vigoroso-em-pacientes-com-cardiomiopatia-hipertrofica-nao-aumenta-o-risco-de-mortalidade-ou-arritmia-ventricular.htm>. Acesso em: 22 jul. 2024.

Complementos

1 Mortalidade: A taxa de mortalidade ou coeficiente de mortalidade é um dado demográfico do número de óbitos, geralmente para cada mil habitantes em uma dada região, em um determinado período de tempo.
2 Incidência: Medida da freqüência em que uma doença ocorre. Número de casos novos de uma doença em um certo grupo de pessoas por um certo período de tempo.
3 Arritmias: Arritmia cardíaca é o nome dado a diversas perturbações que alteram a frequência ou o ritmo dos batimentos cardíacos.
4 Arritmia: Arritmia cardíaca é o nome dado a diversas perturbações que alteram a frequência ou o ritmo dos batimentos cardíacos.
5 Estudo de coorte: Um estudo de coorte é realizado para verificar se indivíduos expostos a um determinado fator apresentam, em relação aos indivíduos não expostos, uma maior propensão a desenvolver uma determinada doença. Um estudo de coorte é constituído, em seu início, de um grupo de indivíduos, denominada coorte, em que todos estão livres da doença sob investigação. Os indivíduos dessa coorte são classificados em expostos e não-expostos ao fator de interesse, obtendo-se assim dois grupos (ou duas coortes de comparação). Essas coortes serão observadas por um período de tempo, verificando-se quais indivíduos desenvolvem a doença em questão. Os indivíduos expostos e não-expostos devem ser comparáveis, ou seja, semelhantes quanto aos demais fatores, que não o de interesse, para que as conclusões obtidas sejam confiáveis.
6 Prospectivo: 1. Relativo ao futuro. 2. Suposto, possível; esperado. 3. Relativo à preparação e/ou à previsão do futuro quanto à economia, à tecnologia, ao plano social etc. 4. Em geologia, é relativo à prospecção.
7 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
8 Genótipo: Composição genética de um indivíduo, ou seja, os genes que ele tem.
9 Hipertrofia: 1. Desenvolvimento ou crescimento excessivo de um órgão ou de parte dele devido a um aumento do tamanho de suas células constituintes. 2. Desenvolvimento ou crescimento excessivo, em tamanho ou em complexidade (de alguma coisa). 3. Em medicina, é aumento do tamanho (mas não da quantidade) de células que compõem um tecido. Pode ser acompanhada pelo aumento do tamanho do órgão do qual faz parte.
10 Fenótipo: Características apresentadas por um indivíduo sejam elas morfológicas, fisiológicas ou comportamentais. Também fazem parte do fenótipo as características microscópicas e de natureza bioquímica, que necessitam de testes especiais para a sua identificação, como, por exemplo, o tipo sanguíneo do indivíduo.
11 Síncope: Perda breve e repentina da consciência, geralmente com rápida recuperação. Comum em pessoas idosas. Suas causas são múltiplas: doença cerebrovascular, convulsões, arritmias, doença cardíaca, embolia pulmonar, hipertensão pulmonar, hipoglicemia, intoxicações, hipotensão postural, síncope situacional ou vasopressora, infecções, causas psicogênicas e desconhecidas.
12 Choque: 1. Estado de insuficiência circulatória a nível celular, produzido por hemorragias graves, sepse, reações alérgicas graves, etc. Pode ocasionar lesão celular irreversível se a hipóxia persistir por tempo suficiente. 2. Encontro violento, com impacto ou abalo brusco, entre dois corpos. Colisão ou concussão. 3. Perturbação brusca no equilíbrio mental ou emocional. Abalo psíquico devido a uma causa externa.
Gostou do artigo? Compartilhe!