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Receptores de transplante de órgãos sólidos apresentam taxas elevadas de vários tipos raros de câncer

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Receptores de transplante de órgãos sólidos (RTOSs) imunossuprimidos apresentam taxas elevadas de certos tipos raros de câncer1 causados ​​por vírus2. A avaliação do risco de cânceres raros entre os RTOSs pode fornecer pistas etiológicas para cânceres adicionais ligados à imunidade3 deficiente e a infecções4 virais.

Leia sobre "Câncer1 - informações importantes", "Transplante de órgãos" e "Infecções4 oportunistas".

Foi realizado um estudo de coorte5, publicado no Journal of the National Cancer1 Institute, de 262.455 RTOSs (1987-2014) do registro de RTOS dos EUA vinculados a 17 registros de câncer1 de base populacional.

Os primeiros cânceres em RTOSs foram categorizados usando um esquema de classificação estabelecido com base no local e na histologia. As taxas de incidência6 padronizadas (TIPs) compararam o risco em RTOSs com a população em geral. Usou-se a regressão de Poisson para calcular as taxas de incidência6 de acordo com as características do RTOS relacionadas ao sistema imunológico7, incluindo o tempo desde o transplante (ou seja, a duração da imunossupressão8). Todos os testes estatísticos foram bilaterais.

Examinou-se 694 subtipos distintos de câncer1, com 33 manifestando TIPs estatisticamente significativamente elevadas (Bonferroni P <7,2 × 10–5). Todos os 33 são raros (incidência6 <6 por 100.000 pessoas-ano) e vários têm etiologia9 viral conhecida (por exemplo, carcinoma10 de células11 de Merkel: TIP = 24,7, intervalo de confiança [IC] de 95% = 20,8 a 29,1).

Os cânceres adicionais que aumentaram incluem carcinomas de células11 escamosas de lábio12 (intervalo da TIP = 18,3-19,8), olho13 e anexos14 (TIP = 13,8, IC de 95% = 7,9 a 22,3), glândula15 salivar (TIP = 9,3, IC de 95% = 6,1 a 13,5), e cavidade nasal16 e seios17 da face18 (TIP = 4,5, IC 95% = 2,8 a 6,8); adenocarcinoma19 sebáceo (TIP = 34,3, IC 95% = 26,3 a 44,0); histiocitoma fibroso maligno (15,4); e subtipos de câncer1 de bexiga20, rim21, pulmão22 e cólon23 (intervalo da TIP = 3,2-13,3).

A incidência6 de vários cânceres aumentou ao longo do tempo desde o transplante (Ptrend <0,05), incluindo carcinomas de células11 escamosas do lábio12, da glândula15 salivar e de locais anogenitais.

Os receptores de transplante de órgãos sólidos apresentam taxas elevadas de vários tipos raros de câncer1. Como alguns desses cânceres exibem comportamento agressivo com resultados ruins, é importante caracterizar melhor o papel da imunidade3 e o envolvimento potencial de vírus2 oncogênicos para melhorar a prevenção e o tratamento.

Veja também sobre "É possível acabar com o câncer1?", "O que são vírus2" e "Imunoterapia".

 

Fonte: JNCI, publicação em 27 de maio de 2020.

 

NEWS.MED.BR, 2020. Receptores de transplante de órgãos sólidos apresentam taxas elevadas de vários tipos raros de câncer. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1381683/receptores-de-transplante-de-orgaos-solidos-apresentam-taxas-elevadas-de-varios-tipos-raros-de-cancer.htm>. Acesso em: 5 dez. 2020.

Complementos

1 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
2 Vírus: Pequeno microorganismo capaz de infectar uma célula de um organismo superior e replicar-se utilizando os elementos celulares do hospedeiro. São capazes de causar múltiplas doenças, desde um resfriado comum até a AIDS.
3 Imunidade: Capacidade que um indivíduo tem de defender-se perante uma agressão bacteriana, viral ou perante qualquer tecido anormal (tumores, enxertos, etc.).
4 Infecções: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
5 Estudo de coorte: Um estudo de coorte é realizado para verificar se indivíduos expostos a um determinado fator apresentam, em relação aos indivíduos não expostos, uma maior propensão a desenvolver uma determinada doença. Um estudo de coorte é constituído, em seu início, de um grupo de indivíduos, denominada coorte, em que todos estão livres da doença sob investigação. Os indivíduos dessa coorte são classificados em expostos e não-expostos ao fator de interesse, obtendo-se assim dois grupos (ou duas coortes de comparação). Essas coortes serão observadas por um período de tempo, verificando-se quais indivíduos desenvolvem a doença em questão. Os indivíduos expostos e não-expostos devem ser comparáveis, ou seja, semelhantes quanto aos demais fatores, que não o de interesse, para que as conclusões obtidas sejam confiáveis.
6 Incidência: Medida da freqüência em que uma doença ocorre. Número de casos novos de uma doença em um certo grupo de pessoas por um certo período de tempo.
7 Sistema imunológico: Sistema de defesa do organismo contra infecções e outros ataques de micro-organismos que enfraquecem o nosso corpo.
8 Imunossupressão: Supressão das reações imunitárias do organismo, induzida por medicamentos (corticosteroides, ciclosporina A, etc.) ou agentes imunoterápicos (anticorpos monoclonais, por exemplo); que é utilizada em alergias, doenças autoimunes, etc. A imunossupressão é impropriamente tomada por alguns como sinônimo de imunodepressão.
9 Etiologia: 1. Ramo do conhecimento cujo objeto é a pesquisa e a determinação das causas e origens de um determinado fenômeno. 2. Estudo das causas das doenças.
10 Carcinoma: Tumor maligno ou câncer, derivado do tecido epitelial.
11 Células: Unidades (ou subunidades) funcionais e estruturais fundamentais dos organismos vivos. São compostas de CITOPLASMA (com várias ORGANELAS) e limitadas por uma MEMBRANA CELULAR.
12 Lábio: Cada uma das duas margens carnudas e altamente irrigadas da boca.
13 Olho: s. m. (fr. oeil; ing. eye). Órgão da visão, constituído pelo globo ocular (V. este termo) e pelos diversos meios que este encerra. Está situado na órbita e ligado ao cérebro pelo nervo óptico. V. ocular, oftalm-. Sinônimos: Olhos
14 Anexos: 1. Que se anexa ou anexou, apenso. 2. Contíguo, adjacente, correlacionado. 3. Coisa ou parte que está ligada a outra considerada como principal. 4. Em anatomia geral, parte acessória de um órgão ou de uma estrutura principal. 5. Em informática, arquivo anexado a uma mensagem eletrônica.
15 Glândula: Estrutura do organismo especializada na produção de substâncias que podem ser lançadas na corrente sangüínea (glândulas endócrinas) ou em uma superfície mucosa ou cutânea (glândulas exócrinas). A saliva, o suor, o muco, são exemplos de produtos de glândulas exócrinas. Os hormônios da tireóide, a insulina e os estrógenos são de secreção endócrina.
16 Cavidade Nasal: Porção proximal da passagem respiratória em cada lado do septo nasal, revestida por uma mucosa ciliada extendendo-se das narinas até a faringe.
17 Seios: Em humanos, uma das regiões pareadas na porção anterior do TÓRAX. As mamas consistem das GLÂNDULAS MAMÁRIAS, PELE, MÚSCULOS, TECIDO ADIPOSO e os TECIDOS CONJUNTIVOS.
18 Face: Parte anterior da cabeça que inclui a pele, os músculos e as estruturas da fronte, olhos, nariz, boca, bochechas e mandíbula.
19 Adenocarcinoma: É um câncer (neoplasia maligna) que se origina em tecido glandular. O termo adenocarcinoma é derivado de “adeno”, que significa “pertencente a uma glândula” e “carcinoma”, que descreve um câncer que se desenvolveu em células epiteliais.
20 Bexiga: Órgão cavitário, situado na cavidade pélvica, no qual é armazenada a urina, que é produzida pelos rins. É uma víscera oca caracterizada por sua distensibilidade. Tem a forma de pêra quando está vazia e a forma de bola quando está cheia.
21 Rim: Os rins são órgãos em forma de feijão que filtram o sangue e formam a urina. Os rins são localizados na região posterior do abdômen, um de cada lado da coluna vertebral.
22 Pulmão: Cada um dos órgãos pareados que ocupam a cavidade torácica que tem como função a oxigenação do sangue.
23 Cólon:
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