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Insônia pode estar relacionada a resultados adversos da gravidez

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A insônia é comum e foi associada a resultados adversos da gravidez1 e perinatais em estudos observacionais. No entanto, essas associações podem ser vulneráveis a confusão residual ou causalidade reversa.

O objetivo deste estudo, publicado pela revista PLOS Medicine, foi estimar a associação da insônia com natimorto, aborto espontâneo, diabetes gestacional2 (DG), distúrbios hipertensivos da gravidez1 (DHG), depressão perinatal, parto prematuro (PP) e baixo/alto peso ao nascer da prole (BPN/APN).

Usou-se a randomização mendeliana (RM) de 2 amostras com 81 polimorfismos de nucleotídeo único (PNUs) instrumentando para uma predisposição ao longo da vida para a insônia.

Leia sobre "Insônia - informações básicas" e "Tipos de insônia".

Os resultados incluíram natimorto, aborto espontâneo, DG, DHG, depressão perinatal, PP (idade gestacional <37 semanas completas), BPN (<2.500 gramas) e APN (>4.500 gramas). Foram usados dados de mulheres de descendência europeia (N = 356.069, idade média no parto de 25,5 a 30,0 anos) do UK Biobank (UKB), FinnGen, Avon Longitudinal Study of Parents and Children (ALSPAC), Born in Bradford (BiB) e a Norwegian Mother, Father and Child Cohort (MoBa).

As principais análises de RM utilizaram ponderação de variância inversa (PVI), com mediana ponderada e RM-Egger como análises de sensibilidade. Comparou-se as estimativas da RM com regressão multivariável de insônia na gravidez1 em resultados do ALSPAC (N = 11.745).

A PVI mostrou evidência de uma associação de suscetibilidade genética à insônia com aborto espontâneo (odds ratio [OR]: 1,60, intervalo de confiança [IC] de 95%: 1,18, 2,17, p = 0,002), depressão perinatal (OR 3,56, IC 95%: 1,49, 8,54, p = 0,004) e BPN (OR 3,17, IC 95%: 1,69, 5,96, p <0,001).

Os resultados da PVI não apoiaram associações de insônia com natimortos, DG, DHG, PP e APN, com ICs amplos, incluindo o nulo.

Associações de suscetibilidade genética à insônia com aborto espontâneo, depressão perinatal e BPN não foram observadas na mediana ponderada ou nas análises de RM-Egger.

Os resultados dessas análises de sensibilidade foram direcionalmente consistentes com os resultados de PVI para todos os desfechos, com exceção de DG, depressão perinatal e PP em RM-Egger.

A regressão multivariada mostrou associações de insônia na 18ª semana de gestação com depressão perinatal (OR 2,96, IC 95%: 2,42, 3,63, p <0,001), mas não com BPN (OR 0,92, IC 95%: 0,69, 1,24, p = 0,60). A regressão multivariada com aborto e natimorto não foi possível devido ao pequeno número de gestações índice.

As principais limitações são a potencial pleiotropia horizontal (particularmente para depressão perinatal) e baixo poder estatístico na RM e confusão residual na regressão multivariável.

Neste estudo, observou-se algumas evidências em apoio de uma possível relação causal entre insônia geneticamente prevista e aborto espontâneo, depressão perinatal e baixo peso ao nascer.

O estudo também encontrou evidências observacionais em apoio de uma associação entre insônia na gravidez1 e depressão perinatal, sem evidência multivariável clara de uma associação com baixo peso ao nascer.

Esses achados destacam a importância do sono saudável em mulheres em idade reprodutiva, embora a replicação em estudos maiores, inclusive com instrumentos genéticos específicos para insônia na gravidez1, seja importante.

Saiba mais sobre "Aborto: o que é", "Depressão pós-parto", "Baixo peso ao nascer" e "Gravidez1 de risco".

 

Fonte: PLOS Medicine, publicação em 06 de setembro de 2022.

 

NEWS.MED.BR, 2022. Insônia pode estar relacionada a resultados adversos da gravidez. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1425505/insonia-pode-estar-relacionada-a-resultados-adversos-da-gravidez.htm>. Acesso em: 2 out. 2022.

Complementos

1 Gravidez: Condição de ter um embrião ou feto em desenvolvimento no trato reprodutivo feminino após a união de ovo e espermatozóide.
2 Diabetes gestacional: Tipo de diabetes melito que se desenvolve durante a gravidez e habitualmente desaparece após o parto, mas aumenta o risco da mãe desenvolver diabetes no futuro. O diabetes gestacional é controlado com planejamento das refeições, atividade física e, em alguns casos, com o uso de insulina.
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