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Gerenciamento do trabalho de parto de mulheres portadoras do vírus da imunodeficiência humana

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O parecer do Comitê de Especialistas do Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas está sendo revisado para fornecer orientações atualizadas sobre a gestão de gestantes durante a gravidez1 e o parto para prevenir a transmissão materno-infantil do vírus2 da imunodeficiência3 humana (HIV4). A prevenção da transmissão do HIV4 da mulher para o feto5 ou recém-nascido é um objetivo importante no atendimento de gestantes infectadas pelo HIV4.

Saiba mais sobre "Infecção6 pelo HIV4".

O parecer do Comitê de Especialistas do Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas faz as seguintes recomendações:

  • Pesquisas já estabelecidas e em andamento demonstraram que o tratamento de gestantes infectadas pelo vírus2 da imunodeficiência3 humana (HIV4) com terapia antirretroviral combinada (cART) pode atingir um risco igual ou menor do que 1-2% de transmissão materno-infantil se cargas virais maternas de 1.000 cópias/mL ou menos forem mantidas, independentemente do tipo de parto ou duração da ruptura das membranas antes do parto.
  • As mulheres devem receber terapia antirretroviral durante a gravidez1 de acordo com as diretrizes atualmente aceitas para adultos. Os níveis plasmáticos de ácido ribonucleico do HIV4 (RNA) em grávidas devem ser monitorados na consulta pré-natal inicial, 2 a 4 semanas após o início (ou alteração) dos esquemas de drogas cART, mensalmente até que os níveis de RNA sejam indetectáveis, e depois pelo menos a cada 3 meses durante a gravidez1.
  • Grávidas infectadas com HIV4 cujas cargas virais são maiores que 1.000 cópias/mL no parto ou próximo a ele, independente da terapia antirretroviral anteparto, ou cujos níveis são desconhecidos, devem ser aconselhadas em relação ao benefício potencial do parto cesárea programado para 38 0/7 semanas de gestação, antes do trabalho de parto iniciar, para reduzir o risco de transmissão de mãe para filho. Essas pacientes também devem receber zidovudina intravenosa (ZDV) no período pré-operatório, idealmente 3 horas antes do procedimento e como dose de ataque intravenosa uma hora antes do procedimento (2 mg/kg), seguida de infusão contínua por 2 horas (1 mg/kg/h) até o momento do parto para atingir níveis do fármaco7 no sangue8 materno e fetal.
  • Independentemente dos resultados da carga viral materna antes do parto, o planejamento para o cuidado e manejo de todos os recém-nascidos nascidos de mulheres infectadas pelo HIV4 deve ser iniciado com pediatra experiente em iniciar e monitorar a continuação da terapia profilática do HIV4 para neonatos9 e bebês10 em risco. Idealmente, este processo deve ocorrer antes do parto, mas, caso não ocorra, deve iniciar o mais cedo possível após o nascimento.
  • Alguns medicamentos usados para tratar o HIV4 podem ter interações significativas com medicamentos usados durante o trabalho de parto e o parto, especificamente uterotônicos. O uso concomitante de metergina ou outras ergotaminas com inibidores da protease11 ou cobicistate, ou ambos, tem sido associado a respostas vasoconstritoras exageradas.
  • A autonomia da paciente em tomar a decisão sobre o tipo de parto deve ser respeitada após os riscos maternos e neonatais terem sido discutidos. A decisão informada da paciente de se submeter ao parto vaginal, apesar de uma carga viral acima do limite aceito, deve ser honrada. O contrário vale para uma decisão informada sobre o parto cesárea no contexto de uma carga viral de 1.000 cópias/mL ou menos.
  • A discussão sobre a opção de parto cesárea programado e suas vantagens na situação de supressão viral subótima deve começar o mais cedo possível na gravidez1 com todas as grávidas infectadas pelo HIV4, para lhes dar uma oportunidade adequada para fazer perguntas e considerar sua tomada de decisão.
  • É importante ressaltar que a triagem rápida durante o trabalho de parto e o parto ou durante o período imediato pós-parto, usando a abordagem de não opção, deve ser feita para mulheres que não foram testadas no início da gravidez1 ou cujo status de HIV4 é desconhecido. Os resultados devem estar disponíveis 24 horas por dia e dentro de uma hora.
  • A duração da ruptura das membranas antes do parto não é um fator de risco12 independente para a transmissão materno-infantil em mulheres que, de outra forma, estão com a carga viral apropriadamente suprimida e não é uma consideração em relação à via de parto.
Leia sobre "Trabalho de parto", "Parto a termo", "Parto cesárea", "Parto vaginal" e "Parto prematuro".

 

Fonte: The American College of Obstetricians and Gynecologists, ACOG Committee Opinion número 751

 

NEWS.MED.BR, 2018. Gerenciamento do trabalho de parto de mulheres portadoras do vírus da imunodeficiência humana. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/saude/1323293/gerenciamento-do-trabalho-de-parto-de-mulheres-portadoras-do-virus-da-imunodeficiencia-humana.htm>. Acesso em: 25 set. 2018.

Complementos

1 Gravidez: Condição de ter um embrião ou feto em desenvolvimento no trato reprodutivo feminino após a união de ovo e espermatozóide.
2 Vírus: Pequeno microorganismo capaz de infectar uma célula de um organismo superior e replicar-se utilizando os elementos celulares do hospedeiro. São capazes de causar múltiplas doenças, desde um resfriado comum até a AIDS.
3 Imunodeficiência: Distúrbio do sistema imunológico que se caracteriza por um defeito congênito ou adquirido em um ou vários mecanismos que interferem na defesa normal de um indivíduo perante infecções ou doenças tumorais.
4 HIV: Abreviatura em inglês do vírus da imunodeficiência humana. É o agente causador da AIDS.
5 Feto: Filhote por nascer de um mamífero vivíparo no período pós-embrionário, depois que as principais estruturas foram delineadas. Em humanos, do filhote por nascer vai do final da oitava semana após a CONCEPÇÃO até o NASCIMENTO, diferente do EMBRIÃO DE MAMÍFERO prematuro.
6 Infecção: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
7 Fármaco: Qualquer produto ou preparado farmacêutico; medicamento.
8 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
9 Neonatos: Refere-se a bebês nos seus primeiros 28 dias (mês) de vida. O termo “recentemente-nascido“ refere-se especificamente aos primeiros minutos ou horas que se seguem ao nascimento. Esse termo é utilizado para enfocar os conhecimentos e treinamento da ressuscitação imediatamente após o nascimento e durante as primeiras horas de vida.
10 Bebês: Lactentes. Inclui o período neonatal e se estende até 1 ano de idade (12 meses).
11 Inibidores da protease: Alguns vírus como o HIV e o vírus da hepatite C dependem de proteases (enzimas que quebram ligações peptídicas entre os aminoácidos das proteínas) no seu ciclo reprodutivo, pois algumas proteínas virais são codificadas em uma longa cadeia peptídica, sendo libertadas por proteases para assumir sua conformação ideal e sua função. Os inibidores da protease são desenvolvidos como meios antivirais, pois impedem a correta estruturação do RNA viral.
12 Fator de risco: Qualquer coisa que aumente a chance de uma pessoa desenvolver uma doença.
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