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Aspirina ou Rivaroxaban: qual é melhor para profilaxia do tromboembolismo venoso após artroplastia do quadril ou do joelho?

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Ensaios clínicos1 e meta-análises sugeriram que a aspirina pode ser eficaz para a prevenção do tromboembolismo2 venoso (trombose venosa profunda3 + embolia4 pulmonar) após artroplastia total do quadril ou do joelho, mas faltam comparações com o uso de anticoagulantes5 orais para a profilaxia realizada após alta hospitalar.

Saiba mais sobre "Trombose venosa profunda3" e "Embolia4 pulmonar".

Estudo multicêntrico, duplo-cego, randomizado6 e controlado, abordando a comparação do uso de aspirina ou rivaroxaban oral, envolvendo pacientes submetidos à artroplastia total do quadril ou do joelho, foi publicado no periódico The Lancet. Todos os pacientes receberam rivaroxaban por via oral (10 mg) até o 5º dia pós-operatório e depois foram distribuídos aleatoriamente para continuar o rivaroxaban ou trocar a medicação para a aspirina (81 mg por dia) por mais 9 dias após a artroplastia total do joelho ou 30 dias após a artroplastia total de quadril.

Os pacientes foram seguidos por 90 dias para tromboembolismo2 venoso sintomático7 (resultado primário de efetividade) e complicações hemorrágicas8, incluindo sangramento grave ou sangramento não grave, mas clinicamente relevante (o principal resultado de segurança).

Um total de 3.424 pacientes (1.804 submetidos à artroplastia total do quadril e 1.620 submetidos à artroplastia total do joelho) foram incluídos no estudo. O tromboembolismo2 venoso ocorreu em 11 dos 1.707 pacientes (0,64%) no grupo aspirina e em 12 de 1.717 pacientes (0,70%) no grupo rivaroxaban (diferença de 0,06 pontos percentuais, intervalo de confiança [IC] de 95%, -0,55 a 0,66; P<0,001 para não inferioridade e P=0,84 para superioridade).

Ocorreram maiores complicações hemorrágicas8 em 8 pacientes (0,47%) no grupo aspirina e em 5 (0,29%) no grupo rivaroxaban (diferença de 0,18 pontos percentuais, IC 95%, -0,65 a 0,29; P=0,42). O sangramento clinicamente relevante ocorreu em 22 pacientes (1,29%) no grupo aspirina e em 17 (0,99%) no grupo rivaroxaban (diferença de 0,30 pontos percentuais, IC 95%, -1,07 a 0,47; P=0,43).

Entre os pacientes que receberam 5 dias de profilaxia com rivaroxaban após artroplastia total do quadril ou do joelho, a profilaxia prolongada com aspirina não foi significativamente diferente da profilaxia prolongada com rivaroxaban na prevenção do tromboembolismo2 venoso sintomático7.

Leia também sobre "Artroplastia do joelho", "Artroplastia de quadril", "Dor no joelho" e "Dor no quadril".

 

Fonte: The Lancet, em 22 de fevereiro de 2018

 

NEWS.MED.BR, 2018. Aspirina ou Rivaroxaban: qual é melhor para profilaxia do tromboembolismo venoso após artroplastia do quadril ou do joelho?. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1313718/aspirina-ou-rivaroxaban-qual-e-melhor-para-profilaxia-do-tromboembolismo-venoso-apos-artroplastia-do-quadril-ou-do-joelho.htm>. Acesso em: 23 set. 2019.

Complementos

1 Ensaios clínicos: Há três fases diferentes em um ensaio clínico. A Fase 1 é o primeiro teste de um tratamento em seres humanos para determinar se ele é seguro. A Fase 2 concentra-se em saber se um tratamento é eficaz. E a Fase 3 é o teste final antes da aprovação para determinar se o tratamento tem vantagens sobre os tratamentos padrões disponíveis.
2 Tromboembolismo: Doença produzida pela impactação de um fragmento de um trombo. É produzida quando este se desprende de seu lugar de origem, e é levado pela corrente sangüínea até produzir a oclusão de uma artéria distante do local de origem do trombo. Esta oclusão pode ter diversas conseqüências, desde leves até fatais, dependendo do tamanho do vaso ocluído e do tipo de circulação do órgão onde se deu a oclusão.
3 Trombose Venosa Profunda: Caracteriza-se pela formação de coágulos no interior das veias profundas da perna. O que mais chama a atenção é o edema (inchaço) e a dor, normalmente restritos a uma só perna. O edema pode se localizar apenas na panturrilha e pé ou estar mais exuberante na coxa, indicando que o trombo se localiza nas veias profundas dessa região ou mais acima da virilha. Uma de suas principais conseqüências a curto prazo é a embolia pulmonar, que pode deixar seqüelas ou mesmo levar à morte. Fatores individuais de risco são: varizes de membros inferiores, idade maior que 40 anos, obesidade, trombose prévia, uso de anticoncepcionais, terapia de reposição hormonal, entre outras.
4 Embolia: Impactação de uma substância sólida (trombo, colesterol, vegetação, inóculo bacteriano), líquida ou gasosa (embolia gasosa) em uma região do circuito arterial com a conseqüente obstrução do fluxo e isquemia.
5 Anticoagulantes: Substâncias ou medicamentos que evitam a coagulação, especialmente do sangue.
6 Randomizado: Ensaios clínicos comparativos randomizados são considerados o melhor delineamento experimental para avaliar questões relacionadas a tratamento e prevenção. Classicamente, são definidos como experimentos médicos projetados para determinar qual de duas ou mais intervenções é a mais eficaz mediante a alocação aleatória, isto é, randomizada, dos pacientes aos diferentes grupos de estudo. Em geral, um dos grupos é considerado controle – o que algumas vezes pode ser ausência de tratamento, placebo, ou mais frequentemente, um tratamento de eficácia reconhecida. Recursos estatísticos são disponíveis para validar conclusões e maximizar a chance de identificar o melhor tratamento. Esses modelos são chamados de estudos de superioridade, cujo objetivo é determinar se um tratamento em investigação é superior ao agente comparativo.
7 Sintomático: 1. Relativo a ou que constitui sintoma. 2. Que é efeito de alguma doença. 3. Por extensão de sentido, é o que indica um particular estado de coisas, de espírito; revelador, significativo.
8 Hemorrágicas: Relativo à hemorragia, ou seja, ao escoamento de sangue para fora dos vasos sanguíneos.
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