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Medicamentos para TDAH não estão associados ao risco de doença cardiovascular

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O uso de medicamentos para transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) não foi associado ao aumento do risco de doença cardiovascular (DCV), mostrou uma revisão sistemática e metanálise de 19 estudos, embora os pesquisadores tenham alertado que um aumento modesto do risco não pôde ser completamente descartado.

Entre mais de 3 milhões de pessoas, não houve associações estatisticamente significativas entre o uso de medicamentos para TDAH e quaisquer riscos de DCV entre crianças e adolescentes, adultos jovens ou de meia-idade, ou idosos durante um acompanhamento médio variando de 0,25 a 9,5 anos, relataram Le Zhang, do Karolinska Institutet em Estocolmo, e co-autores em estudo publicado no JAMA Network Open.

Ao analisar desfechos cardiovasculares específicos, não houve associações estatisticamente significativas entre o uso de medicamentos para TDAH e parada cardíaca ou arritmias1, doenças cerebrovasculares ou infarto do miocárdio2.

Zhang e sua equipe também não encontraram associações estatisticamente significativas para estimulantes ou não estimulantes.

Saiba mais sobre "TDAH: o que é", "Doenças cardiovasculares3" e "Doenças cerebrovasculares".

“No geral, nossa metanálise fornece dados tranquilizadores sobre o risco cardiovascular putativo com medicamentos para TDAH”, escreveram eles.

Embora também não houvesse associações entre o uso de medicamentos para TDAH e qualquer DCV em pessoas com DCV preexistente e em mulheres, Zhang e co-autores observaram que as estimativas pontuais eram maiores quando comparadas àquelas pessoas sem DCV preexistente e para mulheres versus homens. Eles disseram que mais pesquisas são necessárias para determinar possíveis associações nesses grupos.

Da mesma forma, eles disseram que não podiam descartar a possibilidade de um aumento modesto do risco de algumas doenças cardiovasculares3, como parada cardíaca ou taquiarritmias4, com o uso de medicamentos para o TDAH.

“Na prática clínica, indivíduos específicos com TDAH podem ser particularmente propensos a resultados cardiovasculares negativos”, escreveram Zhang e sua equipe. “Portanto, os médicos devem discutir com seus pacientes e familiares o possível risco cardiovascular da medicação para TDAH à luz das evidências mais recentes e devem seguir rigorosamente as diretrizes clínicas que sugerem o monitoramento da pressão arterial5 e da frequência cardíaca no início e em cada revisão da medicação”.

No artigo, os pesquisadores contextualizam que o uso de medicamentos para transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) aumentou substancialmente nas últimas décadas, mas há preocupações quanto à sua segurança cardiovascular.

O objetivo do estudo, portanto, foi fornecer uma síntese atualizada de evidências sobre se os medicamentos para TDAH estão associados ao risco de uma ampla gama de doenças cardiovasculares3 (DCVs).

As fontes de dados pesquisadas foram PubMed, Embase, PsycINFO e Web of Science até 1º de maio de 2022.

Foram selecionados estudos observacionais investigando a associação entre medicamentos para TDAH (incluindo estimulantes e não estimulantes) e risco de DCV.

Os revisores independentes extraíram os dados e avaliaram a qualidade do estudo usando a checklist Good Research for Comparative Effectiveness (GRACE). Os dados foram agrupados usando modelos de efeitos aleatórios. Este estudo é relatado de acordo com a diretriz Meta-analysis of Observational Studies in Epidemiology.

O desfecho foi qualquer tipo de evento cardiovascular, incluindo hipertensão6, cardiopatia isquêmica7, doença cerebrovascular8, insuficiência cardíaca9, tromboembolismo10 venoso, taquiarritmias4 e parada cardíaca.

Dezenove estudos (com 3.931.532 participantes, incluindo crianças, adolescentes e adultos; 60,9% do sexo masculino), dos quais 14 eram estudos de coorte11, de 6 países ou regiões foram incluídos na metanálise. O tempo médio de acompanhamento variou de 0,25 a 9,5 anos (mediana de 1,5 anos).

O risco relativo (RR) ajustado agrupado não mostrou uma associação estatisticamente significativa entre o uso de medicamentos para TDAH e qualquer DCV entre crianças e adolescentes (RR, 1,18; IC 95%, 0,91-1,53), adultos jovens ou de meia-idade (RR, 1,04; IC 95%, 0,43-2,48) ou idosos (RR, 1,59; IC 95%, 0,62-4,05).

Não foram observadas associações significativas para estimulantes (RR, 1,24; IC 95%, 0,84-1,83) ou não estimulantes (RR, 1,22; IC 95%, 0,25-5,97).

Para desfechos cardiovasculares específicos, nenhuma associação estatisticamente significativa foi encontrada em relação a parada cardíaca ou arritmias1 (RR, 1,60; IC 95%, 0,94-2,72), doenças cerebrovasculares (RR, 0,91; IC 95%, 0,72-1,15) ou infarto do miocárdio2 (RR, 1,06; IC 95%, 0,68-1,65).

Não houve associação com qualquer DCV em pacientes do sexo feminino (RR, 1,88; IC 95%, 0,43-8,24) e naqueles com DCV preexistente (RR, 1,31; IC 95%, 0,80-2,16). A heterogeneidade entre os estudos foi alta e significativa, exceto para a análise de doenças cerebrovasculares.

Esta metanálise sugere que não há associação estatisticamente significativa entre os medicamentos para TDAH e o risco de doença cardiovascular em todas as faixas etárias, embora um aumento modesto do risco não possa ser descartado, especialmente para o risco de parada cardíaca ou taquiarritmias4.

Mais investigações são necessárias para o risco cardiovascular em pacientes do sexo feminino e pacientes com doença cardiovascular preexistente, bem como riscos de longo prazo associados ao uso de medicamentos para TDAH.

Leia sobre "Sinais12 de doenças cardíacas em mulheres" e "Definição de saúde13 cardiovascular ideal na infância".

 

Fontes:
JAMA Network Open, publicação em 23 de novembro de 2022.
MedPage Today, notícia publicada em 23 de novembro de 2022.

 

NEWS.MED.BR, 2022. Medicamentos para TDAH não estão associados ao risco de doença cardiovascular. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1430440/medicamentos-para-tdah-nao-estao-associados-ao-risco-de-doenca-cardiovascular.htm>. Acesso em: 5 fev. 2023.

Complementos

1 Arritmias: Arritmia cardíaca é o nome dado a diversas perturbações que alteram a frequência ou o ritmo dos batimentos cardíacos.
2 Infarto do miocárdio: Interrupção do suprimento sangüíneo para o coração por estreitamento dos vasos ou bloqueio do fluxo. Também conhecido por ataque cardíaco.
3 Doenças cardiovasculares: Doença do coração e vasos sangüíneos (artérias, veias e capilares).
4 Taquiarritmias: Cadência rápida do ritmo do coração, arritmias rápidas.
5 Pressão arterial: A relação que define a pressão arterial é o produto do fluxo sanguíneo pela resistência. Considerando-se a circulação como um todo, o fluxo total é denominado débito cardíaco, enquanto a resistência é denominada de resistência vascular periférica total.
6 Hipertensão: Condição presente quando o sangue flui através dos vasos com força maior que a normal. Também chamada de pressão alta. Hipertensão pode causar esforço cardíaco, dano aos vasos sangüíneos e aumento do risco de um ataque cardíaco, derrame ou acidente vascular cerebral, além de problemas renais e morte.
7 Cardiopatia isquêmica: Doença ocasionada por um déficit na circulação nas artérias coronarianas e outros defeitos capazes de afetar o aporte sangüíneo para o músculo cardíaco.É evidenciada por dor no peito, arritmias, morte súbita ou insuficiência cardíaca.
8 Doença cerebrovascular: É um dano aos vasos sangüíneos do cérebro que resulta em derrame (acidente vascular cerebral). Os vasos tornam-se obstruídos por depósitos de gordura (aterosclerose) ou tornam-se espessados ou duros bloqueando o fluxo sangüíneo para o cérebro. Quando o fluxo é interrompido, as células nervosas sofrem dano ou morrem, resultando no derrame. Pacientes com diabetes descompensado têm maiores riscos de AVC.
9 Insuficiência Cardíaca: É uma condição na qual a quantidade de sangue bombeada pelo coração a cada minuto (débito cardíaco) é insuficiente para suprir as demandas normais de oxigênio e de nutrientes do organismo. Refere-se à diminuição da capacidade do coração suportar a carga de trabalho.
10 Tromboembolismo: Doença produzida pela impactação de um fragmento de um trombo. É produzida quando este se desprende de seu lugar de origem, e é levado pela corrente sangüínea até produzir a oclusão de uma artéria distante do local de origem do trombo. Esta oclusão pode ter diversas conseqüências, desde leves até fatais, dependendo do tamanho do vaso ocluído e do tipo de circulação do órgão onde se deu a oclusão.
11 Estudos de coorte: Um estudo de coorte é realizado para verificar se indivíduos expostos a um determinado fator apresentam, em relação aos indivíduos não expostos, uma maior propensão a desenvolver uma determinada doença. Um estudo de coorte é constituído, em seu início, de um grupo de indivíduos, denominada coorte, em que todos estão livres da doença sob investigação. Os indivíduos dessa coorte são classificados em expostos e não-expostos ao fator de interesse, obtendo-se assim dois grupos (ou duas coortes de comparação). Essas coortes serão observadas por um período de tempo, verificando-se quais indivíduos desenvolvem a doença em questão. Os indivíduos expostos e não-expostos devem ser comparáveis, ou seja, semelhantes quanto aos demais fatores, que não o de interesse, para que as conclusões obtidas sejam confiáveis.
12 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
13 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
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