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Estudo de mais de 60 mil casos de COVID-19 encontrou associações bidirecionais entre COVID-19 e transtorno psiquiátrico

quinta-feira, 3 de dezembro de 2020
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Estudo de mais de 60 mil casos de COVID-19 encontrou associações bidirecionais entre COVID-19 e transtorno psiquiátrico

As consequências adversas da COVID-19 para a saúde mental, incluindo ansiedade e depressão, foram amplamente previstas, mas ainda não foram medidas com precisão. Existem vários fatores de risco para a saúde física da COVID-19, mas não se sabe se também existem fatores de risco psiquiátricos.

Publicado pelo The Lancet Psychiatry, estudo de coorte de rede de registros eletrônicos de saúde usando dados de 69 milhões de indivíduos, 62.354 dos quais tinham um diagnóstico de COVID-19, avaliou-se um diagnóstico de COVID-19 (em comparação com outros eventos de saúde) estava associado a taxas aumentadas de diagnósticos psiquiátricos, e se os pacientes com história de doença psiquiátrica correm maior risco de serem diagnosticados com COVID-19.

Leia sobre "SARS-CoV-2 prejudica a viabilidade neuronal", "Transtorno de ansiedade generalizada" e "Depressão maior".

Foi utilizada a TriNetX Analytics Network, uma rede federada global que captura dados anônimos de registros eletrônicos de saúde em 54 organizações de saúde nos EUA, totalizando 69,8 milhões de pacientes. O TriNetX incluiu 62.354 pacientes com diagnóstico de COVID-19 entre 20 de janeiro e 1º de agosto de 2020.

Foram criadas coortes de pacientes que foram diagnosticados com COVID-19 ou uma série de outros eventos de saúde. Usou-se a correspondência do escore de propensão para controlar a confusão por fatores de risco para COVID-19 e para a gravidade da doença. Mediu-se a incidência e as razões de risco (HRs) para transtornos psiquiátricos, demência e insônia, durante os primeiros 14 a 90 dias após o diagnóstico de COVID-19.

Em pacientes sem história psiquiátrica anterior, um diagnóstico de COVID-19 foi associado ao aumento da incidência de um primeiro diagnóstico psiquiátrico nos 14 a 90 dias seguintes em comparação com seis outros eventos de saúde:

  • HR 2,1; IC 95% 1,8–2,5 vs influenza;
  • HR 1,7; 1,5–1,9 vs outras infecções do trato respiratório;
  • HR 1,6; 1,4–1,9 vs infecção da pele;
  • HR 1,6; 1,3–1,9 vs colelitíase;
  • HR 2,2; 1,9–2,6 vs urolitíase, e
  • HR 2,1; 1,9–2,5 vs fratura de um grande osso; todos p <0,0001.

A HR foi maior para transtornos de ansiedade, insônia e demência. Observou-se achados semelhantes, embora com HRs menores, quando foram medidos recaídas e novos diagnósticos.

A incidência de qualquer diagnóstico psiquiátrico nos 14 a 90 dias após o diagnóstico de COVID-19 foi de 18,1% (IC de 95% 17,6-18,6), incluindo 5,8% (5,2-6,4) que foram um primeiro diagnóstico.

A incidência de um primeiro diagnóstico de demência nos 14 a 90 dias após o diagnóstico de COVID-19 foi de 1,6% (IC de 95% 1,2–2,1) em pessoas com mais de 65 anos.

Um diagnóstico psiquiátrico no ano anterior foi associado a uma maior incidência de diagnóstico de COVID-19 (risco relativo 1,65, IC 95% 1,59–1,71; p <0,0001). Este risco foi independente dos fatores de risco para a saúde física conhecidos para COVID-19, mas não se pode excluir uma possível confusão residual por fatores socioeconômicos.

Pode-se interpretar do estudo que sobreviventes de COVID-19 parecem estar em risco aumentado de sequelas psiquiátricas, e um diagnóstico psiquiátrico pode ser um fator de risco independente para COVID-19. Embora preliminares, os resultados têm implicações para os serviços clínicos, e estudos de coorte prospectivos são necessários.

Veja também sobre "Manifestações neurológicas da COVID-19", "Demência" e "Saúde mental".

 

Fonte: The Lancet Psychiatry, publicação em 09 de novembro de 2020.

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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