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Maior ingestão de conservantes alimentares está associada ao diabetes tipo 2

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Pessoas que consomem mais conservantes alimentares podem ter um risco maior de desenvolver diabetes tipo 21, de acordo com um estudo publicado na revista Nature Communications.

A análise incluiu registros alimentares repetidos de 24 horas de quase 109.000 adultos na França. Entre 2009 e 2023, cerca de 1.100 pessoas desse grupo maior foram diagnosticadas com diabetes tipo 21. Os pesquisadores descobriram que os participantes expostos a mais aditivos alimentares conservantes tinham maior probabilidade de desenvolver diabetes tipo 21, mesmo após ajustes para o conteúdo nutricional.

Os conservantes são amplamente utilizados para prolongar a vida útil de alimentos industrializados2, mas pesquisas anteriores sugeriram que alguns desses aditivos podem ter efeitos metabólicos adversos.

Dos 17 conservantes utilizados por pelo menos 10% da população estudada, 12 foram associados a uma maior incidência3 de diabetes tipo 21. Isso incluiu tanto aditivos não antioxidantes, como o sorbato de potássio, quanto aditivos antioxidantes, como o ácido cítrico.

Outro estudo publicado recentemente, realizado com o mesmo grupo de participantes, associou alguns conservantes a um risco aumentado de câncer4.

Os pesquisadores sugeriram que os consumidores optem por alimentos minimamente processados sempre que possível.

Leia sobre "Diabetes tipo 21", "O que é uma alimentação saudável" e "Os perigos dos sucos em caixinhas".

Leia a seguir o resumo do artigo publicado.

Associações entre aditivos alimentares conservantes e incidência3 de diabetes tipo 21 na coorte5 prospectiva NutriNet-Santé

Estudos experimentais sugeriram potenciais efeitos adversos de aditivos alimentares conservantes, mas faltam dados epidemiológicos. O objetivo deste estudo foi investigar as associações entre a exposição a esses compostos e a incidência3 de diabetes tipo 21 na coorte5 prospectiva NutriNet-Santé (n = 108.723; 79,2% mulheres; idade média = 42,5 [DP = 14,6]; França, 2009-2023).

A ingestão alimentar é avaliada por meio de registros alimentares repetidos de 24 horas. A exposição é avaliada por meio de múltiplos bancos de dados de composição e análises laboratoriais ad hoc em matrizes alimentares. As associações entre a exposição cumulativa a conservantes e a incidência3 de diabetes6 são caracterizadas usando modelos de Cox multivariados.

O total de conservantes engloba 58 substâncias. Destas, 17 são consumidas por pelo menos 10% da população do estudo e, portanto, investigadas individualmente.

Treze (12 após correção para testes múltiplos) conservantes individuais amplamente utilizados estão associados a uma maior incidência3 de diabetes6 (n = 1.131 casos):

  • Sorbato de potássio
  • Metabissulfito de potássio
  • Nitrito de sódio
  • Ácidos acético, cítrico e fosfórico
  • Acetatos de sódio
  • Propionato de cálcio
  • Ascorbato de sódio
  • Alfa-tocoferol
  • Eritorbato de sódio
  • Extratos de alecrim

Esses achados exigem uma reavaliação da segurança desses conservantes e reforçam as recomendações para priorizar alimentos frescos e minimamente processados, sem aditivos desnecessários.

Veja também: "Diabetes tipo 21 tem cura? Evidências atuais e estratégias de controle" e "10 mitos nutricionais".

 

Fontes:
Nature Communications, publicação em 07 de janeiro de 2026.
JAMA, notícia publicada em 23 de janeiro de 2026.

 

NEWS.MED.BR, 2026. Maior ingestão de conservantes alimentares está associada ao diabetes tipo 2. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1499300/maior-ingestao-de-conservantes-alimentares-esta-associada-ao-diabetes-tipo-2.htm>. Acesso em: 29 jan. 2026.

Complementos

1 Diabetes tipo 2: Condição caracterizada por altos níveis de glicose causada tanto por graus variáveis de resistência à insulina quanto por deficiência relativa na secreção de insulina. O tipo 2 se desenvolve predominantemente em pessoas na fase adulta, mas pode aparecer em jovens.
2 Alimentos industrializados: São aqueles que passam por processamento industrial (larga escala) ou doméstico, contendo elementos químicos. Este processo de transformação, mesmo que caseiro, é percebido como menos saudável que o natural. Geralmente estes produtos sofrem junção com outro tipo de produto, como conservantes, ou alterações em sua temperatura. Exemplo: qualquer produto enlatado, engarrafado ou embutidos.
3 Incidência: Medida da freqüência em que uma doença ocorre. Número de casos novos de uma doença em um certo grupo de pessoas por um certo período de tempo.
4 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
5 Coorte: Grupo de indivíduos que têm algo em comum ao serem reunidos e que são observados por um determinado período de tempo para que se possa avaliar o que ocorre com eles. É importante que todos os indivíduos sejam observados por todo o período de seguimento, já que informações de uma coorte incompleta podem distorcer o verdadeiro estado das coisas. Por outro lado, o período de tempo em que os indivíduos serão observados deve ser significativo na história natural da doença em questão, para que haja tempo suficiente do risco se manifestar.
6 Diabetes: Nome que designa um grupo de doenças caracterizadas por diurese excessiva. A mais frequente é o Diabetes mellitus, ainda que existam outras variantes (Diabetes insipidus) de doença nas quais o transtorno primário é a incapacidade dos rins de concentrar a urina.
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