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Resultados da gravidez pioraram durante a pandemia de COVID-19 em todo o mundo, segundo estudo publicado no The Lancet Global Health

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Nova revisão sistemática e metanálise de 40 estudos de 17 países, publicada no The Lancet Global Health, avaliou os efeitos da pandemia1 de COVID-19 nos resultados maternos e perinatais.

A pandemia1 COVID-19 teve um impacto profundo nos sistemas de saúde2 e, potencialmente, nos resultados da gravidez3, mas nenhuma síntese sistemática de evidências desse efeito foi realizada.

O objetivo do estudo, portanto, foi avaliar a evidência coletiva sobre os efeitos da pandemia1 nos resultados maternos, fetais e neonatais.

Saiba mais sobre "A gravidez3 e o Coronavírus" e "Covid-19, gravidez3 e parto".

Foram pesquisadas as bases de dados MEDLINE e Embase de acordo com as diretrizes PRISMA, de 1 de janeiro de 2020 a 8 de janeiro de 2021, para estudos de caso-controle, estudos de coorte4 e relatórios breves comparando mortalidade5 materna e perinatal, morbidade6 materna, complicações na gravidez3 e intraparto e resultados neonatais antes e durante a pandemia1.

Também foi planejado registrar quaisquer resultados maternos e de descendência adicionais identificados.

Foram excluídos estudos apenas de gestantes infectadas com SARS-CoV-2, bem como relatos de casos, estudos sem grupos de comparação, revisões narrativas ou sistemáticas da literatura, pré-impressões e estudos relatando populações sobrepostas.

Metanálise quantitativa foi feita para um resultado quando mais de um estudo apresentou dados relevantes. A estimativa de efeitos aleatórios do odds ratio (OR) combinado de cada resultado foi gerada com o uso do método de Mantel-Haenszel.

A busca identificou 3.592 citações, das quais 40 estudos foram incluídos. Foram identificados aumentos significativos em natimortos (OR combinado 1,28 [IC 95% 1,07-1,54]; I² = 63%; 12 estudos, 168.295 gestações durante e 198.993 antes da pandemia1) e morte materna (1,37 [1,22-1,53; I² = 0%, dois estudos [ambos de países de rendas baixa e média], 1.237.018 e 2.224.859 gestações) durante versus antes da pandemia1.

Os nascimentos prematuros antes de 37 semanas de gestação não foram significativamente alterados em geral (0,94 [0,87-1,02]; I² = 75%; 15 estudos, 170.640 e 656.423 gestações), mas diminuíram em países de alta renda (0,91 [0,84-0,99]; I² = 63%; 12 estudos, 159.987 e 635.118 gestações), onde o nascimento prematuro espontâneo também foi diminuído (0,81 [0,67-0,97]; dois estudos, 4.204 e 6.818 gestações).

As pontuações médias da Escala de Depressão Pós-natal de Edimburgo foram mais altas, indicando pior saúde2 mental, durante versus antes da pandemia1 (diferença média combinada 0,42 [IC 95% 0,02-0,81; três estudos, 2.330 e 6.517 gestações).

Gestações ectópicas7 tratadas cirurgicamente aumentaram durante a pandemia1 (OR 5,81 [2,16-15,6]; I² = 26%; três estudos, 37 e 272 gestações).

Nenhum efeito geral significativo foi identificado para outros resultados incluídos na análise quantitativa: diabetes gestacional8 materno; distúrbios hipertensivos da gravidez3; nascimento prematuro antes de 34 semanas, 32 semanas ou 28 semanas de gestação; parto prematuro iatrogênico9; indução do parto; modalidades de parto (parto vaginal espontâneo, cesariana ou parto instrumental); hemorragia10 pós-parto; morte neonatal; baixo peso ao nascer (<2500 g); admissão em unidade de terapia intensiva11 neonatal; ou índice de Apgar menor que 7 em 5 minutos.

Os resultados maternos e fetais globais pioraram durante a pandemia1 COVID-19, com um aumento nas mortes maternas, natimortos, rupturas de gravidez ectópica12 e depressão materna.

Alguns resultados mostram disparidade considerável entre ambientes de renda alta e renda baixa. Há uma necessidade urgente de priorizar cuidados maternos seguros, acessíveis e equitativos na resposta estratégica a esta pandemia1 e em futuras crises de saúde2.

Leia sobre "Gravidez ectópica12", "Depressão pós-parto", "Saúde2 mental na pandemia1" e "Aborto".

 

Fonte: The Lancet Global Health, publicação em 31 de março de 2021.

 

NEWS.MED.BR, 2021. Resultados da gravidez pioraram durante a pandemia de COVID-19 em todo o mundo, segundo estudo publicado no The Lancet Global Health. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1391020/resultados-da-gravidez-pioraram-durante-a-pandemia-de-covid-19-em-todo-o-mundo-segundo-estudo-publicado-no-the-lancet-global-health.htm>. Acesso em: 13 jun. 2021.

Complementos

1 Pandemia: É uma epidemia de doença infecciosa que se espalha por um ou mais continentes ou por todo o mundo, causando inúmeras mortes. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a pandemia pode se iniciar com o aparecimento de uma nova doença na população, quando o agente infecta os humanos, causando doença séria ou quando o agente dissemina facilmente e sustentavelmente entre humanos. Epidemia global.
2 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
3 Gravidez: Condição de ter um embrião ou feto em desenvolvimento no trato reprodutivo feminino após a união de ovo e espermatozóide.
4 Estudos de coorte: Um estudo de coorte é realizado para verificar se indivíduos expostos a um determinado fator apresentam, em relação aos indivíduos não expostos, uma maior propensão a desenvolver uma determinada doença. Um estudo de coorte é constituído, em seu início, de um grupo de indivíduos, denominada coorte, em que todos estão livres da doença sob investigação. Os indivíduos dessa coorte são classificados em expostos e não-expostos ao fator de interesse, obtendo-se assim dois grupos (ou duas coortes de comparação). Essas coortes serão observadas por um período de tempo, verificando-se quais indivíduos desenvolvem a doença em questão. Os indivíduos expostos e não-expostos devem ser comparáveis, ou seja, semelhantes quanto aos demais fatores, que não o de interesse, para que as conclusões obtidas sejam confiáveis.
5 Mortalidade: A taxa de mortalidade ou coeficiente de mortalidade é um dado demográfico do número de óbitos, geralmente para cada mil habitantes em uma dada região, em um determinado período de tempo.
6 Morbidade: Morbidade ou morbilidade é a taxa de portadores de determinada doença em relação à população total estudada, em determinado local e em determinado momento.
7 Ectópicas: Relativo à ectopia, ou seja, à posição anômala de um órgão.
8 Diabetes gestacional: Tipo de diabetes melito que se desenvolve durante a gravidez e habitualmente desaparece após o parto, mas aumenta o risco da mãe desenvolver diabetes no futuro. O diabetes gestacional é controlado com planejamento das refeições, atividade física e, em alguns casos, com o uso de insulina.
9 Iatrogênico: Relativo à ou próprio da iatrogenia, que significa geração de atos ou pensamentos a partir da prática médica. É frequentemente empregado para designar os erros da conduta médica.
10 Hemorragia: Saída de sangue dos vasos sanguíneos ou do coração para o exterior, para o interstício ou para cavidades pré-formadas do organismo.
11 Terapia intensiva: Tratamento para diabetes no qual os níveis de glicose são mantidos o mais próximo do normal possível através de injeções freqüentes ou uso de bomba de insulina, planejamento das refeições, ajuste em medicamentos hipoglicemiantes e exercícios baseados nos resultados de testes de glicose além de contatos freqüentes entre o diabético e o profissional de saúde.
12 Gravidez ectópica: Implantação do produto da fecundação fora da cavidade uterina (trompas, peritôneo, etc.).
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