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A curta expectativa de vida reprodutiva foi associada a um risco aumentado de eventos cardiovasculares não fatais em mulheres de meia-idade

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A menarca1 precoce e a menopausa2 precoce estão associadas ao aumento do risco de doença cardiovascular (DCV) na meia-idade, mas pouco se sabe sobre a associação entre a expectativa de vida3 reprodutiva e o risco de DCV.

O objetivo desse estudo, publicado no JAMA Cardiology, foi investigar a associação entre o tempo de vida reprodutiva e o risco de eventos cardiovasculares incidentes4, considerando ao mesmo tempo o momento da menarca1 e da menopausa2.

Os dados de nível individual foram agrupados a partir de 12 estudos participantes do consórcio de Colaboração Internacional para uma Abordagem do Curso de Vida para Saúde5 Reprodutiva e Eventos de Doenças Crônicas. As mulheres forneceram informações completas sobre o momento da menarca1 e menopausa2, eventos cardiovasculares não fatais e covariáveis.

Saiba mais sobre "Doenças cardiovasculares6", "Menarca1" e "Menopausa2 precoce e menopausa2 tardia".

Modelos de riscos proporcionais de Cox foram usados ​​para estimar as razões de risco e ICs de 95%, ajustados para covariáveis. A associação entre expectativa de vida3 reprodutiva e DCV foi ajustada para idade na menarca1 e idade na menopausa2 separadamente. A análise começou em março de 2018 e terminou em dezembro de 2019.

A expectativa de vida3 reprodutiva foi calculada subtraindo a idade da menarca1 da idade da menopausa2 e categorizada como mais jovem que 30, 30 a 32, 33 a 35, 36 a 38 (grupo de referência), 39 a 41, 42 a 44 e 45 anos ou mais.

O principal resultado foi o primeiro evento de DCV não fatal, incluindo doença coronariana7 e acidente vascular cerebral8.

Um total de 307.855 mulheres foram incluídas. No geral, as idades médias (DP) na menarca1, na menopausa2 e a expectativa de vida3 reprodutiva foram 13,0 (1,5) anos, 50,2 (4,4) anos e 37,2 (4,6) anos, respectivamente.

As análises agrupadas mostraram que as mulheres com uma vida reprodutiva muito curta (<30 anos) tinham um risco 1,71 (IC 95%, 1,58-1,84) vezes maior de eventos cardiovasculares incidentes4 do que mulheres com uma vida reprodutiva de 36 a 38 anos após o ajuste para covariáveis.

Essa associação permaneceu inalterada quando ajustada para a idade na menarca1, mas foi atenuada para 1,26 (IC 95%, 1,09-1,46) quando ajustada para a idade na menopausa2.

Houve uma interação significativa entre a expectativa de vida3 reprodutiva e a idade da menarca1 associadas ao risco de DCV (P <0,001). Mulheres que tiveram tanto vida reprodutiva curta (<33 anos) quanto menarca1 precoce (idade ≤11 anos) tiveram o maior risco de DCV (razão de risco, 2,06; IC 95%, 1,76-2,41) em comparação com aquelas com vida reprodutiva de 36 a 38 anos e menarca1 aos 13 anos.

A curta expectativa de vida3 reprodutiva foi associada a um risco aumentado de eventos cardiovasculares não fatais na meia-idade, e o risco foi significativamente maior para mulheres com idade precoce na menarca1. Essas descobertas destacam a expectativa de vida3 reprodutiva como um marcador potencial do risco das mulheres de eventos cardiovasculares na meia-idade.

Leia sobre "Sinais9 de doenças cardíacas em mulheres" e "Climatério10 e menopausa2".

 

Fonte: JAMA Cardiology, publicação em 16 de setembro de 2020.

 

NEWS.MED.BR, 2020. A curta expectativa de vida reprodutiva foi associada a um risco aumentado de eventos cardiovasculares não fatais em mulheres de meia-idade. Disponvel em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1379093/a-curta-expectativa-de-vida-reprodutiva-foi-associada-a-um-risco-aumentado-de-eventos-cardiovasculares-nao-fatais-em-mulheres-de-meia-idade.htm>. Acesso em: 25 out. 2020.

Complementos

1 Menarca: Refere-se à ocorrência da primeira menstruação.
2 Menopausa: Estado fisiológico caracterizado pela interrupção dos ciclos menstruais normais, acompanhada de alterações hormonais em mulheres após os 45 anos.
3 Expectativa de vida: A expectativa de vida ao nascer é o número de anos que se calcula que um recém-nascido pode viver caso as taxas de mortalidade registradas da população residente, no ano de seu nascimento, permaneçam as mesmas ao longo de sua vida.
4 Incidentes: 1. Que incide, que sobrevém ou que tem caráter secundário; incidental. 2. Acontecimento imprevisível que modifica o desenrolar normal de uma ação. 3. Dificuldade passageira que não modifica o desenrolar de uma operação, de uma linha de conduta.
5 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
6 Doenças cardiovasculares: Doença do coração e vasos sangüíneos (artérias, veias e capilares).
7 Doença coronariana: Doença do coração causada por estreitamento das artérias que fornecem sangue ao coração. Se o fluxo é cortado, o resultado é um ataque cardíaco.
8 Acidente vascular cerebral: Conhecido popularmente como derrame cerebral, o acidente vascular cerebral (AVC) ou encefálico é uma doença que consiste na interrupção súbita do suprimento de sangue com oxigênio e nutrientes para o cérebro, lesando células nervosas, o que pode resultar em graves conseqüências, como inabilidade para falar ou mover partes do corpo. Há dois tipos de derrame, o isquêmico e o hemorrágico.
9 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
10 Climatério: Conjunto de mudanças adaptativas que são produzidas na mulher como conseqüência do declínio da função ovariana na menopausa. Consiste em aumento de peso, calores freqüentes, alterações da distribuição dos pêlos corporais, dispareunia.
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