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Bebidas energéticas cafeinadas podem estar associadas ao maior risco de diabetes em jovens

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Pesquisadores canadenses testaram os efeitos de bebidas energéticas cafeinadas entre adolescentes e sugerem que a cafeína inibe a capacidade do organismo para lidar com uma carga elevada de açúcar1. Eles acreditam que isso possa levar à resistência à insulina2, situação em que o corpo produz quantidades cada vez maiores de insulina3 para limpar o açúcar1 que circula no sangue4 e nos tecidos.

Heidi Virtanen, da Universidade de Calgary, líder do estudo, explica que os resultados mostram que o consumo de bebidas energéticas contendo cafeína pode contribuir para um aumento de 20 a 30% nos níveis de insulina3 e de glicose5 em resposta a uma carga alta de glicose5. Uma vez que a cafeína persiste no organismo durante 4 a 6 horas após o consumo, a resistência à insulina2 associada a este consumo pode contribuir para o aumento do risco metabólico em indivíduos susceptíveis através da interferência persistente com o metabolismo6 normal de glicose5, principalmente quando consumidas por adolescentes.

Os pesquisadores observam que, apesar da advertência em rótulos de bebidas energéticas cafeinadas dizerem que elas não são adequadas para crianças, o marketing muitas vezes torna-as atraentes para crianças, adolescentes e adultos jovens. Estima-se que, no Canadá, cerca de 30% dos adolescentes bebem regularmente este tipo de bebida, enquanto 50% dos atletas consomem-nas em tempo integral.

O estudo envolveu 10 homens e 10 mulheres com idades entre 13 a 19 anos. Após jejum de 24 horas, abstendo-se de cafeína e sem exercício, os adolescentes foram aleatoriamente designados a tomar ou uma bebida energética com cafeína ou uma sem cafeína. Ambas as bebidas energéticas estavam livres de açúcar1, de modo a determinar os efeitos da cafeína na bebida.

As amostras de sangue4 foram retiradas periodicamente durante um período de 2 horas e um teste de glicose5 oral padrão foi administrado 40 minutos depois da ingestão da bebida.

Os resultados apresentaram um aumento de 25% nos níveis de glicose5 no sangue4 ao longo de um período de 2 horas para aqueles que tomaram a bebida com cafeína em comparação com aqueles que consumiram a versão descafeinada. Elevações da glicose5 com a bebida energética contendo cafeína foram acompanhadas por um aumento de 26% nos níveis de insulina3. Os pesquisadores dizem que, como a meia-vida da cafeína é na faixa de 4 a 6 horas, estes resultados sugerem que o consumo de uma bebida energética contendo cafeína por adolescentes pode afetar a regulação da glicose5 por horas depois do consumo.

Os resultados, apresentados no Congresso Mundial de Diabetes7 em Vancouver, devem ser avaliados com cautela, pois eles ainda não foram publicados em um periódico médico e trata-se de um estudo com pequeno número de participantes. Este também é um estudo piloto, por isso, outras pesquisas serão necessárias para confirmar os resultados.

Fonte: International Diabetes7 Federation (IDF) 2015 World Congress

NEWS.MED.BR, 2015. Bebidas energéticas cafeinadas podem estar associadas ao maior risco de diabetes em jovens. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/saude/813434/bebidas-energeticas-cafeinadas-podem-estar-associadas-ao-maior-risco-de-diabetes-em-jovens.htm>. Acesso em: 15 dez. 2019.

Complementos

1 Açúcar: 1. Classe de carboidratos com sabor adocicado, incluindo glicose, frutose e sacarose. 2. Termo usado para se referir à glicemia sangüínea.
2 Resistência à insulina: Inabilidade do corpo para responder e usar a insulina produzida. A resistência à insulina pode estar relacionada à obesidade, hipertensão e altos níveis de colesterol no sangue.
3 Insulina: Hormônio que ajuda o organismo a usar glicose como energia. As células-beta do pâncreas produzem insulina. Quando o organismo não pode produzir insulna em quantidade suficiente, ela é usada por injeções ou bomba de insulina.
4 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
5 Glicose: Uma das formas mais simples de açúcar.
6 Metabolismo: É o conjunto de transformações que as substâncias químicas sofrem no interior dos organismos vivos. São essas reações que permitem a uma célula ou um sistema transformar os alimentos em energia, que será ultilizada pelas células para que as mesmas se multipliquem, cresçam e movimentem-se. O metabolismo divide-se em duas etapas: catabolismo e anabolismo.
7 Diabetes: Nome que designa um grupo de doenças caracterizadas por diurese excessiva. A mais frequente é o Diabetes mellitus, ainda que existam outras variantes (Diabetes insipidus) de doença nas quais o transtorno primário é a incapacidade dos rins de concentrar a urina.
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