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Crianças e adolescentes que sobrevivem ao câncer apresentam risco aumentado para doenças cardiovasculares, segundo artigo do BMJ

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
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Crianças e adolescentes que sobrevivem ao câncer apresentam risco aumentado para doenças cardiovasculares, segundo artigo do BMJ

O estudo Childhood Cancer Survivor Study, publicado em dezembro de 2009 no BMJ, mostra que adultos jovens sobreviventes de câncer na infância ou na adolescência possuem maior risco de sofrer uma variedade de eventos cardiovasculares tais quais insuficiência cardíaca congestiva, infarto do miocárdio, doenças do pericárdio e alterações em válvulas cardíacas, mesmo após 30 anos da terapia contra o câncer. O risco aparentemente ocorre com exposição a doses mais baixas de antraciclinas e de radioterapia do que o reconhecido previamente por outras pesquisas.

Principais achados do estudo:

  • Doenças cardiovasculares contribuem para morbimortalidade precoce em crianças e adolescentes sobreviventes do câncer. Há aumento do risco para insuficiência cardíaca congestiva, infarto do miocárdio, doenças do pericárdio e alterações em válvulas cardíacas. Estudos prévios já tinham demonstrado o maior risco de mortalidade por doenças cardiovasculares. O presente estudo mostra o aumento da morbidade por estas doenças.
  • Eventos cardíacos, geralmente raros em adultos jovens, são significativamente mais frequentes nestes jovens sobreviventes do câncer do que no grupo controle. A incidência aumenta com o tempo do diagnóstico. Notavelmente com a exposição a antraciclinas ou à radioterapia cardíaca com uma dose de 1500 cGy ou maior.
  • A maioria dos estudos nesta área se limitaram aos sobreviventes de leucemia, linfoma Hodgkin's, tumor de Wilms e tumores ósseos, e a uma dose particular de radiação. O presente estudo amplia a gama de diagnósticos envolvidos neste tipo de pesquisa.
  • A antraciclina induz cardiomiopatia, como observado em estudos prévios. Também foi observada uma associação entre insuficiência cardíaca congestiva e exposição à cisplatina. A cardiomiopatia pode ser assintomática em 50% dos pacientes, mas pode ser detectada com exames complementares não invasivos. O desenvolvimento de agentes cardioprotetores e medidas preventivas pode ajudar a atenuar estes riscos no futuro.
  • Quanto ao infarto do miocárdio, o risco foi maior para os sobreviventes de linfoma Hodgking's e neuroblastoma, mas em uma dose de radiação mais baixa do que a observada anteriormente.
  • Para as doenças do pericárdio, observou-se um risco 3 a 10 vezes maior em sobreviventes do câncer comparados ao grupo controle em relação a todos os tumores examinados, exceto em sobreviventes de câncer renal.
  • O risco de alterações valvulares é cerca de cinco vezes maior para sobreviventes de vários tipos de tumores malignos e observou-se associação entre doença valvular e altas doses de antraciclina.

Os resultados mostram que esses pacientes precisam de monitoramento clínico, particularmente quando chegam na idade em que as doenças cardiovasculares tornam-se mais prevalentes. Outras pesquisas são necessárias para determinar a estratificação de risco para esses pacientes e para avaliar os benefícios e os custos para um rastreamento precoce de doenças cardiovasculares nesta população.

Fonte consultada: British Medical Journal - BMJ

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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