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Efeitos do suporte por telefone e SMS nas práticas de alimentação infantil, "hora de ficar de bruços" e tempo de tela aos 6 e 12 meses de idade da criança

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Há informações limitadas sobre se o suporte por telefone ou por mensagens de texto SMS é eficaz para melhorar as práticas de alimentação infantil e a hora de ficar de bruços e reduzir o tempo de tela.

O objetivo desse estudo, publicado pelo JAMA Pediatrics, foi determinar a eficácia do suporte por telefone ou por SMS liderado por enfermeiros para melhorar as práticas de alimentação infantil e a hora de ficar de bruços e reduzir o tempo de tela.

Saiba mais sobre "Alimentação infantil". "Manual de orientação para uso de telas por crianças" e "Deixe seu filho brincas no chão".

Este estudo foi parte de um ensaio clínico randomizado1, paralelo, de 2 anos e 3 grupos, realizado de 23 de fevereiro de 2017 a 30 de novembro de 2018, entre 1.155 mulheres no terceiro trimestre de gravidez2 em New South Wales, Austrália. O estudo relata os principais resultados aos 6 e 12 meses de idade da criança. Todas as análises foram conduzidas segundo um princípio de intenção de tratar.

A intervenção consistiu em folhetos informativos encenados enviados aos grupos de intervenção, cada um seguido por uma sessão de suporte por telefone liderada por enfermeiros ou por uma intervenção por SMS, no pré-natal e em 1, 3, 5, 7 e 10 meses após o nascimento.

Os desfechos primários foram práticas de alimentação infantil aos 6 e 12 meses e a hora de ficar de bruços aos 6 meses. O desfecho secundário foi o tempo de tela aos 12 meses.

Das 1.155 mães, 947 (82%; idade média [DP], 32,5 [5,0] anos) completaram pesquisas de acompanhamento aos 6 meses; 920 mães (80%) completaram pesquisas de acompanhamento aos 12 meses.

Em comparação ao grupo controle, o suporte por telefone levou a maiores chances de um momento apropriado para a introdução de alimentos sólidos (odds ratio ajustada [AOR], 1,68 [IC 95%, 1,22-2,32]), para uso de copo (AOR, 1,54 [IC 95%, 1,12-2,13]) e início mais precoce da hora de ficar de bruços (AOR, 1,63 [IC 95%, 1,18-2,25]) aos 6 meses, e chances maiores de não ter tempo de tela (AOR, 1,80 [IC 95%, 1,28-2,53]) e não ter mamadeira na hora de dormir (AOR, 1,73 [IC 95%, 1,23-2,42]) aos 12 meses.

O uso de SMS também levou a chances mais altas do que no grupo controle de não ter tempo de tela (AOR, 1,28 [IC 95%, 1,08-1,52]) e não ter mamadeira na hora de dormir (AOR, 1,29 [IC 95%, 1,10-1,51]) aos 12 meses.

Não foram encontradas diferenças significativas nas taxas de aleitamento materno3 entre os grupos de suporte por telefone, suporte por SMS e controle.

Tanto o suporte liderado por enfermeiros por telefone quanto as intervenções por SMS foram eficazes na redução do tempo de tela e do uso de mamadeiras na hora de dormir. O suporte por telefone também foi eficaz na promoção do momento apropriado para a introdução de alimentos sólidos, o início mais precoce da hora de ficar de bruços e o uso de copo.

Leia sobre "Crescimento infantil4" e "Amamentação5".

 

Fonte: JAMA Pediatrics, publicação em 13 de abril de 2020.

 

NEWS.MED.BR, 2020. Efeitos do suporte por telefone e SMS nas práticas de alimentação infantil, "hora de ficar de bruços" e tempo de tela aos 6 e 12 meses de idade da criança. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1374388/efeitos-do-suporte-por-telefone-e-sms-nas-praticas-de-alimentacao-infantil-quot-hora-de-ficar-de-brucos-quot-e-tempo-de-tela-aos-6-e-12-meses-de-idade-da-crianca.htm>. Acesso em: 20 out. 2020.

Complementos

1 Randomizado: Ensaios clínicos comparativos randomizados são considerados o melhor delineamento experimental para avaliar questões relacionadas a tratamento e prevenção. Classicamente, são definidos como experimentos médicos projetados para determinar qual de duas ou mais intervenções é a mais eficaz mediante a alocação aleatória, isto é, randomizada, dos pacientes aos diferentes grupos de estudo. Em geral, um dos grupos é considerado controle – o que algumas vezes pode ser ausência de tratamento, placebo, ou mais frequentemente, um tratamento de eficácia reconhecida. Recursos estatísticos são disponíveis para validar conclusões e maximizar a chance de identificar o melhor tratamento. Esses modelos são chamados de estudos de superioridade, cujo objetivo é determinar se um tratamento em investigação é superior ao agente comparativo.
2 Gravidez: Condição de ter um embrião ou feto em desenvolvimento no trato reprodutivo feminino após a união de ovo e espermatozóide.
3 Aleitamento Materno: Compreende todas as formas do lactente receber leite humano ou materno e o movimento social para a promoção, proteção e apoio à esta cultura. Toda mulher após o parto tem produção de leite - lactação; mas, infelizmente nem todas amamentam.
4 Crescimento Infantil: Aumento na estrutura do corpo, tendo em vista a multiplicação e o aumento do tamanho das células. Controla-se principalmente o peso corporal, a estatura e o perímetro cefálico, com o objetivo de saber o quanto a criança ganhou ou perdeu em determinados intervalos de tempo e tendo por base um acompanhamento a longo prazo, através de anotações em gráficos ou curvas de crescimento. O pediatra precisa conhecer e analisar vários fatores referentes à criança e a sua família, como o peso e a altura dos pais, o padrão de crescimento deles, os dados da gestação, o peso e a estatura ao nascimento e a alimentação do bebê para avaliar a situação do crescimento de determinada criança. Não é simplesmente consultar gráficos. Somente o médico da criança pode avaliar seu crescimento. Uma criança pode estar fora da “faixa mais comum de referência“ e, ainda assim, ter um crescimento normal.
5 Amamentação: Ato da nutriz dar o peito e o lactente mamá-lo diretamente. É um fenômeno psico-sócio-cultural. Dar de mamar a; criar ao peito; aleitar; lactar... A amamentação é uma forma de aleitamento, mas há outras formas.
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