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Evidências de infecção natural pelo vírus da Zika em primatas não humanos no Brasil

quinta-feira, 1 de novembro de 2018
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Evidências de infecção natural pelo vírus da Zika em primatas não humanos no Brasil

Na África, os primatas do velho mundo [do inglês Old World Primates (OWP)] estão envolvidos na manutenção da circulação silvestre do vírus ZIKV (vírus da Zika). No entanto, no Brasil, os hospedeiros do ciclo silvestre permanecem desconhecidos.

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A hipótese de uma equipe chefiada por Maurício Lacerda Nogueira, professor da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp) e presidente da Sociedade Brasileira de Virologia, é que os primatas do novo mundo (do inglês New World Primates, NWP ou Neotropical NHPs) de vida livre podem desempenhar um papel importante na dinâmica urbana/periurbana do ZIKV.

Foi realizada uma investigação do vírus da Zika em NHPs em duas cidades no Brasil, São José do Rio Preto (São Paulo) e Belo Horizonte (Minas Gerais). O estudo foi publicado no Scientific Reports, do grupo Nature. Foram identificados NHPs positivos para ZIKV e as sequências obtidas foram filogeneticamente relacionadas com a linhagem americana do ZIKV.

Além disso, os estudiosos inocularam quatro saguis da espécie Callithrix penicillata com ZIKV e os resultados demonstraram que os saguis tinham uma viremia sustentada. A infecção natural e experimental de NHPs com ZIKV suporta a hipótese de que os NHPs podem ser um hospedeiro vertebrado importante na manutenção da transmissão/circulação do ZIKV em ambientes tropicais urbanos. Este achado mostra que o vírus Zika pode ter um ciclo silvestre no país, o que fala a favor de existir um reservatório natural a partir do qual o vírus da Zika pode reinfectar humanos com mais frequência.

Mais estudos são necessários para entender o papel que esses primatas podem desempenhar na manutenção do ciclo urbano do ZIKV e como eles podem ser um canal no estabelecimento de um ciclo de transmissão enzoótica na América Latina.

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Fonte: Scientific Reports, volume 8, número do artigo 16034 (2018)

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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