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Alisadores de cabelo podem representar um pequeno risco para câncer uterino

quarta-feira, 9 de novembro de 2022
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Alisadores de cabelo podem representar um pequeno risco para câncer uterino

Um novo estudo soou alarmes sobre os alisadores químicos de cabelo estarem ligados ao câncer de útero, mas os médicos dizem que há sintomas indicadores a serem observados.

O estudo realizado nos Estados Unidos, com publicação no Journal of the National Cancer Institute, sugeriu que o uso de alisadores químicos de cabelo com frequência pode representar um pequeno risco de câncer uterino. As taxas da doença ainda são relativamente baixas, disse a Dra. Alexandra White, chefe do grupo de meio ambiente e epidemiologia do câncer do Instituto Nacional de Ciências da Saúde Ambiental e principal autora do estudo. A pesquisa também não mostrou definitivamente que os alisadores de cabelo causam câncer. Mas as descobertas são motivo de preocupação, disse ela.

As taxas de câncer uterino têm aumentado nos Estados Unidos, particularmente para mulheres negras e hispânicas. O número de casos diagnosticados a cada ano subiu para 65.950 este ano, em comparação com 39.000 há 15 anos. As mulheres negras também são mais propensas a ter casos mais agressivos de câncer, disse White, e o estudo mostrou que elas eram desproporcionalmente mais propensas a usar alisadores de cabelo.

Para as mulheres do estudo que nunca usaram alisadores de cabelo, o risco de desenvolver câncer uterino aos 70 anos foi de 1,64%, segundo a pesquisa, enquanto a taxa para usuárias frequentes de alisadores foi mais que o dobro, chegando a 4,05%.

Embora o risco aumentado tenha sido encontrado entre mulheres de todas as origens raciais e étnicas, as mulheres negras podem ser desproporcionalmente afetadas: 60% das participantes que relataram usar alisadores de cabelo se identificaram como mulheres negras, de acordo com o estudo.

O estudo definiu uso frequente como mais de quatro vezes no ano anterior e incluiu qualquer uso pessoal, se as mulheres aplicaram os produtos ou se os alisantes foram aplicados por outras pessoas.

Leia sobre "Câncer do colo do útero" e "Câncer de endométrio".

Para as mulheres que usaram alisadores químicos de cabelo, não há necessidade de procurar atendimento médico, a menos que tenha sintomas de câncer uterino, disse o Dr. Otis Brawley, oncologista da Universidade Johns Hopkins. Mas as mulheres devem consultar regularmente um ginecologista e estar cientes dos fatores de risco e dos primeiros sinais da doença.

Sangramento anormal é o sintoma mais comum de câncer uterino, disse Brawley, especialmente para mulheres que passaram pela menopausa. Se houver sangramento vaginal depois de não menstruar por um ano ou mais, mesmo manchas rosa-claras ou marrons ao se limpar, é importante conversar com um ginecologista.

Para as mulheres mais jovens, uma mudança no padrão de sangramento – incluindo sangramento entre as menstruações e sangramento intenso em geral – pode ser um sintoma de câncer uterino.

Pular menstruações também pode ser um sinal de preocupação. Outros sintomas iniciais de câncer uterino incluem dor ou pressão pélvica. As pacientes podem apresentar inchaço ou alterações nos hábitos intestinais, que podem parecer constipação ou diarreia.

No artigo publicado, os pesquisadores avaliaram a associação do uso de alisadores e outros produtos capilares e câncer uterino incidente.

Eles contextualizam que os produtos capilares podem conter substâncias químicas perigosas com propriedades cancerígenas e desreguladoras do sistema endócrino. Estudos anteriores descobriram que o uso de produtos capilares está associado a um risco maior de cânceres sensíveis a hormônios, incluindo câncer de mama e ovário; no entanto, até onde se sabe, nenhum estudo anterior investigou a relação com o câncer de útero.

Examinou-se as associações entre o uso de produtos capilares e câncer uterino incidente entre 33.947 participantes do Sister Study com idade entre 35 e 74 anos que tinham útero no momento da inscrição (2003-2009).

Em questionários na linha de base, as participantes desta grande coorte prospectiva, racial e etnicamente diversa, relataram seu uso de produtos capilares nos 12 meses anteriores, incluindo tinturas de cabelo; alisadores, relaxantes ou produtos de prensagem; e permanentes.

Estimou-se razões de risco (HRs) ajustadas e intervalos de confiança (ICs) de 95% para quantificar associações entre o uso de produtos capilares e câncer uterino usando modelos de risco proporcional de Cox. Todos os testes estatísticos foram bilaterais.

Ao longo de uma média de 10,9 anos de acompanhamento, foram identificados 378 casos de câncer uterino. O uso de produtos de alisamento sempre versus nunca nos últimos 12 meses foi associado a maiores taxas de incidência de câncer uterino (HR = 1,80, IC 95% = 1,12 a 2,88).

A associação foi mais forte ao comparar o uso frequente (>4 vezes nos últimos 12 meses) versus nunca ter usado (HR = 2,55, IC 95% = 1,46 a 4,45; P para tendência = 0,002).

O uso de outros produtos capilares, incluindo tinturas e permanentes, não foi associado ao câncer uterino incidente.

Esses achados são a primeira evidência epidemiológica de associação entre o uso de produtos de alisamento e câncer de útero. Mais pesquisas são necessárias para replicar essas descobertas em outros ambientes e identificar substâncias químicas específicas que conduzem essa associação observada.

Veja também sobre "Substâncias cancerígenas" e "Câncer - informações importantes".

 

Fontes:
Journal of the National Cancer Institute, publicação em 17 de outubro de 2022.
The New York Times, notícias publicadas em 17 e 25 de outubro de 2022.

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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