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USPSTF não recomenda o PSA como teste de triagem para o câncer de próstata, independente da idade do paciente

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O U.S. Preventive Services Task Force (USPSTF) não recomenda o PSA como teste de triagem para o câncer1 de próstata2, independente da idade. O trabalho foi publicado no Annals of Internal Medicine. A nova orientação não inclui o uso do PSA para monitorização depois do diagnóstico3 e do tratamento do câncer1 de próstata2, o uso de PSA para esta última indicação está fora do escopo do USPSTF.

Depois de uma revisão sistemática, o USPSTF não recomenda o exame de PSA como teste de triagem para o câncer1 de próstata2, independente da idade, com grau de recomendação D. O grau de recomendação D significa que o serviço não tem nenhum benefício líquido ou que os danos superam os benefícios. Na prática, a sugestão é desestimular o uso deste serviço. Os clínicos devem entender as evidências, mas individualizar a tomada de decisão para uma situação ou um paciente específico. O USPSTF reconhece que as decisões clínicas envolvem mais considerações do que apenas evidências.

Existem evidências convincentes de que os programas de rastreio do câncer1 de próstata2 com PSA resultam na detecção de muitos casos assintomáticos do tumor4 e que uma porcentagem substancial dos homens que têm câncer1 assintomático, detectado pelo exame de PSA, têm um tumor4 que ou não vai progredir ou irá progredir tão lentamente que teria permanecido assintomático durante toda a vida do paciente. Ou seja, os resultados baseados em rastreamento com PSA levam a um excesso considerável de diagnósticos.

A redução da mortalidade5 por câncer1 de próstata2 em 10 a 14 anos após rastreio com PSA é, no máximo, muito pequena, mesmo para os homens na faixa etária ótima de 55 a 69 anos.

Os danos da triagem incluem dor, febre6, sangramento, infecção7 e dificuldades urinárias transitórias associadas ao câncer1 de próstata2. Além de danos psicológicos devido a resultados falso-positivos, levando a biópsias8 e sobrediagnósticos.

Os malefícios do tratamento incluem a disfunção erétil, incontinência urinária9, disfunção intestinal e um pequeno risco para morte prematura. Devido à atual incapacidade de distinguir com segurança tumores que permanecerão indolentes, daqueles destinados a serem letais, muitos homens estão sendo submetidos aos danos do tratamento para um câncer1 de próstata2 que nunca se tornará sintomático10. Os benefícios do rastreamento com PSA para o câncer1 de próstata2 não compensam os danos.

Entendendo porque não fazer o rastreamento com o PSA, segundo as recomendações do USPSTF

A triagem pode beneficiar um pequeno número de pacientes, mas resulta em danos a muitos pacientes. Uma pessoa pode escolher fazer o teste quando acredita que o benefício supera os riscos.

Quais são os malefícios e os benefícios em 10 anos de rastrear mil homens com idades entre 55 e 69 anos* com teste de PSA a cada 1-4 anos?

Redução do risco de morrer por câncer1 de próstata2 em 10 anos:

Benefícios possíveis com o rastreamento Número de pacientes
Morrer por câncer1 de próstata2 sem rastreamento  5 em 1000
Morrer por câncer1 de próstata2 com rastreamento 4-5 em 1000
Não morrer pelo câncer1 de próstata2 por causa do rastreamento 0-1 em 1000

 

Malefícios possíveis com o rastreamento Número de pacientes
Pelo menos um teste de PSA falso-positivo. Resultados positivos levam a mais biópsias8. Dos homens com biópsia11, até 33% terão sintomas12 incômodos moderados ou graves, incluindo dor, sangramento, febre6, infecção7 e dificuldades urinárias temporárias; 1% vai ser hospitalizado. 100-120 em 1000
Diagnóstico3 de câncer1 de próstata2
Embora um diagnóstico3 de câncer1 de próstata2 não possa ser considerado um dano, atualmente 90% dos homens diagnosticados são tratados e, assim, estão em risco para o danos causados pelo tratamento. A grande maioria dos homens que está sendo tratada ficaria bem sem o tratamento. Uma porcentagem significativa destes homens teria permanecido assintomática por toda a vida. 110 em 1000
Complicações do tratamento (para aqueles que foram rastreados) **
Desenvolvem sérios eventos cardiovasculares relacionados ao tratamento 2 em 1000
Desenvolvem trombose venosa profunda13 ou embolia14 pulmonar relacionada ao tratamento 1 em 1000
Desenvolvem disfunção erétil relacionada ao tratamento 29 em 1000
Desenvolvem incontinência urinária9 relacionada ao tratamento 18 em 1000
Morrem devido ao tratamento 1 em 1000

PSA = Antígeno15 Prostático Específico.

Obs: o desenho da tabela é adaptado de Woloshin e Schwartz. Os cálculos dos benefícios e malefícios baseiam-se em pressupostos e são, por natureza, um tanto imprecisos. As estimativas devem ser consideradas no contexto clínico para a tomada de decisão e usadas para estimular a tomada de decisão compartilhada.

*A melhor evidência dos possíveis benefícios do rastreamento com o PSA é em homens com idades entre 55 e 69 anos.

**A taxa de complicações depende da proporção de homens em tratamento e o método de tratamento. A tabela reflete uma distribuição de 60% de tratamento cirúrgico, 30% de radiação e 10% de observação. Outros danos da radiação, tais como os danos causados ao intestino não são mostrados.

Embora o USPSTF desencoraje o uso do PSA para triagem, ele reconhece o uso comum deste exame na prática médica e entende que alguns homens continuarão a solicitar a triagem e alguns médicos vão continuar a oferecê-la. A decisão de iniciar ou continuar o rastreio com o PSA deve refletir uma compreensão explícita dos possíveis benefícios e danos e respeitar as preferências dos pacientes. Os médicos não devem oferecer ou solicitar o PSA de triagem, a menos que eles estejam preparados para se envolverem na tomada de decisão que permite uma escolha informada pelos pacientes. Da mesma forma, pacientes que solicitam exame de PSA devem ter a oportunidade de fazer escolhas informadas sobre benefícios e danos específicos.

Atualização da Recomendação do USPSTF de 2008

A atual recomendação substitui a de 2008. O USPSTF anteriormente não recomendava triagem do câncer1 de próstata2 com o PSA para homens com 75 anos ou mais. A recomendação atual é de que o rastreamento com o PSA não seja feito também em homens mais jovens.

Recomendações de outras associações e sociedades

  • A Associação Americana de Urologia recomenda que o exame de PSA, em conjunto com um exame de toque retal, devem ser oferecidos para homens assintomáticos com 40 anos ou mais que querem ser avaliados, se a expectativa de vida16 estimada é superior a 10 anos . Esta orientação está atualmente sendo atualizada.
  • A American Cancer1 Society enfatiza a tomada de decisão para o rastreio do câncer1 da próstata2: homens com risco médio devem receber informações, começando na idade de 50 anos, e os homens negros ou homens com história familiar de câncer1 de próstata2 devem receber informações a partir da idade de 45 anos.
  • O Colégio Americano de Medicina Preventiva recomenda que os clínicos discutam os potenciais benefícios e riscos do rastreio com o PSA com homens em idades de 50 anos ou mais, considerando as preferências de seus pacientes e individualizando as decisões de rastreio.
  • A Academia Americana de Médicos de Família está em processo de atualização de suas orientações.
  • O American College of Physicians está desenvolvendo uma orientação sobre este tema.

Fonte: Annals of Internal Medicine

 

 

NEWS.MED.BR, 2012. USPSTF não recomenda o PSA como teste de triagem para o câncer de próstata, independente da idade do paciente. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/300445/uspstf-nao-recomenda-o-psa-como-teste-de-triagem-para-o-cancer-de-prostata-independente-da-idade-do-paciente.htm>. Acesso em: 15 nov. 2019.

Complementos

1 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
2 Próstata: Glândula que (nos machos) circunda o colo da BEXIGA e da URETRA. Secreta uma substância que liquefaz o sêmem coagulado. Está situada na cavidade pélvica (atrás da parte inferior da SÍNFISE PÚBICA, acima da camada profunda do ligamento triangular) e está assentada sobre o RETO.
3 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
4 Tumor: Termo que literalmente significa massa ou formação de tecido. É utilizado em geral para referir-se a uma formação neoplásica.
5 Mortalidade: A taxa de mortalidade ou coeficiente de mortalidade é um dado demográfico do número de óbitos, geralmente para cada mil habitantes em uma dada região, em um determinado período de tempo.
6 Febre: É a elevação da temperatura do corpo acima dos valores normais para o indivíduo. São aceitos como valores de referência indicativos de febre: temperatura axilar ou oral acima de 37,5°C e temperatura retal acima de 38°C. A febre é uma reação do corpo contra patógenos.
7 Infecção: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
8 Biópsias: 1. Retirada de material celular ou de um fragmento de tecido de um ser vivo para determinação de um diagnóstico. 2. Exame histológico e histoquímico. 3. Por metonímia, é o próprio material retirado para exame.
9 Incontinência urinária: Perda do controle da bexiga que provoca a passagem involuntária de urina através da uretra. Existem diversas causas e tipos de incontinência e muitas opções terapêuticas. Estas vão desde simples exercícios de fisioterapia até complicadas cirurgias. As mulheres são mais freqüentemente acometidas por este problema.
10 Sintomático: 1. Relativo a ou que constitui sintoma. 2. Que é efeito de alguma doença. 3. Por extensão de sentido, é o que indica um particular estado de coisas, de espírito; revelador, significativo.
11 Biópsia: 1. Retirada de material celular ou de um fragmento de tecido de um ser vivo para determinação de um diagnóstico. 2. Exame histológico e histoquímico. 3. Por metonímia, é o próprio material retirado para exame.
12 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
13 Trombose Venosa Profunda: Caracteriza-se pela formação de coágulos no interior das veias profundas da perna. O que mais chama a atenção é o edema (inchaço) e a dor, normalmente restritos a uma só perna. O edema pode se localizar apenas na panturrilha e pé ou estar mais exuberante na coxa, indicando que o trombo se localiza nas veias profundas dessa região ou mais acima da virilha. Uma de suas principais conseqüências a curto prazo é a embolia pulmonar, que pode deixar seqüelas ou mesmo levar à morte. Fatores individuais de risco são: varizes de membros inferiores, idade maior que 40 anos, obesidade, trombose prévia, uso de anticoncepcionais, terapia de reposição hormonal, entre outras.
14 Embolia: Impactação de uma substância sólida (trombo, colesterol, vegetação, inóculo bacteriano), líquida ou gasosa (embolia gasosa) em uma região do circuito arterial com a conseqüente obstrução do fluxo e isquemia.
15 Antígeno: 1. Partícula ou molécula capaz de deflagrar a produção de anticorpo específico. 2. Substância que, introduzida no organismo, provoca a formação de anticorpo.
16 Expectativa de vida: A expectativa de vida ao nascer é o número de anos que se calcula que um recém-nascido pode viver caso as taxas de mortalidade registradas da população residente, no ano de seu nascimento, permaneçam as mesmas ao longo de sua vida.
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