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NEJM: liraglutide associado à metformina ajuda no controle glicêmico em crianças e adolescentes com diabetes tipo 2

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A metformina1 é o tratamento aprovado por regulamentação e de escolha para a maioria dos jovens com diabetes2 tipo 2 no início da doença. No entanto, a perda precoce do controle glicêmico foi observada com a monoterapia com a metformina1. Ainda não se sabe se o tratamento com liraglutide adicionado à metformina1 (com ou sem tratamento com insulina3 basal) é seguro e eficaz em jovens com diabetes tipo 24.

Para avaliar tal associação de medicamentos para jovens, foi realizado um ensaio clínico, conhecido como Ellipse Trial, publicado pelo The New England Journal of Medicine (NEJM).

Saiba mais sobre "Diabetes Mellitus5" e "Comportamento da glicemia6".

Pacientes entre 10 e 17 anos de idade foram aleatoriamente designados, em uma proporção de 1:1, para receber liraglutide subcutâneo7 (até 1,8 mg por dia) ou placebo8 por um período duplo-cego de 26 semanas, seguido por um período de prorrogação de 26 semanas em aberto. Os critérios de inclusão foram um índice de massa corporal9 maior que o percentil 85 e um nível de hemoglobina glicada10 entre 7,0 e 11,0% se os pacientes estivessem sendo tratados com dieta e exercícios apenas ou entre 6,5 e 11,0% se estivessem sendo tratados com metformina1 (com ou sem insulina3).

Todos os pacientes receberam metformina1 durante o estudo. O desfecho primário foi a mudança da linha basal no nível de hemoglobina glicada10 após 26 semanas. Os desfechos secundários incluíram a mudança no nível de glicose11 plasmática em jejum. A segurança foi avaliada ao longo do período do estudo.

Dos 135 pacientes randomizados, 134 receberam pelo menos uma dose de liraglutide (66 pacientes) ou placebo8 (68 pacientes). As características demográficas foram semelhantes nos dois grupos (idade média de 14,6 anos). Na análise de 26 semanas do desfecho primário de eficácia, o nível médio de hemoglobina glicada10 diminuiu 0,64 pontos percentuais com o liraglutide e aumentou 0,42 pontos percentuais com o placebo8, para uma diferença de tratamento estimada de -1,06 pontos percentuais (P<0,001); a diferença aumentou para -1,30 pontos percentuais em 52 semanas.

O nível de glicose11 plasmática em jejum diminuiu em ambos os momentos no grupo liraglutide, mas aumentou no grupo placebo8. O número de pacientes que relataram eventos adversos foi semelhante nos dois grupos (56 [84,8%] com o liraglutide e 55 [80,9%] com placebo8), mas as taxas globais de eventos adversos e eventos adversos gastrointestinais foram maiores com o liraglutide.

As conclusões mostram que em crianças e adolescentes com diabetes2 tipo 2, o liraglutide, numa dose de até 1,8 mg por dia (adicionado à metformina1, com ou sem insulina3 basal), foi eficaz na melhoria do controle glicêmico ao longo de 52 semanas. Esta eficácia veio ao custo de um aumento da frequência de eventos adversos gastrointestinais.

O ensaio clínico Ellipse Trial foi financiado pela Novo Nordisk.

Veja sobre "O papel da insulina3 no corpo", "Atitudes saudáveis para evitar o diabetes2" e "Cálculo12 do IMC13".

 

Fonte: The New England Journal of Medicine (NEJM), volume 381, número 7, em 15 de agosto de 2019.

 

NEWS.MED.BR, 2019. NEJM: liraglutide associado à metformina ajuda no controle glicêmico em crianças e adolescentes com diabetes tipo 2. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1343478/nejm-liraglutide-associado-a-metformina-ajuda-no-controle-glicemico-em-criancas-e-adolescentes-com-diabetes-tipo-2.htm>. Acesso em: 6 dez. 2019.

Complementos

1 Metformina: Medicamento para uso oral no tratamento do diabetes tipo 2. Reduz a glicemia por reduzir a quantidade de glicose produzida pelo fígado e ajudando o corpo a responder melhor à insulina produzida pelo pâncreas. Pertence à classe das biguanidas.
2 Diabetes: Nome que designa um grupo de doenças caracterizadas por diurese excessiva. A mais frequente é o Diabetes mellitus, ainda que existam outras variantes (Diabetes insipidus) de doença nas quais o transtorno primário é a incapacidade dos rins de concentrar a urina.
3 Insulina: Hormônio que ajuda o organismo a usar glicose como energia. As células-beta do pâncreas produzem insulina. Quando o organismo não pode produzir insulna em quantidade suficiente, ela é usada por injeções ou bomba de insulina.
4 Diabetes tipo 2: Condição caracterizada por altos níveis de glicose causada tanto por graus variáveis de resistência à insulina quanto por deficiência relativa na secreção de insulina. O tipo 2 se desenvolve predominantemente em pessoas na fase adulta, mas pode aparecer em jovens.
5 Diabetes mellitus: Distúrbio metabólico originado da incapacidade das células de incorporar glicose. De forma secundária, podem estar afetados o metabolismo de gorduras e proteínas.Este distúrbio é produzido por um déficit absoluto ou relativo de insulina. Suas principais características são aumento da glicose sangüínea (glicemia), poliúria, polidipsia (aumento da ingestão de líquidos) e polifagia (aumento da fome).
6 Glicemia: Valor de concentração da glicose do sangue. Seus valores normais oscilam entre 70 e 110 miligramas por decilitro de sangue (mg/dl).
7 Subcutâneo: Feito ou situado sob a pele. Hipodérmico.
8 Placebo: Preparação neutra quanto a efeitos farmacológicos, ministrada em substituição a um medicamento, com a finalidade de suscitar ou controlar as reações, geralmente de natureza psicológica, que acompanham tal procedimento terapêutico.
9 Índice de massa corporal: Medida usada para avaliar se uma pessoa está abaixo do peso, com peso normal, com sobrepeso ou obesa. É a medida mais usada na prática para saber se você é considerado obeso ou não. Também conhecido como IMC. É calculado dividindo-se o peso corporal em quilogramas pelo quadrado da altura em metros. Existe uma tabela da Organização Mundial de Saúde que classifica as medidas de acordo com o resultado encontrado.
10 Hemoglobina glicada: Hemoglobina glicada, hemoglobina glicosilada, glico-hemoglobina ou HbA1C e, mais recentemente, apenas como A1C é uma ferramenta de diagnóstico na avaliação do controle glicêmico em pacientes diabéticos. Atualmente, a manutenção do nível de A1C abaixo de 7% é considerada um dos principais objetivos do controle glicêmico de pacientes diabéticos. Algumas sociedades médicas adotam metas terapêuticas mais rígidas de 6,5% para os valores de A1C.
11 Glicose: Uma das formas mais simples de açúcar.
12 Cálculo: Formação sólida, produto da precipitação de diferentes substâncias dissolvidas nos líquidos corporais, podendo variar em sua composição segundo diferentes condições biológicas. Podem ser produzidos no sistema biliar (cálculos biliares) e nos rins (cálculos renais) e serem formados de colesterol, ácido úrico, oxalato de cálcio, pigmentos biliares, etc.
13 IMC: Medida usada para avaliar se uma pessoa está abaixo do peso, com peso normal, com sobrepeso ou obesa. É a medida mais usada na prática para saber se você é considerado obeso ou não. Também conhecido como IMC. É calculado dividindo-se o peso corporal em quilogramas pelo quadrado da altura em metros. Existe uma tabela da Organização Mundial de Saúde que classifica as medidas de acordo com o resultado encontrado.
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