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Associação entre Alzheimer e sintomas neuropsiquiátricos

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Pesquisadores da Universidade da Califórnia em São Francisco, nos Estados Unidos, em colaboração com o Biobanco de Estudos do Envelhecimento da Universidade de São Paulo, mostraram que os estágios iniciais da degeneração1 cerebral associada à doença de Alzheimer2 (DA) estão ligados a sintomas3 neuropsiquiátricos, incluindo ansiedade, depressão, perda de apetite e distúrbios do sono.

Saiba mais sobre "Mal de Alzheimer4", "Ansiedade", "Depressão" e "Distúrbios do sono"

As descobertas, publicadas no Journal of Alzheimer4's Disease, podem levar a um diagnóstico5 precoce da DA e se mostrarem um valioso biomarcador no desenvolvimento de terapias para desacelerar o curso da doença, segundo os autores, mas também podem ter implicações mais amplas para a compreensão da base biológica dos sintomas3 psiquiátricos em idosos.

Embora comumente associada à perda de memória e demência6, a doença de Alzheimer2 é, na verdade, uma condição neurodegenerativa progressiva que pode ser detectada em uma autópsia7 cerebral décadas antes que esses sintomas3 cognitivos8 clássicos ocorram. Um dos maiores objetivos da pesquisa sobre o Alzheimer4 é desenvolver tratamentos que possam ser dados nos estágios iniciais da doença para proteger o tecido9 cerebral de novas perdas e para retardar ou impedir o eventual desenvolvimento de demência6. No entanto, o desenvolvimento de tais drogas exigirá uma melhor compreensão da biologia que impulsiona os primeiros estágios da doença e a capacidade de diagnosticar pacientes com antecedência suficiente para evitar a perda extensiva de tecido9 neural.

Leia sobre "Perda de memória", "Demência6" e "Doenças neurodegenerativas".

Esclarecer, portanto, as relações entre os sintomas3 neuropsiquiátricos e a patologia10 relacionada à doença de Alzheimer2 pode abrir caminhos para tratamentos eficazes. No artigo em questão, foram investigadas as chances de desenvolver sintomas3 neuropsiquiátricos através de cargas crescentes de emaranhamento neurofibrilar e substância β-amiloide.

Os participantes que faleceram entre 2004 e 2014 foram submetidos à avaliação neuropatológica abrangente no Biobanco de Estudos do Envelhecimento da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Entrevistas postmortem com informantes confiáveis ​​foram usadas para coletar informações sobre o estado neuropsiquiátrico e cognitivo11.

Dos 1.092 casos coletados, aqueles com qualquer patologia10 não-Alzheimer4 foram excluídos, levando a coorte12 a 455 casos. O estadiamento de Braak foi utilizado para avaliar a carga de emaranhados neurofibrilares13, e o escore de neuropatologia do CERAD foi utilizado para avaliar a carga de substância β -amiloide. O inventário neuropsiquiátrico de 12 itens foi utilizado para avaliar os sintomas3 neuropsiquiátricos e o escore CDR-SOB foi usado para avaliar o status de demência6.

Em Braak I / II, foi detectada uma probabilidade significativamente maior de agitação, ansiedade, alterações do apetite, depressão e distúrbios do sono, em comparação com os controles. As chances aumentadas de agitação continuam em Braak III / IV. O Braak V / VI está associado a maiores chances de delírios. Não houve aumento da chance de sintomas3 neuropsiquiátricos correlacionados com a substância β-amiloide.

O aumento das chances de sintomas3 neuropsiquiátricos está associado à patologia10 do emaranhamento neurofibrilar precoce, sugerindo que o acúmulo de emaranhados neurofibrilares13 subcorticais com patologia10 cortical mínima é suficiente para afetar a qualidade de vida e que os sintomas3 neuropsiquiátricos são uma manifestação dos processos biológicos da doença de Alzheimer2.

Veja também sobre "Controle do apetite" e "Distúrbios do sono em idosos".

 

Fonte: Journal of Alzheimer4's Disease, publicação de 25 de outubro de 2018.

 

NEWS.MED.BR, 2018. Associação entre Alzheimer e sintomas neuropsiquiátricos. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1328878/associacao-entre-alzheimer-e-sintomas-neuropsiquiatricos.htm>. Acesso em: 13 dez. 2018.

Complementos

1 Degeneração: 1. Ato ou efeito de degenerar (-se). 2. Perda ou alteração (no ser vivo) das qualidades de sua espécie; abastardamento. 3. Mudança para um estado pior; decaimento, declínio. 4. No sentido figurado, é o estado de depravação. 5. Degenerescência.
2 Doença de Alzheimer: É uma doença progressiva, de causa e tratamentos ainda desconhecidos que acomete preferencialmente as pessoas idosas. É uma forma de demência. No início há pequenos esquecimentos, vistos pelos familiares como parte do processo normal de envelhecimento, que se vão agravando gradualmente. Os pacientes tornam-se confusos e por vezes agressivos, passando a apresentar alterações da personalidade, com distúrbios de conduta e acabam por não reconhecer os próprios familiares e até a si mesmos quando colocados frente a um espelho. Tornam-se cada vez mais dependentes de terceiros, iniciam-se as dificuldades de locomoção, a comunicação inviabiliza-se e passam a necessitar de cuidados e supervisão integral, até mesmo para as atividades elementares como alimentação, higiene, vestuário, etc..
3 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
4 Alzheimer: Doença degenerativa crônica que produz uma deterioração insidiosa e progressiva das funções intelectuais superiores. É uma das causas mais freqüentes de demência. Geralmente começa a partir dos 50 anos de idade e tem incidência similar entre homens e mulheres.
5 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
6 Demência: Deterioração irreversível e crônica das funções intelectuais de uma pessoa.
7 Autópsia: 1. Em medicina legal, necropsia ou autópsia é o exame minucioso de um cadáver, realizado por especialista qualificado, para determinar o momento e a causa da morte. 2. Exame, inspeção de si próprio. No sentido figurado, é uma análise minuciosa; crítica severa.
8 Cognitivos: 1. Relativo ao conhecimento, à cognição. 2. Relativo ao processo mental de percepção, memória, juízo e/ou raciocínio. 3. Diz-se de estados e processos relativos à identificação de um saber dedutível e à resolução de tarefas e problemas determinados. 4. Diz-se dos princípios classificatórios derivados de constatações, percepções e/ou ações que norteiam a passagem das representações simbólicas à experiência, e também da organização hierárquica e da utilização no pensamento e linguagem daqueles mesmos princípios.
9 Tecido: Conjunto de células de características semelhantes, organizadas em estruturas complexas para cumprir uma determinada função. Exemplo de tecido: o tecido ósseo encontra-se formado por osteócitos dispostos em uma matriz mineral para cumprir funções de sustentação.
10 Patologia: 1. Especialidade médica que estuda as doenças e as alterações que estas provocam no organismo. 2. Qualquer desvio anatômico e/ou fisiológico, em relação à normalidade, que constitua uma doença ou caracterize determinada doença. 3. Por extensão de sentido, é o desvio em relação ao que é próprio ou adequado ou em relação ao que é considerado como o estado normal de uma coisa inanimada ou imaterial.
11 Cognitivo: 1. Relativo ao conhecimento, à cognição. 2. Relativo ao processo mental de percepção, memória, juízo e/ou raciocínio. 3. Diz-se de estados e processos relativos à identificação de um saber dedutível e à resolução de tarefas e problemas determinados. 4. Diz-se dos princípios classificatórios derivados de constatações, percepções e/ou ações que norteiam a passagem das representações simbólicas à experiência, e também da organização hierárquica e da utilização no pensamento e linguagem daqueles mesmos princípios.
12 Coorte: Grupo de indivíduos que têm algo em comum ao serem reunidos e que são observados por um determinado período de tempo para que se possa avaliar o que ocorre com eles. É importante que todos os indivíduos sejam observados por todo o período de seguimento, já que informações de uma coorte incompleta podem distorcer o verdadeiro estado das coisas. Por outro lado, o período de tempo em que os indivíduos serão observados deve ser significativo na história natural da doença em questão, para que haja tempo suficiente do risco se manifestar.
13 Emaranhados Neurofibrilares: Estruturas anormais (localizadas em várias partes do cérebro) compostas por arranjos densos de filamentos helicoidais pareados (neurofilamentos e microtúbulos). Estes empilhamentos helicoidais (duplas hélices) de subunidades transversas, apresentam-se em filamentos (semelhantes a fitas retorcidas para a esquerda) que provavelmente incorporam as seguintes proteínas
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