Como a disponibilidade de nutrientes influencia a disseminação do câncer de mama
Cientistas obtiveram novos conhecimentos sobre como a disponibilidade de nutrientes em diferentes órgãos afeta a disseminação, ou metástase1, do câncer2 de mama3 pelo corpo.
Em um estudo com camundongos, liderado em conjunto por pesquisadores da Harvard Medical School, do Massachusetts General Hospital e do MIT, a equipe descobriu que nenhum nutriente isolado explica por que o câncer2 de mama3 cresce em um órgão e não em outro. Em vez disso, múltiplos nutrientes e características das células4 cancerígenas atuam em conjunto para moldar a disseminação da doença.
A equipe também descobriu que as células4 cancerígenas da mama3 necessitam do nutriente purina para metastatizar, independentemente de sua localização ou de outros nutrientes disponíveis.
Como a pesquisa foi realizada em camundongos, os resultados precisarão ser replicados em humanos para confirmar se o processo é conservado entre as espécies.
A pesquisa, publicada na revista Nature, aprofunda a compreensão da metástase1 do câncer2 e é um passo importante para o aprimoramento dos tratamentos para o câncer2 de mama3.
“A longo prazo, esperamos que este tipo de trabalho ajude a personalizar a terapia contra o câncer2 com base em onde os tumores provavelmente se espalharão e como eles se alimentam depois de chegarem lá”, disse o co-autor sênior5 Rakesh Jain, professor de radio6-oncologia da HMS no Mass General.
Leia sobre "Câncer2 in situ7 e câncer2 invasivo", "O que são metástases8" e "Oncogênese".
Apesar dos consideráveis avanços no tratamento nos últimos anos, o câncer2 de mama3 continua sendo o segundo câncer2 mais comum e a segunda principal causa de morte por câncer2 entre as mulheres nos EUA. No Brasil, em mulheres, é o câncer2 mais comum e a principal causa de morte por câncer2.
Um dos desafios é que os cientistas ainda não entendem completamente como o câncer2 de mama3 metastatiza, incluindo por que os tumores crescem melhor em alguns órgãos do que em outros.
Jain e seus colegas queriam saber se certos nutrientes são mais importantes do que outros para permitir esse crescimento diferencial entre os órgãos.
Em seu novo artigo, os pesquisadores primeiro avaliaram o “panorama nutricional” que as células4 cancerígenas experimentam, medindo os níveis de mais de 100 nutrientes no cérebro9, plasma sanguíneo10 e órgãos de camundongos. Em seguida, eles modificaram geneticamente células4 de câncer2 de mama3 para que parassem de produzir nutrientes específicos, como serina, arginina ou purinas, e injetaram essas células4 cancerígenas com restrição de nutrientes nos camundongos para observar onde elas cresciam.
“Isso nos permitiu testar se as células4 cancerígenas não conseguem crescer caso não consigam produzir um nutriente que esteja faltando em um órgão específico”, explicou Jain. “Por exemplo, se um tumor11 não consegue produzir serina e o cérebro9 tem baixos níveis de serina, isso impede a metástase1 para o cérebro9?”
Ao contrário do que esperavam, a equipe descobriu que os padrões de metástase1 não podiam ser totalmente explicados pela presença ou ausência de um único nutriente. Por exemplo, alguns nutrientes, como as purinas, eram essenciais para o crescimento tumoral em diversos órgãos, enquanto outros, como a serina ou a arginina, tinham efeitos variáveis dependendo do órgão e do tipo de célula12 cancerígena.
Além disso, mesmo quando um nutriente estava em falta em um tecido13, os tumores ainda conseguiam crescer encontrando outras maneiras de se adaptar, como, por exemplo, aproveitar nutrientes de células4 próximas.
“Este estudo mostra que a capacidade do câncer2 de se espalhar não é ditada pela falta de um único nutriente, mas sim por uma combinação complexa de características intrínsecas da célula12 e do ambiente local”, disse Jain.
No entanto, as descobertas ainda fornecem informações importantes sobre a biologia do câncer2 e os esforços de tratamento.
A descoberta da equipe de que a síntese de purinas é um requisito universal para a metástase1 do câncer2 de mama3 pode apontar para potenciais alvos terapêuticos que podem ajudar a prevenir ou tratar metástases8 de forma mais abrangente em diversos tecidos.
Os resultados também desafiam a noção de que a metástase1 no câncer2 de mama3 pode ser interrompida ao ter como alvo uma única via de nutrientes. Em vez disso, disse Jain, os pesquisadores devem adotar uma abordagem mais holística, considerando as combinações de nutrientes disponíveis, as vulnerabilidades genéticas nas células4 cancerígenas e como as células4 interagem com as células4 vizinhas.
Agora, os pesquisadores estão interessados em explorar se combinações de terapias, incluindo inibidores metabólicos, podem bloquear seletivamente o crescimento tumoral em certos órgãos. Eles também querem entender melhor as estratégias que as células4 cancerígenas usam para se adaptar a ambientes com nutrientes limitados. Finalmente, eles gostariam de expandir sua pesquisa para outros tipos de câncer2.
Veja também sobre "Câncer2 de mama3 - o que é" e "Câncer2 de mama3: tumores metastáticos localizados nos ossos".
Confira a seguir o resumo do artigo publicado.
Requisitos nutricionais para metástase1 órgão-específica no câncer2 de mama3
A metástase1 do câncer2 é uma das principais causas de morbidade14 e mortalidade15 em pacientes, porém os fatores que determinam os órgãos onde o câncer2 pode metastatizar ainda não são totalmente compreendidos.
Neste estudo, quantificou-se os níveis absolutos de 124 metabólitos16 em múltiplos tecidos de camundongos e investigou-se como isso se relaciona com a capacidade das células4 de câncer2 de mama3 de crescerem em diferentes órgãos.
Modificou-se geneticamente células4 de câncer2 de mama3 com amplo potencial metastático para serem auxotróficas para nutrientes específicos e avaliou-se sua capacidade de colonizar diferentes sítios teciduais. Em seguida, investigou-se como o crescimento tumoral em diferentes tecidos se relaciona com a disponibilidade de nutrientes e a atividade biossintética do tumor11.
Foi descoberto que nutrientes isolados não definem os locais onde as células4 de câncer2 de mama3 podem crescer como metástases8. Além disso, identificou-se a síntese de purinas como um requisito para o crescimento tumoral e a metástase1 em diversos tecidos e constatou-se que esse fenótipo17 é independente da disponibilidade de nucleotídeos no tecido13 ou da atividade de nova síntese de nucleotídeos no tumor11.
Esses dados sugerem que uma interação complexa entre múltiplos nutrientes dentro do microambiente determina os locais potenciais de crescimento metastático do câncer2 e destaca a interdependência entre fatores ambientais extrínsecos e propriedades celulares intrínsecas na influência sobre onde as células4 do câncer2 de mama3 podem crescer como metástases8.
Fontes:
Nature, publicação em 07 de janeiro de 2026.
Harvard Medical School, notícia publicada em 09 de janeiro de 2026.










