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A associação da classificação de pressão arterial em adultos jovens com eventos cardiovasculares futuros

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Pouco se sabe sobre a associação entre nível de pressão arterial1 (PA) em adultos jovens e eventos de doença cardiovascular (DCV) até a meia-idade.

Foi realizado um estudo, publicado pelo The Journal of the American Association (JAMA), com o objetivo de avaliar se os adultos jovens que desenvolveram hipertensão arterial2, definidos pela diretriz da American College of Cardiology (ACC) / American Heart Association (AHA) 2017, antes dos 40 anos de idade, têm maior risco de eventos cardiovasculares em comparação com aqueles que mantiveram a PA normal.

Saiba mais sobre "Pressão arterial1", "Doenças cardiovasculares3" e "Hipertensão arterial2".

As análises foram conduzidas no estudo Coronary Artery Risk Development in Young Adults (CARDIA), iniciado em março de 1985. O CARDIA inscreveu 5.115 participantes afro-americanos e brancos, de 18 a 30 anos, de 4 centros dos EUA (Birmingham, Alabama; Chicago, Illinois; Minneapolis, Minnesota e Oakland, Califórnia), com resultados disponíveis até agosto de 2015.

Utilizando a maior pressão arterial1 (PA) medida do primeiro exame ao exame mais próximo, mas não depois da idade de 40 anos, cada participante foi categorizado como tendo:

  • PA normal: PA sistólica [PAS] não tratada <120 mmHg e PA diastólica [PAD] <80 mmHg; n=2.574.
  • PA elevada: PAS não tratada 120-129 mmHg e PAD <80 mmHg; n=445.
  • Hipertensão4 em estágio 1: PAS não tratada 130-139 mm Hg ou PAD 80-89 mmHg; n=1.194.
  • Hipertensão4 em estágio 2: PAS ≥ 140 mmHg, PAD ≥ 90 mmHg ou uso de medicação anti-hipertensiva; n=638.

Os principais desfechos e medidas foram eventos cardiovasculares incluindo: doença coronariana5 (DAC) fatal e não fatal, insuficiência cardíaca6, acidente vascular cerebral7, ataque isquêmico8 transitório ou intervenção para doença arterial periférica (DAP).

A coorte9 final incluiu 4.851 adultos (a idade média quando o acompanhamento para os desfechos começou era de 35,7 anos [DP 3,6]; 2.657 mulheres [55%]; 2.441 afro-americanos [50%]; 206 usando medicação anti-hipertensiva [4%]).

Durante um acompanhamento médio de 18,8 anos, ocorreram 228 eventos cardiovasculares incidentes10 (DAC, 109; acidente vascular cerebral7, 63; insuficiência cardíaca6, 48; DAP, 8).

As taxas de incidência11 de eventos cardiovasculares (CV) para PA normal, PA elevada, hipertensão4 estágio 1 e hipertensão4 estágio 2 foram de 1,37 (IC 95%, 1,07-1,75), 2,74 (IC 95%, 1,78-4,20), 3,15 (IC 95%, 2,47-4,02) e 8,04 (IC 95%, 6,45-10,03) por 1000 pessoas-ano, respectivamente.

Após ajuste multivariado, as razões de risco para eventos CV para PA elevada, hipertensão4 estágio 1 e hipertensão4 estágio 2 versus pressão arterial1 normal foram 1,67 (95% CI, 1,01-2,77), 1,75 (IC 95%, 1,22-2,53) e 3,49 (IC95%, 2,42-5,05), respectivamente.

Concluiu-se que entre os adultos jovens, aqueles com pressão arterial1 elevada, hipertensão4 estágio 1 e hipertensão4 estágio 2 antes dos 40 anos, conforme definido pela classificação da pressão arterial1 nas diretrizes do American College of Cardiology / American Heart Association (ACC/AHA) de 2017, tiveram risco significativamente maior de eventos cardiovasculares subsequentes em comparação com aqueles com pressão arterial1 normal antes dos 40 anos de idade. Isto significa que a classificação da pressão arterial1 pela diretriz de pressão arterial1 ACC/AHA 2017 pode ajudar a identificar adultos jovens com maior risco de sofrerem eventos cardiovasculares.

Leia sobre "Doença arterial coronariana", "Insuficiência cardíaca6", "Acidente vascular cerebral7" e "Doença arterial periférica".

 

Fonte: JAMA Network, em 6 de dezembro de 2018

 

NEWS.MED.BR, 2018. A associação da classificação de pressão arterial em adultos jovens com eventos cardiovasculares futuros. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1326758/a-associacao-da-classificacao-de-pressao-arterial-em-adultos-jovens-com-eventos-cardiovasculares-futuros.htm>. Acesso em: 13 dez. 2018.

Complementos

1 Pressão arterial: A relação que define a pressão arterial é o produto do fluxo sanguíneo pela resistência. Considerando-se a circulação como um todo, o fluxo total é denominado débito cardíaco, enquanto a resistência é denominada de resistência vascular periférica total.
2 Hipertensão arterial: Aumento dos valores de pressão arterial acima dos valores considerados normais, que no adulto são de 140 milímetros de mercúrio de pressão sistólica e 85 milímetros de pressão diastólica.
3 Doenças cardiovasculares: Doença do coração e vasos sangüíneos (artérias, veias e capilares).
4 Hipertensão: Condição presente quando o sangue flui através dos vasos com força maior que a normal. Também chamada de pressão alta. Hipertensão pode causar esforço cardíaco, dano aos vasos sangüíneos e aumento do risco de um ataque cardíaco, derrame ou acidente vascular cerebral, além de problemas renais e morte.
5 Doença coronariana: Doença do coração causada por estreitamento das artérias que fornecem sangue ao coração. Se o fluxo é cortado, o resultado é um ataque cardíaco.
6 Insuficiência Cardíaca: É uma condição na qual a quantidade de sangue bombeada pelo coração a cada minuto (débito cardíaco) é insuficiente para suprir as demandas normais de oxigênio e de nutrientes do organismo. Refere-se à diminuição da capacidade do coração suportar a carga de trabalho.
7 Acidente vascular cerebral: Conhecido popularmente como derrame cerebral, o acidente vascular cerebral (AVC) ou encefálico é uma doença que consiste na interrupção súbita do suprimento de sangue com oxigênio e nutrientes para o cérebro, lesando células nervosas, o que pode resultar em graves conseqüências, como inabilidade para falar ou mover partes do corpo. Há dois tipos de derrame, o isquêmico e o hemorrágico.
8 Isquêmico: Relativo à ou provocado pela isquemia, que é a diminuição ou suspensão da irrigação sanguínea, numa parte do organismo, ocasionada por obstrução arterial ou por vasoconstrição.
9 Coorte: Grupo de indivíduos que têm algo em comum ao serem reunidos e que são observados por um determinado período de tempo para que se possa avaliar o que ocorre com eles. É importante que todos os indivíduos sejam observados por todo o período de seguimento, já que informações de uma coorte incompleta podem distorcer o verdadeiro estado das coisas. Por outro lado, o período de tempo em que os indivíduos serão observados deve ser significativo na história natural da doença em questão, para que haja tempo suficiente do risco se manifestar.
10 Incidentes: 1. Que incide, que sobrevém ou que tem caráter secundário; incidental. 2. Acontecimento imprevisível que modifica o desenrolar normal de uma ação. 3. Dificuldade passageira que não modifica o desenrolar de uma operação, de uma linha de conduta.
11 Incidência: Medida da freqüência em que uma doença ocorre. Número de casos novos de uma doença em um certo grupo de pessoas por um certo período de tempo.
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