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Olpasiran, um pequeno RNA de interferência, reduz a lipoproteína (a) na doença cardiovascular

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A lipoproteína (a) é um fator de risco1 presumido para doença cardiovascular aterosclerótica. O olpasiran é um pequeno RNA de interferência que reduz a síntese de lipoproteína (a) no fígado2.

Pesquisadores conduziram um estudo randomizado3, duplo-cego, controlado por placebo4, para determinação de dose, com publicação no The New England Journal of Medicine, envolvendo pacientes com doença cardiovascular aterosclerótica estabelecida e uma concentração de lipoproteína (a) superior a 150 nmol por litro.

Os pacientes foram distribuídos aleatoriamente para receber uma das quatro doses de olpasiran (10 mg a cada 12 semanas, 75 mg a cada 12 semanas, 225 mg a cada 12 semanas ou 225 mg a cada 24 semanas) ou placebo4 correspondente, administrados por via subcutânea5.

O desfecho primário foi a alteração percentual na concentração de lipoproteína (a) desde o início até a semana 36 (relatada como a alteração percentual média ajustada por placebo4). A segurança também foi avaliada.

Leia sobre "Entendendo o colesterol6 do organismo", "Aterosclerose7" e "Doenças cardiovasculares8".

Entre os 281 pacientes inscritos, a concentração média de lipoproteína (a) no início do estudo foi de 260,3 nmol por litro, e a concentração média de colesterol6 de lipoproteína de baixa densidade foi de 67,5 mg por decilitro.

No início do estudo, 88% dos pacientes estavam tomando terapia com estatina, 52% estavam tomando ezetimiba e 23% estavam tomando um inibidor da pró-proteína convertase subtilisina kexina tipo 9 (PCSK9).

Em 36 semanas, a concentração de lipoproteína (a) aumentou em média 3,6% no grupo placebo4, enquanto a terapia com olpasiran reduziu significativa e substancialmente a concentração de lipoproteína (a) de maneira dependente da dose, resultando em mudanças percentuais médias ajustadas por placebo4 de -70,5% com a dose de 10 mg, -97,4% com a dose de 75 mg, -101,1% com a dose de 225 mg administrada a cada 12 semanas e -100,5% com a dose de 225 mg administrada a cada 24 semanas (P <0,001 para todas as comparações com a linha de base).

A incidência9 geral de eventos adversos foi semelhante entre os grupos do estudo. Os eventos adversos mais comuns relacionados ao olpasiran foram reações no local da injeção10, principalmente dor.

O estudo concluiu que a terapia com olpasiran reduziu significativamente as concentrações de lipoproteína (a) em pacientes com doença cardiovascular aterosclerótica estabelecida. Ensaios mais longos e maiores serão necessários para determinar o efeito da terapia com olpasiran nas doenças cardiovasculares8.

 

Fonte: The New England Journal of Medicine, publicação em 17 de novembro de 2022.

 

NEWS.MED.BR, 2022. Olpasiran, um pequeno RNA de interferência, reduz a lipoproteína (a) na doença cardiovascular. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1430165/olpasiran-um-pequeno-rna-de-interferencia-reduz-a-lipoproteina-a-na-doenca-cardiovascular.htm>. Acesso em: 7 fev. 2023.

Complementos

1 Fator de risco: Qualquer coisa que aumente a chance de uma pessoa desenvolver uma doença.
2 Fígado: Órgão que transforma alimento em energia, remove álcool e toxinas do sangue e fabrica bile. A bile, produzida pelo fígado, é importante na digestão, especialmente das gorduras. Após secretada pelas células hepáticas ela é recolhida por canalículos progressivamente maiores que a levam para dois canais que se juntam na saída do fígado e a conduzem intermitentemente até o duodeno, que é a primeira porção do intestino delgado. Com esse canal biliar comum, chamado ducto hepático, comunica-se a vesícula biliar através de um canal sinuoso, chamado ducto cístico. Quando recebe esse canal de drenagem da vesícula biliar, o canal hepático comum muda de nome para colédoco. Este, ao entrar na parede do duodeno, tem um músculo circular, designado esfíncter de Oddi, que controla o seu esvaziamento para o intestino.
3 Estudo randomizado: Ensaios clínicos comparativos randomizados são considerados o melhor delineamento experimental para avaliar questões relacionadas a tratamento e prevenção. Classicamente, são definidos como experimentos médicos projetados para determinar qual de duas ou mais intervenções é a mais eficaz mediante a alocação aleatória, isto é, randomizada, dos pacientes aos diferentes grupos de estudo. Em geral, um dos grupos é considerado controle - o que algumas vezes pode ser ausência de tratamento, placebo, ou mais frequentemente, um tratamento de eficácia reconhecida. Recursos estatísticos são disponíveis para validar conclusões e maximizar a chance de identificar o melhor tratamento. Esses modelos são chamados de estudos de superioridade, cujo objetivo é determinar se um tratamento em investigação é superior ao agente comparativo.
4 Placebo: Preparação neutra quanto a efeitos farmacológicos, ministrada em substituição a um medicamento, com a finalidade de suscitar ou controlar as reações, geralmente de natureza psicológica, que acompanham tal procedimento terapêutico.
5 Subcutânea: Feita ou situada sob a pele; hipodérmica.
6 Colesterol: Tipo de gordura produzida pelo fígado e encontrada no sangue, músculos, fígado e outros tecidos. O colesterol é usado pelo corpo para a produção de hormônios esteróides (testosterona, estrógeno, cortisol e progesterona). O excesso de colesterol pode causar depósito de gordura nos vasos sangüíneos. Seus componentes são: HDL-Colesterol: tem efeito protetor para as artérias, é considerado o bom colesterol. LDL-Colesterol: relacionado às doenças cardiovasculares, é o mau colesterol. VLDL-Colesterol: representa os triglicérides (um quinto destes).
7 Aterosclerose: Tipo de arteriosclerose caracterizado pela formação de placas de ateroma sobre a parede das artérias.
8 Doenças cardiovasculares: Doença do coração e vasos sangüíneos (artérias, veias e capilares).
9 Incidência: Medida da freqüência em que uma doença ocorre. Número de casos novos de uma doença em um certo grupo de pessoas por um certo período de tempo.
10 Injeção: Infiltração de medicação ou nutrientes líquidos no corpo através de uma agulha e seringa.
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