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Dieta vegana com baixo teor de gordura é eficaz para reduzir o peso corporal e aumentar a sensibilidade à insulina e o metabolismo pós-prandial

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O excesso de peso corporal e a resistência à insulina1 levam ao diabetes2 tipo 2 e a outros problemas graves de saúde3. Há uma necessidade urgente de intervenções dietéticas para lidar com essas condições.

O objetivo desse estudo, publicado pelo JAMA Network Open, foi medir os efeitos de uma dieta vegana com baixo teor de gordura4 sobre o peso corporal, resistência à insulina5, metabolismo6 pós-prandial e níveis de lipídios intramiocelulares e hepatocelulares em adultos com sobrepeso7.

Este ensaio clínico randomizado8 de 16 semanas foi realizado entre janeiro de 2017 e fevereiro de 2019 em Washington, DC, nos Estados Unidos. Das 3.115 pessoas que responderam a panfletos em consultórios médicos e anúncios em jornais e rádio9, 244 atenderam aos critérios de participação (idade de 25 a 75 anos; índice de massa corporal10 de 28 a 40) após terem sido examinados por telefone.

Leia sobre "Dieta vegana", "Papel da insulina5 no corpo" e "O que é uma alimentação saudável".

Os participantes foram randomizados em uma proporção de 1:1. O grupo de intervenção (n = 122) foi solicitado a seguir uma dieta vegana com baixo teor de gordura4 e o grupo de controle (n = 122) a não fazer alterações na dieta por 16 semanas.

Nas semanas 0 e 16, o peso corporal foi avaliado por meio de uma balança calibrada. A composição corporal e a gordura4 visceral foram medidas por absorciometria de raios-x de dupla energia. A resistência à insulina1 foi avaliada com o índice de avaliação do modelo de homeostase e o índice de sensibilidade à insulina5 prevista (PREDIM). O efeito térmico dos alimentos foi medido por calorimetria indireta ao longo de 3 horas após um café da manhã líquido padrão (720 kcal).

Em um subconjunto de participantes (n = 44), os lipídios hepatocelulares e intramiocelulares foram quantificados por espectroscopia de ressonância magnética11 de prótons. Análise de variância de medida repetida foi usada para análise estatística.

Entre os 244 participantes do estudo, 211 (87%) eram do sexo feminino, 117 (48%) eram brancos e a idade média (DP) foi de 54,4 (11,6) anos.

Ao longo das 16 semanas, o peso corporal diminuiu no grupo de intervenção em 5,9 kg (IC 95%, 5,0-6,7 kg; P <0,001). O efeito térmico dos alimentos aumentou no grupo de intervenção em 14,1% (IC 95%, 6,5-20,4; P <0,001).

O índice de avaliação do modelo de homeostase diminuiu (−1,3; IC de 95%, −2,2 para −0,3; P <0,001) e o PREDIM aumentou (0,9; IC de 95%, 0,5-1,2; P <0,001) no grupo de intervenção.

Os níveis de lipídios hepatocelulares diminuíram no grupo de intervenção em 34,4%, de uma média (DP) de 3,2% (2,9%) para 2,4% (2,2%) (P = 0,002), e os níveis de lipídios intramiocelulares diminuíram em 10,4%, de um média (DP) de 1,6 (1,1) para 1,5 (1,0) (P = 0,03).

Nenhuma dessas variáveis ​​mudou significativamente no grupo de controle ao longo das 16 semanas. A mudança no PREDIM se correlacionou negativamente com a mudança no peso corporal (r = −0,43; P <0,001). Mudanças nos níveis de lipídios hepatocelulares e intramiocelulares se correlacionaram com mudanças na resistência à insulina1 (ambos r = 0,51; P = 0,01).

O estudo concluiu que uma intervenção dietética à base de vegetais com baixo teor de gordura4 reduz o peso corporal, reduzindo a ingestão de energia e aumentando o metabolismo6 pós-prandial. As alterações estão associadas a reduções na gordura4 hepatocelular e intramiocelular e aumento da sensibilidade à insulina5.

Veja também sobre "Maneiras de perder peso e manter o peso alcançado" e "Tratando a obesidade12".

 

Fonte: JAMA Network Open, publicação em 30 de novembro de 2020.

 

NEWS.MED.BR, 2020. Dieta vegana com baixo teor de gordura é eficaz para reduzir o peso corporal e aumentar a sensibilidade à insulina e o metabolismo pós-prandial. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1384033/dieta-vegana-com-baixo-teor-de-gordura-e-eficaz-para-reduzir-o-peso-corporal-e-aumentar-a-sensibilidade-a-insulina-e-o-metabolismo-pos-prandial.htm>. Acesso em: 22 out. 2021.

Complementos

1 Resistência à insulina: Inabilidade do corpo para responder e usar a insulina produzida. A resistência à insulina pode estar relacionada à obesidade, hipertensão e altos níveis de colesterol no sangue.
2 Diabetes: Nome que designa um grupo de doenças caracterizadas por diurese excessiva. A mais frequente é o Diabetes mellitus, ainda que existam outras variantes (Diabetes insipidus) de doença nas quais o transtorno primário é a incapacidade dos rins de concentrar a urina.
3 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
4 Gordura: Um dos três principais nutrientes dos alimentos. Os alimentos que fornecem gordura são: manteiga, margarina, óleos, nozes, carnes vermelhas, peixes, frango e alguns derivados do leite. O excesso de calorias é estocado no organismo na forma de gordura, fornecendo uma reserva de energia ao organismo.
5 Insulina: Hormônio que ajuda o organismo a usar glicose como energia. As células-beta do pâncreas produzem insulina. Quando o organismo não pode produzir insulna em quantidade suficiente, ela é usada por injeções ou bomba de insulina.
6 Metabolismo: É o conjunto de transformações que as substâncias químicas sofrem no interior dos organismos vivos. São essas reações que permitem a uma célula ou um sistema transformar os alimentos em energia, que será ultilizada pelas células para que as mesmas se multipliquem, cresçam e movimentem-se. O metabolismo divide-se em duas etapas: catabolismo e anabolismo.
7 Sobrepeso: Peso acima do normal, índice de massa corporal entre 25 e 29,9.
8 Randomizado: Ensaios clínicos comparativos randomizados são considerados o melhor delineamento experimental para avaliar questões relacionadas a tratamento e prevenção. Classicamente, são definidos como experimentos médicos projetados para determinar qual de duas ou mais intervenções é a mais eficaz mediante a alocação aleatória, isto é, randomizada, dos pacientes aos diferentes grupos de estudo. Em geral, um dos grupos é considerado controle – o que algumas vezes pode ser ausência de tratamento, placebo, ou mais frequentemente, um tratamento de eficácia reconhecida. Recursos estatísticos são disponíveis para validar conclusões e maximizar a chance de identificar o melhor tratamento. Esses modelos são chamados de estudos de superioridade, cujo objetivo é determinar se um tratamento em investigação é superior ao agente comparativo.
9 Rádio:
10 Índice de massa corporal: Medida usada para avaliar se uma pessoa está abaixo do peso, com peso normal, com sobrepeso ou obesa. É a medida mais usada na prática para saber se você é considerado obeso ou não. Também conhecido como IMC. É calculado dividindo-se o peso corporal em quilogramas pelo quadrado da altura em metros. Existe uma tabela da Organização Mundial de Saúde que classifica as medidas de acordo com o resultado encontrado.
11 Ressonância magnética: Exame que fornece imagens em alta definição dos órgãos internos do corpo através da utilização de um campo magnético.
12 Obesidade: Condição em que há acúmulo de gorduras no organismo além do normal, mais severo que o sobrepeso. O índice de massa corporal é igual ou maior que 30.
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