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COVID-19 e coágulos sanguíneos: níveis elevados do fator V de coagulação do sangue foram associados a resultados piores na COVID-19 grave

sexta-feira, 18 de setembro de 2020
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COVID-19 e coágulos sanguíneos: níveis elevados do fator V de coagulação do sangue foram associados a resultados piores na COVID-19 grave

Pacientes hospitalizados com infecções graves por COVID-19 que têm níveis elevados da proteína de coagulação do sangue fator V estão em risco elevado de lesões graves por coágulos sanguíneos, como trombose venosa profunda ou embolia pulmonar, de acordo com um novo estudo realizado por pesquisadores da Harvard Medical School no Massachusetts General Hospital.

Por outro lado, os pacientes criticamente enfermos com COVID-19 e baixos níveis de fator V parecem estar em maior risco de morte por uma forma de coagulopatia que se assemelha à coagulação intravascular disseminada (CID) – uma anormalidade devastadora, muitas vezes fatal, na qual coágulos de sangue formam-se em pequenos vasos por todo o corpo, levando à exaustão dos fatores de coagulação e das proteínas que controlam a coagulação.

Essas descobertas, com base em estudos de pacientes com COVID-19 em unidades de terapia intensiva do Mass General, apontam para distúrbios na atividade do fator V como uma causa potencial de distúrbios de coagulação do sangue com a COVID-19 e também para métodos potenciais para identificar pacientes em risco com o objetivo de selecionar a terapia de anticoagulação adequada.

Saiba mais sobre "Como se dá a coagulação sanguínea", "Trombose venosa profunda" e "Embolia pulmonar".

Os resultados do estudo foram publicados online em 24 de agosto no American Journal of Hematology. Veja o resumo:

A coagulopatia causa morbidade e mortalidade em pacientes com Doença do Coronavírus 2019 (COVID‐19) devido à infecção pelo Coronavírus 2 da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS‐CoV‐2). No entanto, os mecanismos não são claros e os biomarcadores são limitados.

No início da pandemia, os pesquisadores observaram atividade do fator V marcadamente elevada em um paciente com COVID‐19, o que os levou a medir a atividade dos fatores V, VIII e X em uma coorte de 102 pacientes consecutivos internados com COVID‐19. Os controles contemporâneos negativos para SARS‐CoV‐2 (n = 17) e os controles pré‐pandêmicos históricos (n = 260 – 478) também foram analisados.

Esta coorte representa pacientes com COVID‐19 grave e com altas taxas de uso de ventilador, de trombose venosa profunda ou de embolia pulmonar, dentre outras complicações graves, e também alta mortalidade.

A atividade do fator V foi significativamente elevada na COVID-19 (mediana de 150 IU/dL, intervalo 34-248 IU/dL) em comparação com os controles contemporâneos (mediana de 105 IU/dL, intervalo de 22-161 IU/dL) (P <0,00001) – a associação mais forte com COVID-19 de qualquer parâmetro estudado, incluindo fator VIII, fibrinogênio e dímero-D.

Pacientes com COVID‐19 e atividade do fator V >150 IU/dL exibiram taxas significativamente maiores de TVP / EP (16/49, 33%) em comparação com aqueles com atividade do fator V ≤150 IU/dL (7/53, 13%) (P = 0,03).

Dentro desta coorte de COVID‐19 grave, a atividade do fator V está associada à carga viral de SARS‐CoV‐2 de maneira dependente do sexo. As diminuições subsequentes no fator V foram associadas à progressão para CID e mortalidade.

Juntos, esses dados revelam perturbações marcantes da atividade do fator V na COVID‐19 grave, fornecem ligações para a biologia da doença e resultados clínicos do SARS‐CoV‐2 e nomeiam um candidato a biomarcador a ser investigado para orientar a terapia de anticoagulação na COVID‐19.

Leia sobre "Trombose venosa entre pacientes gravemente doentes com COVID-19" e "Coagulação intravascular disseminada".

 

Fontes:
American Journal of Hematology, publicação em 24 de agosto de 2020.
Harvard Medical School, notícia publicada em 9 de setembro de 2020.

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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