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JAMA: associação de declínio duplo na memória e na velocidade da marcha com risco de demência entre adultos com mais de 60 anos

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O declínio duplo na memória e na velocidade da marcha pode caracterizar um grupo de idosos com alto risco de demência1 futura.

Com o objetivo de avaliar o risco de demência1 em idosos que apresentam declínios paralelos na memória e na velocidade da marcha, em comparação com aqueles que não apresentam declínio ou declínio apenas em um desses campos, foi realizada uma metanálise de seis estudos de coorte2 prospectivos, realizados entre 1997 e 2018 nos Estados Unidos e Europa, publicado pelo periódico JAMA.

Saiba mais sobre "Demência1" e "Perda de memória".

Os participantes tinham 60 anos ou mais, tinham uma velocidade inicial de marcha superior a 0,6 m/s (ou seja, livre de desmobilidade), com medidas repetidas de memória e velocidade da marcha antes do diagnóstico3 de demência1 durante um seguimento médio de 6,6 a 14,5 anos.

Dentro de cada estudo, os participantes foram divididos em 4 grupos: apenas declínio da memória, apenas declínio da velocidade da marcha, declínio duplo ou nenhum declínio (doravante referidos como “usual agers”). O declínio da marcha foi definido como uma perda de 0,05 m/s ou mais por ano; o declínio de memória foi definido como o tercil mais baixo da mudança anualizada, específico da coorte4.

O risco de demência1 incidente5 de acordo com a participação no grupo foi examinado pela regressão proporcional dos riscos de Cox, com idade usual como referência, ajustada para idade basal, sexo, raça/etnia, nível educacional, local do estudo, memória basal e velocidade da marcha basal.

Nos 6 estudos com 8.699 participantes, a idade média variou entre 70 e 74 anos e a velocidade média da marcha entre 1,05 e 1,26 m/s. A demência1 incidente5 variou de 5 a 21 por 1.000 pessoas-ano. Comparados aos “usual agers”, os participantes com apenas declínio de memória tiveram risco 2,2 a 4,6 vezes maior de desenvolver demência1 (índice de risco combinado 3,45 [IC 95% 2,45-4,86]). Aqueles com apenas declínio da velocidade da marcha tiveram risco de 2,1 a 3,6 vezes maior (índice de risco combinado 2,24 [IC 95% 1,62-3,09]). Aqueles com declínio duplo tiveram 5,2 a 11,7 vezes o risco (índice de risco combinado 6,28 [IC 95% 4,56-8,64]).

Concluiu-se com este estudo que o declínio duplo da memória e da velocidade da marcha foi associado ao aumento do risco de desenvolvimento de demência1 entre os idosos, o que pode ser um grupo potencialmente valioso para intervenções preventivas ou terapêuticas. Deve ser investigado em estudos futuros por que o declínio duplo está associado a um risco elevado de demência1 e se esses indivíduos progridem para demência1 por meio de mecanismos específicos.

Leia sobre "Distúrbio neurocognitivo", "Como melhorar a memória" e "Como exercitar o cérebro6 todos os dias".

 

Fonte: JAMA Network, em 21 de fevereiro de 2020.

 

NEWS.MED.BR, 2020. JAMA: associação de declínio duplo na memória e na velocidade da marcha com risco de demência entre adultos com mais de 60 anos. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1361788/jama-associacao-de-declinio-duplo-na-memoria-e-na-velocidade-da-marcha-com-risco-de-demencia-entre-adultos-com-mais-de-60-anos.htm>. Acesso em: 5 jun. 2020.

Complementos

1 Demência: Deterioração irreversível e crônica das funções intelectuais de uma pessoa.
2 Estudos de coorte: Um estudo de coorte é realizado para verificar se indivíduos expostos a um determinado fator apresentam, em relação aos indivíduos não expostos, uma maior propensão a desenvolver uma determinada doença. Um estudo de coorte é constituído, em seu início, de um grupo de indivíduos, denominada coorte, em que todos estão livres da doença sob investigação. Os indivíduos dessa coorte são classificados em expostos e não-expostos ao fator de interesse, obtendo-se assim dois grupos (ou duas coortes de comparação). Essas coortes serão observadas por um período de tempo, verificando-se quais indivíduos desenvolvem a doença em questão. Os indivíduos expostos e não-expostos devem ser comparáveis, ou seja, semelhantes quanto aos demais fatores, que não o de interesse, para que as conclusões obtidas sejam confiáveis.
3 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
4 Coorte: Grupo de indivíduos que têm algo em comum ao serem reunidos e que são observados por um determinado período de tempo para que se possa avaliar o que ocorre com eles. É importante que todos os indivíduos sejam observados por todo o período de seguimento, já que informações de uma coorte incompleta podem distorcer o verdadeiro estado das coisas. Por outro lado, o período de tempo em que os indivíduos serão observados deve ser significativo na história natural da doença em questão, para que haja tempo suficiente do risco se manifestar.
5 Incidente: 1. Que incide, que sobrevém ou que tem caráter secundário; incidental. 2. Acontecimento imprevisível que modifica o desenrolar normal de uma ação. 3. Dificuldade passageira que não modifica o desenrolar de uma operação, de uma linha de conduta.
6 Cérebro: Derivado do TELENCÉFALO, o cérebro é composto dos hemisférios direito e esquerdo. Cada hemisfério contém um córtex cerebral exterior e gânglios basais subcorticais. O cérebro inclui todas as partes dentro do crânio exceto MEDULA OBLONGA, PONTE e CEREBELO. As funções cerebrais incluem as atividades sensório-motora, emocional e intelectual.
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