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Insônia é comum após traumatismo cranioencefálico em adultos e pode seguir diferentes trajetórias

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A insônia é comum após traumatismo1 cranioencefálico (TCE) e contribui para morbidade2 e sequelas3 a longo prazo. O objetivo deste estudo, publicado no JAMA Network Open, foi identificar trajetórias únicas de insônia nos 12 meses após o TCE.

Neste estudo de coorte4 prospectivo5, modelos mistos de classe latente (LCMMs, do inglês latent class mixed models) foram usados para modelar trajetórias de insônia ao longo do tempo e classificar os participantes em grupos de perfis distintos.

Saiba mais sobre "Traumatismos cranianos" e "Insônia - informações básicas".

Os dados do estudo Transforming Research and Clinical Knowledge in Traumatic Brain Injury (TRACK-TBI), um estudo longitudinal, multilocal e observacional, foram carregados no banco de dados Federal Interagency Traumatic Brain Injury Repository (FITBIR).

Os participantes foram inscritos em 1 dos 18 centros de trauma de nível I participantes e inscritos dentro de 24 horas após o TCE. Dados adicionais foram obtidos diretamente dos investigadores do TRACK-TBI que serão enviados ao FITBIR no futuro.

Os dados foram coletados de 26 de fevereiro de 2014 a 8 de agosto de 2018 e analisados de 1º de julho de 2020 a 15 de novembro de 2021.

O principal desfecho do estudo foi o índice de gravidade da insônia avaliado em série em 2 semanas e 3, 6 e 12 meses depois.

A amostra final incluiu 2.022 participantes (1.377 [68,1%] homens; média [DP] de idade, 40,1 [17,2] anos) do banco de dados FITBIR e do estudo TRACK-TBI. Os dados foram melhor ajustados por um LCMM de 5 classes.

Desses participantes, 1.245 (61,6%) relataram sintomas6 persistentes de insônia leve (classe 1); 627 (31,0%) relataram inicialmente sintomas6 leves de insônia que se resolveram com o tempo (classe 2); 91 (4,5%) relataram sintomas6 persistentes de insônia grave (classe 3); 44 (2,2%) relataram inicialmente sintomas6 graves de insônia que se resolveram em 12 meses (classe 4); e 15 (0,7%) inicialmente não relataram sintomas6 de insônia, mas apresentaram sintomas6 graves em 12 meses (classe 5).

Em um modelo de regressão logística multinomial, vários fatores significativamente associados à pertinência à classe da trajetória da insônia foram identificados, incluindo sexo feminino (odds ratio [OR], 1,65 [IC 95%, 1,02-2,66]), raça negra (OR, 2,36 [IC 95%, 1,39-4,01]), história de doença psiquiátrica (OR, 2,21 [IC 95%, 1,35-3,60]) e achados consistentes com lesão7 intracraniana na tomografia computadorizada8 (OR, 0,36 [IC 95%, 0,20-0,65]) ao comparar a classe 3 com a classe 1.

Esses resultados sugerem importante heterogeneidade no curso da insônia após traumatismo1 cranioencefálico em adultos. Mais trabalho é necessário para identificar os resultados associados a esses subgrupos de classe de trajetória de insônia e identificar abordagens ideais de tratamento específicas para os subgrupos.

Leia sobre "Distúrbios do sono" e "Insônia - como dormir melhor".

 

Fonte: JAMA Network Open, publicação em 26 de janeiro de 2022. (doi:10.1001/jamanetworkopen.2021.45310)

 

NEWS.MED.BR, 2022. Insônia é comum após traumatismo cranioencefálico em adultos e pode seguir diferentes trajetórias. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1410050/insonia-e-comum-apos-traumatismo-cranioencefalico-em-adultos-e-pode-seguir-diferentes-trajetorias.htm>. Acesso em: 8 dez. 2022.

Complementos

1 Traumatismo: Lesão produzida pela ação de um agente vulnerante físico, químico ou biológico e etc. sobre uma ou várias partes do organismo.
2 Morbidade: Morbidade ou morbilidade é a taxa de portadores de determinada doença em relação à população total estudada, em determinado local e em determinado momento.
3 Sequelas: 1. Na medicina, é a anomalia consequente a uma moléstia, da qual deriva direta ou indiretamente. 2. Ato ou efeito de seguir. 3. Grupo de pessoas que seguem o interesse de alguém; bando. 4. Efeito de uma causa; consequência, resultado. 5. Ato ou efeito de dar seguimento a algo que foi iniciado; sequência, continuação. 6. Sequência ou cadeia de fatos, coisas, objetos; série, sucessão. 7. Possibilidade de acompanhar a coisa onerada nas mãos de qualquer detentor e exercer sobre ela as prerrogativas de seu direito.
4 Estudo de coorte: Um estudo de coorte é realizado para verificar se indivíduos expostos a um determinado fator apresentam, em relação aos indivíduos não expostos, uma maior propensão a desenvolver uma determinada doença. Um estudo de coorte é constituído, em seu início, de um grupo de indivíduos, denominada coorte, em que todos estão livres da doença sob investigação. Os indivíduos dessa coorte são classificados em expostos e não-expostos ao fator de interesse, obtendo-se assim dois grupos (ou duas coortes de comparação). Essas coortes serão observadas por um período de tempo, verificando-se quais indivíduos desenvolvem a doença em questão. Os indivíduos expostos e não-expostos devem ser comparáveis, ou seja, semelhantes quanto aos demais fatores, que não o de interesse, para que as conclusões obtidas sejam confiáveis.
5 Prospectivo: 1. Relativo ao futuro. 2. Suposto, possível; esperado. 3. Relativo à preparação e/ou à previsão do futuro quanto à economia, à tecnologia, ao plano social etc. 4. Em geologia, é relativo à prospecção.
6 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
7 Lesão: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
8 Tomografia computadorizada: Exame capaz de obter imagens em tons de cinza de “fatias” de partes do corpo ou de órgãos selecionados, as quais são geradas pelo processamento por um computador de uma sucessão de imagens de raios X de alta resolução em diversos segmentos sucessivos de partes do corpo ou de órgãos.
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