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FDA aprova o atezolizumabe, a primeira imunoterapia para câncer de mama

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A aprovação da imunoterapia com atezolizumabe (Tecentriq, Genentech/Roche) foi realizada pela US Food and Drug Administration (FDA), para ser usada juntamente com a quimioterapia1 com paclitaxel ligado à albumina2 ou nab-paclitaxel (Abraxane, Celgene), no tratamento de primeira linha do câncer3 de mama4 triplo negativo de pacientes PD-L1 positivos, com tumores localmente avançados ou metastáticos, irressecáveis.

Saiba mais sobre "Imunoterapia" e "Câncer3 de mama4".

O atezolizumabe é a primeira imunoterapia a ser aprovada para o câncer3 de mama4. A aprovação é baseada em resultados de segurança e eficácia do estudo IMpassion130, um estudo randomizado5, multicêntrico, duplo-cego, controlado por placebo6, com dados que foram apresentados no Congresso da Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO) de 2018 e publicado simultaneamente pelo The New England Journal of Medicine (NEJM).

O estudo randomizou 451 pacientes com câncer3 de mama4 metastático ou localmente avançado triplo negativo para receberem atezolizumabe e 451 para placebo6. Todos os 902 pacientes também receberam paclitaxel ligado à albumina2. Neste ensaio analisado na população por intenção de tratar, o atezolizumabe significativamente reduziu o risco de progressão da doença ou morte (sobrevivência7 livre de progressão; PFS) em comparação com o placebo6 (PFS mediana=7,2 vs 5,5 meses; taxa de risco (HR)=0,80; intervalo de confiança de 95% [IC] de 0,69-0,92; P=0,0025).

O atezolizumabe também melhorou a sobrevivência7 global mediana (OS), mas a significância estatística não foi recebida no momento da análise provisória (21,3 vs 17,6 meses; HR=0,84; IC de 95% 0,69-1,02; P=0,0840). Estes parâmetros finais co-primários foram avaliados pelo investigador; o acompanhamento médio foi de 12,9 meses.

Os avaliadores também realizaram uma análise de subgrupo entre pacientes que eram PD-L1 positivos, definidos como expressão ≥ 1% em células8 imunes infiltradas no tumor9. Nesta análise, o grupo atezolizumabe consistiu de 185 pacientes e o grupo placebo6 184 pacientes.

Nesta população PD-L1 positiva, o atezolizumabe significativamente reduziu o risco de progressão da doença ou morte (PFS mediana=7,5 vs 5,0 meses; taxa de risco=0,62, IC de 95%, 0,49-0,78; P<0,0001). A imunoterapia também melhorou a mediana da OS (25,0 vs 15,5 meses; HR=0,62, IC 95% 0,45-0,86).

No ensaio piloto, atezolizumabe foi administrado a uma dose de 840 mg fixos através de infusão intravenosa (IV) nos dias 1 e 15 de cada ciclo de 28 dias até a progressão da doença ou toxicidade10 inaceitável. O nab-paclitaxel foi administrado numa dose inicial de 100 mg/m² por infusão IV nos dias 1, 8 e 15 de cada ciclo de 28 dias.

A duração mediana do tratamento com atezolizumabe e com nab-paclitaxel no grupo de tratamento com atezolizumabe foi de 24,1 semanas e 22,1 semanas, respectivamente, e a duração mediana de placebo6 e nab-paclitaxel no grupo placebo6 foi de 22,1 semanas e 21,8 semanas, respectivamente.

Ao longo do período de estudo, 358 (79,4%) doentes no grupo atezolizumabe e 378 (83,8%) pacientes no grupo placebo6 tiveram progressão da doença ou morreram.

Os pesquisadores relataram que os eventos adversos (EAs) foram consistentes com os perfis de segurança dos medicamentos do estudo. Não foram identificados novos sinais11 de segurança com a associação de atezolizumabe e nab-paclitaxel.

Eventos adversos graves (EAG) foram relatados em 23% dos pacientes do grupo atezolizumabe vs 18% do grupo placebo6.

Eventos adversos de graus 3 e 4 ocorreram em 49% do grupo atezolizumabe vs 42% do grupo placebo6. Os mais comuns foram neutropenia12 (8%), neuropatia periférica13 (6%), diminuição da contagem de neutrófilos14 (5%), fadiga15 (4%) e anemia16 (3%).

Leia também sobre "Prevenção do câncer3 de mama4", "Tratamento do câncer3 de mama4" e "Câncer3 de mama4 — a consulta médica".

 

Fonte: FDA, em 8 de março de 2019.

 

NEWS.MED.BR, 2019. FDA aprova o atezolizumabe, a primeira imunoterapia para câncer de mama. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/pharma-news/1334988/fda-aprova-o-atezolizumabe-a-primeira-imunoterapia-para-cancer-de-mama.htm>. Acesso em: 27 mai. 2019.

Complementos

1 Quimioterapia: Método que utiliza compostos químicos, chamados quimioterápicos, no tratamento de doenças causadas por agentes biológicos. Quando aplicada ao câncer, a quimioterapia é chamada de quimioterapia antineoplásica ou quimioterapia antiblástica.
2 Albumina: Proteína encontrada no plasma, com importantes funções, como equilíbrio osmótico, transporte de substâncias, etc.
3 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
4 Mama: Em humanos, uma das regiões pareadas na porção anterior do TÓRAX. As mamas consistem das GLÂNDULAS MAMÁRIAS, PELE, MÚSCULOS, TECIDO ADIPOSO e os TECIDOS CONJUNTIVOS.
5 Estudo randomizado: Ensaios clínicos comparativos randomizados são considerados o melhor delineamento experimental para avaliar questões relacionadas a tratamento e prevenção. Classicamente, são definidos como experimentos médicos projetados para determinar qual de duas ou mais intervenções é a mais eficaz mediante a alocação aleatória, isto é, randomizada, dos pacientes aos diferentes grupos de estudo. Em geral, um dos grupos é considerado controle - o que algumas vezes pode ser ausência de tratamento, placebo, ou mais frequentemente, um tratamento de eficácia reconhecida. Recursos estatísticos são disponíveis para validar conclusões e maximizar a chance de identificar o melhor tratamento. Esses modelos são chamados de estudos de superioridade, cujo objetivo é determinar se um tratamento em investigação é superior ao agente comparativo.
6 Placebo: Preparação neutra quanto a efeitos farmacológicos, ministrada em substituição a um medicamento, com a finalidade de suscitar ou controlar as reações, geralmente de natureza psicológica, que acompanham tal procedimento terapêutico.
7 Sobrevivência: 1. Ato ou efeito de sobreviver, de continuar a viver ou a existir. 2. Característica, condição ou virtude daquele ou daquilo que subsiste a um outro. Condição ou qualidade de quem ainda vive após a morte de outra pessoa. 3. Sequência ininterrupta de algo; o que subsiste de (alguma coisa remota no tempo); continuidade, persistência, duração.
8 Células: Unidades (ou subunidades) funcionais e estruturais fundamentais dos organismos vivos. São compostas de CITOPLASMA (com várias ORGANELAS) e limitadas por uma MEMBRANA CELULAR.
9 Tumor: Termo que literalmente significa massa ou formação de tecido. É utilizado em geral para referir-se a uma formação neoplásica.
10 Toxicidade: Capacidade de uma substância produzir efeitos prejudiciais ao organismo vivo.
11 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
12 Neutropenia: Queda no número de neutrófilos no sangue abaixo de 1000 por milímetro cúbico. Esta é a cifra considerada mínima para manter um sistema imunológico funcionando adequadamente contra os agentes infecciosos mais freqüentes. Quando uma pessoa neutropênica apresenta febre, constitui-se uma situação de “emergência infecciosa”.
13 Neuropatia periférica: Dano causado aos nervos que afetam os pés, as pernas e as mãos. A neuropatia causa dor, falta de sensibilidade ou formigamentos no local.
14 Neutrófilos: Leucócitos granulares que apresentam um núcleo composto de três a cinco lóbulos conectados por filamenos delgados de cromatina. O citoplasma contém grânulos finos e inconspícuos que coram-se com corantes neutros.
15 Fadiga: 1. Sensação de enfraquecimento resultante de esforço físico. 2. Trabalho cansativo. 3. Redução gradual da resistência de um material ou da sensibilidade de um equipamento devido ao uso continuado.
16 Anemia: Condição na qual o número de células vermelhas do sangue está abaixo do considerado normal para a idade, resultando em menor oxigenação para as células do organismo.
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