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O consumo de álcool pode causar câncer em sete locais diferentes do corpo

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Há cada vez mais evidências de pesquisas sobre o papel causal do álcool no câncer1, acompanhadas de mensagens pouco claras e conflitantes na mídia. Este trabalho, publicado pelo jornal Addiction e coordenado por Jennie Connor, teve como objetivo esclarecer a força da evidência do álcool como causa de câncer1 e o significado desta causa neste contexto.

Uma investigação epidemiológica e biológica recente sobre o álcool e o câncer1 foi revista e resumida, baseando-se em meta-análises publicadas e identificadas a partir da base de dados Medline e dos arquivos da International Agency for Research on Cancer1. Os estudos epidemiológicos mais recentes não incluídos nessas publicações também foram revisados. Uma breve descrição da natureza da inferência causal em epidemiologia foi usada para enquadrar a discussão da força da evidência de que o álcool causa câncer1 e contrastar esta informação com o caso de uma associação protetora do álcool com doenças cardiovasculares2.

Mesmo sem o conhecimento completo dos mecanismos biológicos envolvidos, a evidência epidemiológica sugere que o álcool provoca câncer1 da orofaringe3, laringe4, esôfago5, fígado6, cólon7, reto8 e mama9. As associações apresentam medidas de efeito que são biologicamente plausíveis e há alguma evidência de reversibilidade do risco de câncer1 na laringe4, faringe10 e câncer1 de fígado6, quando o consumo cessa. As limitações dos estudos de coorte11 significam que os verdadeiros efeitos podem ser um pouco mais fracos ou mais fortes do que o estimado atualmente, mas é improvável que sejam qualitativamente diferentes. Os mesmos estudos epidemiológicos ou estudos semelhantes também comumente relatam uma proteção contra a doença cardiovascular associada ao consumo deste tipo de bebida, mas um alto nível de ceticismo em relação a essas descobertas agora se justifica.

Há fortes evidências de que o álcool causa câncer1 em sete locais no corpo e provavelmente em outros. As estimativas atuais sugerem que o câncer1 atribuído ao álcool nesses locais compõem 5,8% de todas as mortes por câncer1 em todo o mundo. A confirmação de mecanismos biológicos específicos pelos quais o álcool aumenta a incidência12 de cada tipo de câncer1 ainda faz-se necessária para se inferir que o álcool seja uma causa.

 

Fonte: Journal Addiction, publicação online de 21 de julho de 2016

NEWS.MED.BR, 2016. O consumo de álcool pode causar câncer em sete locais diferentes do corpo. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/saude/1271678/o-consumo-de-alcool-pode-causar-cancer-em-sete-locais-diferentes-do-corpo.htm>. Acesso em: 21 mai. 2019.

Complementos

1 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
2 Doenças cardiovasculares: Doença do coração e vasos sangüíneos (artérias, veias e capilares).
3 Orofaringe: Parte mediana da faringe, entre a boca e a rinofaringe.
4 Laringe: É um órgão fibromuscular, situado entre a traqueia e a base da língua que permite a passagem de ar para a traquéia. Consiste em uma série de cartilagens, como a tiroide, a cricóide e a epiglote e três pares de cartilagens: aritnoide, corniculada e cuneiforme, todas elas revestidas de membrana mucosa que são movidas pelos músculos da laringe. As dobras da membrana mucosa dão origem às pregas vocais.
5 Esôfago: Segmento muscular membranoso (entre a FARINGE e o ESTÔMAGO), no TRATO GASTRINTESTINAL SUPERIOR.
6 Fígado: Órgão que transforma alimento em energia, remove álcool e toxinas do sangue e fabrica bile. A bile, produzida pelo fígado, é importante na digestão, especialmente das gorduras. Após secretada pelas células hepáticas ela é recolhida por canalículos progressivamente maiores que a levam para dois canais que se juntam na saída do fígado e a conduzem intermitentemente até o duodeno, que é a primeira porção do intestino delgado. Com esse canal biliar comum, chamado ducto hepático, comunica-se a vesícula biliar através de um canal sinuoso, chamado ducto cístico. Quando recebe esse canal de drenagem da vesícula biliar, o canal hepático comum muda de nome para colédoco. Este, ao entrar na parede do duodeno, tem um músculo circular, designado esfíncter de Oddi, que controla o seu esvaziamento para o intestino.
7 Cólon:
8 Reto: Segmento distal do INTESTINO GROSSO, entre o COLO SIGMÓIDE e o CANAL ANAL.
9 Mama: Em humanos, uma das regiões pareadas na porção anterior do TÓRAX. As mamas consistem das GLÂNDULAS MAMÁRIAS, PELE, MÚSCULOS, TECIDO ADIPOSO e os TECIDOS CONJUNTIVOS.
10 Faringe: Canal músculo-membranoso comum aos sistemas digestivo e respiratório. Comunica-se com a boca e com as fossas nasais. É dividida em três partes: faringe superior (nasofaringe ou rinofaringe), faringe bucal (orofaringe) e faringe inferior (hipofaringe, laringofaringe ou faringe esofagiana), sendo um órgão indispensável para a circulação do ar e dos alimentos.
11 Estudos de coorte: Um estudo de coorte é realizado para verificar se indivíduos expostos a um determinado fator apresentam, em relação aos indivíduos não expostos, uma maior propensão a desenvolver uma determinada doença. Um estudo de coorte é constituído, em seu início, de um grupo de indivíduos, denominada coorte, em que todos estão livres da doença sob investigação. Os indivíduos dessa coorte são classificados em expostos e não-expostos ao fator de interesse, obtendo-se assim dois grupos (ou duas coortes de comparação). Essas coortes serão observadas por um período de tempo, verificando-se quais indivíduos desenvolvem a doença em questão. Os indivíduos expostos e não-expostos devem ser comparáveis, ou seja, semelhantes quanto aos demais fatores, que não o de interesse, para que as conclusões obtidas sejam confiáveis.
12 Incidência: Medida da freqüência em que uma doença ocorre. Número de casos novos de uma doença em um certo grupo de pessoas por um certo período de tempo.
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