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Retinopatia diabética mais que dobrou o risco futuro de distúrbios neurodegenerativos, particularmente comprometimento cognitivo

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A retinopatia diabética1 (RD) teve uma associação significativa com vários tipos de distúrbios neurodegenerativos, particularmente comprometimento cognitivo2, mostrou uma grande metanálise.

A RD mais que dobrou as chances de desenvolvimento subsequente de neurodegeneração sistêmica e também aumentou as chances de um distúrbio neurodegenerativo atual. A gravidade da retinopatia não influenciou a probabilidade de neurodegeneração sistêmica, relataram Frederik N. Pedersen, MD, do Odense University Hospital, na Dinamarca, e colegas.

Embora longe de ser definitivo, os resultados justificam estudos adicionais para examinar as associações, afirmaram os pesquisadores no estudo publicado no periódico Ophthalmology Retina3.

“Vale a pena notar que os estudos incluídos na metanálise foram ambíguos em seus achados e a maioria dos estudos disponíveis avaliou a função e o comprometimento cognitivos”, reconheceram os autores. “Essas circunstâncias exigem estudos observacionais maiores e mais bem controlados. Além disso, não se sabe se a melhora da RD influencia a função cognitiva4, e estudos clínicos intervencionistas são necessários para avaliar a importância clínica prática da RD em relação à função cognitiva”.

“Finalmente, os estudos diagnósticos específicos foram escassos, o que desafia ainda mais a importância clínica desses achados”, afirmaram. “No entanto, ORs (odds ratios) estatisticamente significativos em 1,57 e 2,36 em estudos transversais e longitudinais, respectivamente, são uniformes ao sugerir tamanhos de efeito que merecem mais atenção”.

Leia sobre "Retinopatia diabética1", "Distúrbio neurocognitivo" e "Complicações do diabetes5 mellitus".

Para examinar o papel potencial da neurodegeneração sistêmica, o estudo realizado teve como objetivo fornecer uma visão6 geral das evidências disponíveis sobre a relação entre a retinopatia diabética1 (RD) e a neurodegeneração sistêmica.

A associação entre RD e neurodegeneração sistêmica é inconsistente na literatura. Uma estimativa resumida das medidas de associação é importante para estabelecer se a RD pode ser usada como marcador de risco de neurodegeneração sistêmica.

Foram pesquisadas as bases de dados da literatura PubMed/MEDLINE, EMBASE e Cochrane Library, em 3 de outubro de 2020, para todos os estudos observacionais em humanos avaliando a associação entre RD e doenças neurodegenerativas sistêmicas. Dois autores conduziram a pesquisa bibliográfica, seleção de estudos e extração de dados de forma independente.

Os estudos foram revisados qualitativamente em texto e quantitativamente em metanálises. A heterogeneidade foi avaliada com Q e I² de Cochran, e o gráfico de funil foi usado para investigar resultados distorcidos e possível viés de publicação.

Foram identificados 27 estudos elegíveis com um total de 1.398.041 pacientes com diabetes7. O diagnóstico8 de RD foi feito por meio de fotografia ou exame de fundo de olho9 (n = 20), registros de saúde10 (n = 4), foi autorrelatado (n = 1) ou não foi divulgado nos demais estudos. As condições neurodegenerativas estudadas foram comprometimento cognitivo2 (n = 23), doença de Alzheimer11 (n = 3) e doença de Parkinson12 (n = 1).

Em estudos transversais e longitudinais, respectivamente, a presença de qualquer RD foi associada a neurodegeneração sistêmica presente (odds ratio [OR], 1,57; intervalo de confiança [IC] de 95%, 1,02-2,43, P = 0,043) e incidente13 (OR, 2,36; IC 95%, 1,50-3,71, P = 0,00021), mas a gravidade da RD não foi associada a diferenças na neurodegeneração sistêmica (OR, 0,98; IC 95%, 0,45-2,15, P = 0,96).

Nesta revisão sistemática, a retinopatia diabética1 parece ser um marcador de neurodegeneração sistêmica. Mais estudos são necessários para melhor elucidar as implicações para a prática clínica dessa relação.

Veja também sobre "Doenças degenerativas14" e "Manifestações oculares de doenças sistêmicas".

 

Fontes:
Ophthalmology Retina3, publicação em fevereiro de 2022.
MedPage Today, notícia publicada em 22 de março de 2022.

 

NEWS.MED.BR, 2022. Retinopatia diabética mais que dobrou o risco futuro de distúrbios neurodegenerativos, particularmente comprometimento cognitivo. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1413720/retinopatia-diabetica-mais-que-dobrou-o-risco-futuro-de-disturbios-neurodegenerativos-particularmente-comprometimento-cognitivo.htm>. Acesso em: 8 dez. 2022.

Complementos

1 Retinopatia diabética: Dano causado aos pequenos vasos da retina dos diabéticos. Pode levar à perda da visão. Retinopatia não proliferativa ou retinopatia background Caracterizada por alterações intra-retinianas associadas ao aumento da permeabilidade capilar e à oclusão vascular que pode ou não ocorrer. São encontrados microaneurismas, edema macular e exsudatos duros (extravasamento de lipoproteínas). Também chamada de retinopatia simples.
2 Cognitivo: 1. Relativo ao conhecimento, à cognição. 2. Relativo ao processo mental de percepção, memória, juízo e/ou raciocínio. 3. Diz-se de estados e processos relativos à identificação de um saber dedutível e à resolução de tarefas e problemas determinados. 4. Diz-se dos princípios classificatórios derivados de constatações, percepções e/ou ações que norteiam a passagem das representações simbólicas à experiência, e também da organização hierárquica e da utilização no pensamento e linguagem daqueles mesmos princípios.
3 Retina: Parte do olho responsável pela formação de imagens. É como uma tela onde se projetam as imagens: retém as imagens e as traduz para o cérebro através de impulsos elétricos enviados pelo nervo óptico. Possui duas partes: a retina periférica e a mácula.
4 Cognitiva: 1. Relativa ao conhecimento, à cognição. 2. Relativa ao processo mental de percepção, memória, juízo e/ou raciocínio. 3. Diz-se de estados e processos relativos à identificação de um saber dedutível e à resolução de tarefas e problemas determinados. 4. Diz-se dos princípios classificatórios derivados de constatações, percepções e/ou ações que norteiam a passagem das representações simbólicas à experiência, e também da organização hierárquica e da utilização no pensamento e linguagem daqueles mesmos princípios.
5 Complicações do diabetes: São os efeitos prejudiciais do diabetes no organismo, tais como: danos aos olhos, coração, vasos sangüíneos, sistema nervoso, dentes e gengivas, pés, pele e rins. Os estudos mostram que aqueles que mantêm os níveis de glicose do sangue, a pressão arterial e o colesterol próximos aos níveis normais podem ajudar a impedir ou postergar estes problemas.
6 Visão: 1. Ato ou efeito de ver. 2. Percepção do mundo exterior pelos órgãos da vista; sentido da vista. 3. Algo visto, percebido. 4. Imagem ou representação que aparece aos olhos ou ao espírito, causada por delírio, ilusão, sonho; fantasma, visagem. 5. No sentido figurado, concepção ou representação, em espírito, de situações, questões etc.; interpretação, ponto de vista. 6. Percepção de fatos futuros ou distantes, como profecia ou advertência divina.
7 Diabetes: Nome que designa um grupo de doenças caracterizadas por diurese excessiva. A mais frequente é o Diabetes mellitus, ainda que existam outras variantes (Diabetes insipidus) de doença nas quais o transtorno primário é a incapacidade dos rins de concentrar a urina.
8 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
9 Fundo de olho: Fundoscopia, oftalmoscopia ou exame de fundo de olho é o exame em que se visualizam as estruturas do segmento posterior do olho (cabeça do nervo óptico, retina, vasos retinianos e coroide), dando atenção especialmente a região central da retina, denominada mácula. O principal aparelho utilizado pelo clínico para realização do exame de fundo de olho é o oftalmoscópio direto. O oftalmologista usa o oftalmoscópio indireto e a lâmpada de fenda.
10 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
11 Doença de Alzheimer: É uma doença progressiva, de causa e tratamentos ainda desconhecidos que acomete preferencialmente as pessoas idosas. É uma forma de demência. No início há pequenos esquecimentos, vistos pelos familiares como parte do processo normal de envelhecimento, que se vão agravando gradualmente. Os pacientes tornam-se confusos e por vezes agressivos, passando a apresentar alterações da personalidade, com distúrbios de conduta e acabam por não reconhecer os próprios familiares e até a si mesmos quando colocados frente a um espelho. Tornam-se cada vez mais dependentes de terceiros, iniciam-se as dificuldades de locomoção, a comunicação inviabiliza-se e passam a necessitar de cuidados e supervisão integral, até mesmo para as atividades elementares como alimentação, higiene, vestuário, etc..
12 Doença de Parkinson: Doença degenerativa que afeta uma região específica do cérebro (gânglios da base), e caracteriza-se por tremores em repouso, rigidez ao realizar movimentos, falta de expressão facial e, em casos avançados, demência. Os sintomas podem ser aliviados por medicamentos adequados, mas ainda não se conhece, até o momento, uma cura definitiva.
13 Incidente: 1. Que incide, que sobrevém ou que tem caráter secundário; incidental. 2. Acontecimento imprevisível que modifica o desenrolar normal de uma ação. 3. Dificuldade passageira que não modifica o desenrolar de uma operação, de uma linha de conduta.
14 Degenerativas: Relativas a ou que provocam degeneração.
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