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Associação entre problemas comportamentais na infância e insônia na idade adulta

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Os determinantes da insônia ao longo da vida, particularmente a associação de longo prazo dos problemas comportamentais da infância com a insônia mais tarde na vida, são desconhecidos. Como os comportamentos da infância são mensuráveis e potencialmente modificáveis, a compreensão de suas associações com sintomas1 de insônia pode fornecer novas ideias sobre estratégias de intervenção precoce para reduzir o fardo.

O objetivo do presente estudo, publicado pelo JAMA Network Open, foi investigar a associação entre problemas comportamentais aos 5, 10 e 16 anos e sintomas1 de insônia autorreferidos aos 42 anos.

Saiba mais sobre "Insônia" e "Terapia cognitivo2 comportamental".

Este estudo de coorte3 utilizou dados do Estudo de Coorte3 de Nascimento do Reino Unido de 1970, um acompanhamento em larga escala em andamento. Os participantes foram acompanhados desde o nascimento (1970) até os 42 anos (2012). A análise estatística foi realizada de 1º de fevereiro a 15 de julho de 2019.

O comportamento das crianças foi classificado como normal (percentil ≤80), problemas comportamentais moderados (percentil >80 a ≤95) e problemas comportamentais graves (percentil >95) com base na pontuação da Rutter Behavioral Scale (RBS).

As dificuldades autorrelatadas para iniciar ou manter o sono (DIMS) foram coletadas usando um questionário autoaplicável aos 42 anos de idade. A regressão logística log-binomial, ajustada para vários fatores de confusão em potencial, foi usada para estimar a associação de problemas comportamentais na infância com sintomas1 de insônia na idade adulta. Análises de sensibilidade foram realizadas para verificar a robustez dos achados.

Os participantes foram acompanhados a partir de uma idade inicial de 5 anos (n = 8.050; 3.854 meninos e 4.196 meninas), 10 anos (n = 9.090; 4.365 meninos e 4.725 meninas) ou 16 anos (n = 7.653; 3.575 meninos e 4.078 meninas) até a idade de 42 anos.

Houve um risco 39% maior de DIMS (odds ratio [OR], 1,39; IC 95% 1,04-1,84; P = 0,06 para tendência) para participantes com problemas comportamentais graves aos 5 anos de idade em comparação com aqueles com uma pontuação normal na RBS. As chances de DIMS Plus (DIMS mais não se sentir descansado ao acordar) em participantes com problemas comportamentais graves aos 5 anos de idade foram 29% maiores (odds ratio 1,29; IC 95% 0,97-1,70; P = 0,14 para tendência) do que em participantes com um escore RBS normal, embora esse resultado não tenha sido estatisticamente significativo.

Problemas comportamentais moderados e graves aos 16 anos de idade foram associados positivamente com DIMS (moderado: OR 1,28; IC 95% 1,07-1,52; grave: OR 1,67; IC 95% 1,22-2,30; P < 0,001 para tendência) e DIMS plus (moderado: OR, 1,32; IC 95%, 1,11-1,56; grave: OR, 1,47; IC 95%, 1,09-1,98; P <0,001 para tendência). Externalizar problemas comportamentais aos 5 e 10 anos de idade associou-se positivamente aos sintomas1 de insônia aos 42 anos de idade.

Os resultados mostram que houve um risco aumentado de sintomas1 de insônia autorrelatados aos 42 anos de idade entre aqueles que tiveram problemas comportamentais moderados e graves durante a infância, em comparação com aqueles sem problemas comportamentais durante a infância.

Este estudo é o primeiro a mostrar associações de problemas comportamentais no início da vida, particularmente problemas de externalização de problemas comportamentais no início e no meio da infância, com sintomas1 de insônia na idade adulta. Essas descobertas sublinham a importância de abordar a insônia na perspectiva do curso da vida e considerar os benefícios da intervenção comportamental precoce para a saúde4 do sono.

Leia também sobre "Como dormir melhor", "Distúrbios do sono", "Parassonias" e "Higiene do sono".

 

Fonte: JAMA Network Open, publicação em 06 de setembro de 2019.

 

NEWS.MED.BR, 2019. Associação entre problemas comportamentais na infância e insônia na idade adulta. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1346008/associacao-entre-problemas-comportamentais-na-infancia-e-insonia-na-idade-adulta.htm>. Acesso em: 20 out. 2019.

Complementos

1 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
2 Cognitivo: 1. Relativo ao conhecimento, à cognição. 2. Relativo ao processo mental de percepção, memória, juízo e/ou raciocínio. 3. Diz-se de estados e processos relativos à identificação de um saber dedutível e à resolução de tarefas e problemas determinados. 4. Diz-se dos princípios classificatórios derivados de constatações, percepções e/ou ações que norteiam a passagem das representações simbólicas à experiência, e também da organização hierárquica e da utilização no pensamento e linguagem daqueles mesmos princípios.
3 Estudo de coorte: Um estudo de coorte é realizado para verificar se indivíduos expostos a um determinado fator apresentam, em relação aos indivíduos não expostos, uma maior propensão a desenvolver uma determinada doença. Um estudo de coorte é constituído, em seu início, de um grupo de indivíduos, denominada coorte, em que todos estão livres da doença sob investigação. Os indivíduos dessa coorte são classificados em expostos e não-expostos ao fator de interesse, obtendo-se assim dois grupos (ou duas coortes de comparação). Essas coortes serão observadas por um período de tempo, verificando-se quais indivíduos desenvolvem a doença em questão. Os indivíduos expostos e não-expostos devem ser comparáveis, ou seja, semelhantes quanto aos demais fatores, que não o de interesse, para que as conclusões obtidas sejam confiáveis.
4 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
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