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Isolamento de casos de COVID-19: estudo revela que os pacientes são geralmente mais infecciosos dois dias antes do início dos sintomas e cinco dias depois

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Os períodos de isolamento devem ser mais curtos para pessoas com Covid-19? Pessoas com Covid-19, a doença causada pelo coronavírus, são mais infecciosas cerca de dois dias antes do início dos sintomas1 e por cinco dias depois, de acordo com uma nova análise de pesquisas anteriores.

Alguns pacientes que estão extremamente doentes ou têm sistema imunológico2 debilitado podem expelir – ou “eliminar” – o vírus3 por até 20 dias, sugeriram outros estudos. Mesmo em casos leves, alguns pacientes podem espalhar o vírus3 vivo por cerca de uma semana, descobriu a nova análise.

Os dados acumulados apresentam um dilema: as autoridades de saúde4 pública devem encurtar o tempo de isolamento recomendado se isso significar que mais pessoas infectadas irão cooperar? Ou as autoridades deveriam optar por períodos mais longos a fim de evitar a transmissão em praticamente todos os casos, mesmo que isso prejudique mais a economia?

O CDC (Centers for Disease Control and Prevention) dos Estados Unidos recomenda que as pessoas infectadas se isolem por um período mínimo de 10 dias a partir do início da doença. A agência está considerando encurtar o período de isolamento recomendado e pode emitir novas diretrizes em breve, de acordo com duas autoridades federais com conhecimento das discussões.

A nova revisão sistemática e metanálise, publicada no The Lancet Microbe, analisou a dinâmica da carga viral, a duração da eliminação viral e a infecciosidade dos coronavírus SARS-CoV-2, SARS-CoV e MERS-CoV.

Leia sobre "Dinâmica temporal na excreção viral e transmissibilidade da COVID-19" e "Orientações para isolamento domiciliar de casos de COVID-19".

A cinética5 da carga viral e a duração da eliminação do vírus3 são determinantes importantes para a transmissão da doença. O objetivo do estudo foi caracterizar a dinâmica da carga viral, a duração da eliminação do RNA viral e a eliminação do vírus3 viável do coronavírus 2 da síndrome6 respiratória aguda grave (SARS-CoV-2) em vários fluidos corporais e comparar a dinâmica viral de SARS-CoV-2, SARS-CoV e coronavírus da síndrome6 respiratória do Oriente Médio (MERS-CoV).

Nesta revisão sistemática e metanálise, foram pesquisados bancos de dados, incluindo MEDLINE, Embase, Europe PubMed Central, medRxiv e bioRxiv, e a literatura cinzenta, para artigos de pesquisa publicados entre 1º de janeiro de 2003 e 6 de junho de 2020.

Foram incluídos séries de casos (com cinco ou mais participantes), estudos de coorte7 e ensaios clínicos8 randomizados que relataram infecção9 por SARS-CoV-2, SARS-CoV ou MERS-CoV e relataram cinética5 de carga viral, duração da eliminação viral ou vírus3 viável. Dois autores extraíram independentemente os dados de estudos publicados, ou contataram os autores para solicitar dados, e avaliaram a qualidade do estudo e o risco de viés usando as ferramentas da lista de verificação de avaliação crítica do Joanna Briggs Institute.

Calculou-se a duração média da eliminação viral e ICs de 95% para cada estudo incluído e aplicou-se o modelo de efeitos aleatórios para estimar o tamanho do efeito agrupado. Usou-se uma meta-regressão ponderada com um modelo de máxima verossimilhança irrestrito para avaliar o efeito de moderadores potenciais no tamanho do efeito combinado.

Foram incluídos 79 estudos (5.340 indivíduos) sobre SARS-CoV-2, oito estudos (1.858 indivíduos) sobre SARS-CoV e 11 estudos (799 indivíduos) sobre MERS-CoV.

A duração média da liberação do RNA do SARS-CoV-2 foi de 17,0 dias (IC 95% 15,5–18,6; 43 estudos, 3.229 indivíduos) no trato respiratório superior, 14,6 dias (9,3–20,0; sete estudos, 260 indivíduos) no trato respiratório inferior, 17,2 dias (14,4–20,1; 13 estudos, 586 indivíduos) nas fezes e 16,6 dias (3,6–29,7; dois estudos, 108 indivíduos) em amostras de soro10.

A duração máxima da eliminação foi de 83 dias no trato respiratório superior, 59 dias no trato respiratório inferior, 126 dias nas fezes e 60 dias no soro10. A duração média da eliminação do SARS-CoV-2 foi positivamente associada com a idade (declive 0,304 [IC 95% 0,115–0,493]; p = 0,0016).

Nenhum estudo detectou vírus3 vivo após o dia 9 da doença, apesar das cargas virais persistentemente altas, que foram inferidas dos valores de limiar do ciclo. A carga viral do SARS-CoV-2 no trato respiratório superior pareceu atingir o pico na primeira semana da doença, enquanto a do SARS-CoV atingiu o pico nos dias 10–14 e a do MERS-CoV nos dias 7–10.

Embora a eliminação do RNA do SARS-CoV-2 em amostras respiratórias e de fezes possa ser prolongada, a duração do vírus3 viável é relativamente curta. As concentrações de SARS-CoV-2 no trato respiratório superior atingem o pico na primeira semana da doença.

A detecção precoce de casos e o isolamento, e a educação pública sobre o espectro da doença e o período de infecção9 são a chave para a contenção eficaz do SARS-CoV-2.

Veja também sobre "Tempo de permanência do coronavírus nas superfícies" e "Como o coronavírus entra no tecido11 respiratório e explora as defesas".

 

Fontes:
The Lancet Microbe, publicação em 19 de novembro de 2020.
The New York Times, notícia publicada em 29 de novembro de 2020.

 

NEWS.MED.BR, 2020. Isolamento de casos de COVID-19: estudo revela que os pacientes são geralmente mais infecciosos dois dias antes do início dos sintomas e cinco dias depois. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1383888/isolamento-de-casos-de-covid-19-estudo-revela-que-os-pacientes-sao-geralmente-mais-infecciosos-dois-dias-antes-do-inicio-dos-sintomas-e-cinco-dias-depois.htm>. Acesso em: 16 out. 2021.

Complementos

1 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
2 Sistema imunológico: Sistema de defesa do organismo contra infecções e outros ataques de micro-organismos que enfraquecem o nosso corpo.
3 Vírus: Pequeno microorganismo capaz de infectar uma célula de um organismo superior e replicar-se utilizando os elementos celulares do hospedeiro. São capazes de causar múltiplas doenças, desde um resfriado comum até a AIDS.
4 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
5 Cinética: Ramo da física que trata da ação das forças nas mudanças de movimento dos corpos.
6 Síndrome: Conjunto de sinais e sintomas que se encontram associados a uma entidade conhecida ou não.
7 Estudos de coorte: Um estudo de coorte é realizado para verificar se indivíduos expostos a um determinado fator apresentam, em relação aos indivíduos não expostos, uma maior propensão a desenvolver uma determinada doença. Um estudo de coorte é constituído, em seu início, de um grupo de indivíduos, denominada coorte, em que todos estão livres da doença sob investigação. Os indivíduos dessa coorte são classificados em expostos e não-expostos ao fator de interesse, obtendo-se assim dois grupos (ou duas coortes de comparação). Essas coortes serão observadas por um período de tempo, verificando-se quais indivíduos desenvolvem a doença em questão. Os indivíduos expostos e não-expostos devem ser comparáveis, ou seja, semelhantes quanto aos demais fatores, que não o de interesse, para que as conclusões obtidas sejam confiáveis.
8 Ensaios clínicos: Há três fases diferentes em um ensaio clínico. A Fase 1 é o primeiro teste de um tratamento em seres humanos para determinar se ele é seguro. A Fase 2 concentra-se em saber se um tratamento é eficaz. E a Fase 3 é o teste final antes da aprovação para determinar se o tratamento tem vantagens sobre os tratamentos padrões disponíveis.
9 Infecção: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
10 Soro: Chama-se assim qualquer líquido de características cristalinas e incolor.
11 Tecido: Conjunto de células de características semelhantes, organizadas em estruturas complexas para cumprir uma determinada função. Exemplo de tecido: o tecido ósseo encontra-se formado por osteócitos dispostos em uma matriz mineral para cumprir funções de sustentação.
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