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HPV de alto risco em mulheres aumenta risco de morte por doença cardíaca

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Mulheres com cepas1 de alto risco do papilomavírus humano (HPV) apresentavam um risco muito maior de morte por certos tipos de doenças cardiovasculares2 (DCV), descobriu um estudo de coorte3 prospectivo4 realizado na Coreia e publicado no European Heart Journal.

Em comparação com mulheres sem cepas1 de alto risco, aquelas com HPV de alto risco tiveram um risco mais de três vezes maior de morte por DCV aterosclerótica (DCVA) e doença cardíaca isquêmica, relataram Yoosoo Chang, MD, PhD, do Hospital Kangbuk Samsung em Seul, Coreia do Sul, e colegas.

O maior risco de morte devido a DCVA entre mulheres com HPV de alto risco foi ainda maior quando o excesso de peso ou a obesidade5 também foram um fator.

“O HPV é predominantemente conhecido pelo seu papel na causa do câncer6 do colo do útero7 e de outros tipos de câncer6, de forma que a descoberta do seu impacto significativo na mortalidade8 cardiovascular abre novos caminhos para a compreensão dos efeitos sistêmicos9 deste vírus”, disse o co-autor Hae Suk Cheong, MD, PhD, também do Hospital Kangbuk Samsung.

“Este conhecimento é crucial para os prestadores de cuidados de saúde10, pois sublinha a importância de considerar o estado de HPV de alto risco na avaliação global do risco cardiovascular das pacientes”, disse Cheong.

Saiba mais sobre "HPV (Papilomavírus humano)", "Doenças cardiovasculares2" e "Sinais11 de doenças cardíacas em mulheres".

Em sua análise, os pesquisadores ajustaram os fatores de risco de DCV e outros possíveis fatores de confusão, com modelos mostrando resultados semelhantes quando também contabilizaram triglicerídeos, colesterol12 LDL13 e HDL14, modelo de avaliação homeostática para resistência à insulina15 (HOMA-IR16) e proteína C-reativa de alta sensibilidade.

“Essas descobertas, quando somadas a outras evidências que ligam o HPV e outros vírus17 a uma maior mortalidade8 por DCV, constituem um forte argumento para aceitar os vírus17 como fatores de risco para resultados adversos da DCVA”, escreveu James Lawson, MD, da Universidade de Nova Gales do Sul em Sydney e colegas, em um editorial que acompanhou a publicação do estudo.

Existem dois mecanismos que poderiam explicar como as infecções18 por HPV podem contribuir para a DCV, de acordo com os editorialistas: “Primeiro, os vírus17 poderiam invadir diretamente as placas19 ateroscleróticas, causando assim a progressão e/ou instabilidade da placa20. Segundo, eles poderiam desencadear uma resposta inflamatória sistêmica e produzir alterações pró-trombóticas21 agudas através da ativação de plaquetas22 ou da coagulabilidade sanguínea.”

“A evidência de que os vírus17 em geral e o HPV em particular aumentam o risco de resultados adversos da DCVA tornou-se suficientemente convincente para se somar ao já forte argumento a favor da vacinação contra os vírus17 da gripe23, SARS-CoV-2 e HPV”, comentaram Lawson e co-autores.

No artigo publicado, os pesquisadores relatam que a infecção24 pelo papilomavírus humano de alto risco (HPV-AR) – um fator de risco25 bem estabelecido para câncer6 cervical – tem associações com doenças cardiovasculares2 (DCV). No entanto, a sua relação com a mortalidade8 por DCV permanece incerta. Este estudo examinou as associações entre infecção24 por HPV-AR e mortalidade8 por DCV.

Como parte de um exame de saúde10, 163.250 mulheres coreanas livres de DCV (idade média: 40,2 anos) foram submetidas a exames de HPV-AR e foram acompanhadas por até 17 anos (mediana: 8,6 anos). Os registros nacionais de óbitos identificaram os casos de mortalidade8 por DCV. Razões de risco (HR) e intervalos de confiança (IC) de 95% para mortalidade8 por DCV foram estimados usando análises de regressão de risco proporcional de Cox.

Durante 1.380.953 pessoas-ano de acompanhamento, ocorreram 134 mortes por DCV, com uma taxa de mortalidade8 de 9,1 por 105 pessoas-ano para mulheres com HPV-AR(-) e 14,9 por 105 pessoas-ano para mulheres com HPV-AR(+).

Após ajuste para fatores de risco tradicionais de DCV e fatores de confusão, as HRs (IC 95%) para DCV aterosclerótica (DCVA), doença cardíaca isquêmica (DCI) e mortalidade8 por acidente vascular cerebral26 em mulheres com infecção24 por HPV-AR em comparação com aquelas sem infecção24 foram de 3,91 (1,85-8,26), 3,74 (1,53-9,14) e 5,86 (0,86-40,11), respectivamente.

A associação entre infecção24 por HPV-AR e mortalidade8 por DCVA foi mais forte em mulheres com obesidade5 do que naquelas sem obesidade5 (P para interação = 0,006), com HRs correspondentes (IC 95%) de 4,81 (1,55-14,93) para mulheres obesas e 2,86 (1,04-7,88) para mulheres não obesas.

Neste estudo de coorte3 de mulheres coreanas jovens e de meia-idade, com baixo risco de mortalidade8 por DCV, aquelas com infecção24 por HPV de alto risco apresentaram taxas de mortalidade8 mais altas por DCV, especificamente DCVA e DCI, com uma tendência mais pronunciada em mulheres obesas.

Leia sobre "Preventivo27 ou Exame de Papanicolau28", "Câncer6 do colo do útero7" e "Aterosclerose29".

 

Fontes:
European Heart Journal, publicação em 07 de fevereiro de 2024.
MedPage Today, notícia publicada em 07 de fevereiro de 2024.

 

NEWS.MED.BR, 2024. HPV de alto risco em mulheres aumenta risco de morte por doença cardíaca. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1466667/hpv-de-alto-risco-em-mulheres-aumenta-risco-de-morte-por-doenca-cardiaca.htm>. Acesso em: 19 jun. 2024.

Complementos

1 Cepas: Cepa ou estirpe é um termo da biologia e da genética que se refere a um grupo de descendentes com um ancestral comum que compartilham semelhanças morfológicas e/ou fisiológicas.
2 Doenças cardiovasculares: Doença do coração e vasos sangüíneos (artérias, veias e capilares).
3 Estudo de coorte: Um estudo de coorte é realizado para verificar se indivíduos expostos a um determinado fator apresentam, em relação aos indivíduos não expostos, uma maior propensão a desenvolver uma determinada doença. Um estudo de coorte é constituído, em seu início, de um grupo de indivíduos, denominada coorte, em que todos estão livres da doença sob investigação. Os indivíduos dessa coorte são classificados em expostos e não-expostos ao fator de interesse, obtendo-se assim dois grupos (ou duas coortes de comparação). Essas coortes serão observadas por um período de tempo, verificando-se quais indivíduos desenvolvem a doença em questão. Os indivíduos expostos e não-expostos devem ser comparáveis, ou seja, semelhantes quanto aos demais fatores, que não o de interesse, para que as conclusões obtidas sejam confiáveis.
4 Prospectivo: 1. Relativo ao futuro. 2. Suposto, possível; esperado. 3. Relativo à preparação e/ou à previsão do futuro quanto à economia, à tecnologia, ao plano social etc. 4. Em geologia, é relativo à prospecção.
5 Obesidade: Condição em que há acúmulo de gorduras no organismo além do normal, mais severo que o sobrepeso. O índice de massa corporal é igual ou maior que 30.
6 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
7 Colo do útero: Porção compreendendo o pescoço do ÚTERO (entre o ístmo inferior e a VAGINA), que forma o canal cervical.
8 Mortalidade: A taxa de mortalidade ou coeficiente de mortalidade é um dado demográfico do número de óbitos, geralmente para cada mil habitantes em uma dada região, em um determinado período de tempo.
9 Sistêmicos: 1. Relativo a sistema ou a sistemática. 2. Relativo à visão conspectiva, estrutural de um sistema; que se refere ou segue um sistema em seu conjunto. 3. Disposto de modo ordenado, metódico, coerente. 4. Em medicina, é o que envolve o organismo como um todo ou em grande parte.
10 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
11 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
12 Colesterol: Tipo de gordura produzida pelo fígado e encontrada no sangue, músculos, fígado e outros tecidos. O colesterol é usado pelo corpo para a produção de hormônios esteróides (testosterona, estrógeno, cortisol e progesterona). O excesso de colesterol pode causar depósito de gordura nos vasos sangüíneos. Seus componentes são: HDL-Colesterol: tem efeito protetor para as artérias, é considerado o bom colesterol. LDL-Colesterol: relacionado às doenças cardiovasculares, é o mau colesterol. VLDL-Colesterol: representa os triglicérides (um quinto destes).
13 LDL: Lipoproteína de baixa densidade, encarregada de transportar colesterol através do sangue. Devido à sua tendência em depositar o colesterol nas paredes arteriais e a produzir aterosclerose, tem sido denominada “mau colesterol“.
14 HDL: Abreviatura utilizada para denominar um tipo de proteína encarregada de transportar o colesterol sanguíneo, que se relaciona com menor risco cardiovascular. Também é conhecido como “Bom Colesterol”. Seus valores normais são de 35-50mg/dl.
15 Resistência à insulina: Inabilidade do corpo para responder e usar a insulina produzida. A resistência à insulina pode estar relacionada à obesidade, hipertensão e altos níveis de colesterol no sangue.
16 HOMA-IR: O cálculo do índice HOMA-IR, do inglês, Homeostatic Model Assessment , é feito com base nas dosagens de insulina e glicemia de jejum e ajuda a determinar o grau de resistência à insulina.
17 Vírus: Pequeno microorganismo capaz de infectar uma célula de um organismo superior e replicar-se utilizando os elementos celulares do hospedeiro. São capazes de causar múltiplas doenças, desde um resfriado comum até a AIDS.
18 Infecções: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
19 Placas: 1. Lesões achatadas, semelhantes à pápula, mas com diâmetro superior a um centímetro. 2. Folha de material resistente (metal, vidro, plástico etc.), mais ou menos espessa. 3. Objeto com formato de tabuleta, geralmente de bronze, mármore ou granito, com inscrição comemorativa ou indicativa. 4. Chapa que serve de suporte a um aparelho de iluminação que se fixa em uma superfície vertical ou sobre uma peça de mobiliário, etc. 5. Placa de metal que, colocada na dianteira e na traseira de um veículo automotor, registra o número de licenciamento do veículo. 6. Chapa que, emitida pela administração pública, representa sinal oficial de concessão de certas licenças e autorizações. 7. Lâmina metálica, polida, usualmente como forma em processos de gravura. 8. Área ou zona que difere do resto de uma superfície, ordinariamente pela cor. 9. Mancha mais ou menos espessa na pele, como resultado de doença, escoriação, etc. 10. Em anatomia geral, estrutura ou órgão chato e em forma de placa, como uma escama ou lamela. 11. Em informática, suporte plano, retangular, de fibra de vidro, em que se gravam chips e outros componentes eletrônicos do computador. 12. Em odontologia, camada aderente de bactérias que se forma nos dentes.
20 Placa: 1. Lesão achatada, semelhante à pápula, mas com diâmetro superior a um centímetro. 2. Folha de material resistente (metal, vidro, plástico etc.), mais ou menos espessa. 3. Objeto com formato de tabuleta, geralmente de bronze, mármore ou granito, com inscrição comemorativa ou indicativa. 4. Chapa que serve de suporte a um aparelho de iluminação que se fixa em uma superfície vertical ou sobre uma peça de mobiliário, etc. 5. Placa de metal que, colocada na dianteira e na traseira de um veículo automotor, registra o número de licenciamento do veículo. 6. Chapa que, emitida pela administração pública, representa sinal oficial de concessão de certas licenças e autorizações. 7. Lâmina metálica, polida, usualmente como forma em processos de gravura. 8. Área ou zona que difere do resto de uma superfície, ordinariamente pela cor. 9. Mancha mais ou menos espessa na pele, como resultado de doença, escoriação, etc. 10. Em anatomia geral, estrutura ou órgão chato e em forma de placa, como uma escama ou lamela. 11. Em informática, suporte plano, retangular, de fibra de vidro, em que se gravam chips e outros componentes eletrônicos do computador. 12. Em odontologia, camada aderente de bactérias que se forma nos dentes.
21 Trombóticas: Relativo à trombose, ou seja, à formação ou desenvolvimento de um trombo (coágulo).
22 Plaquetas: Elemento do sangue (não é uma célula porque não apresenta núcleo) produzido na medula óssea, cuja principal função é participar da coagulação do sangue através da formação de conglomerados que tamponam o escape do sangue por uma lesão em um vaso sangüíneo.
23 Gripe: Doença viral adquirida através do contágio interpessoal que se caracteriza por faringite, febre, dores musculares generalizadas, náuseas, etc. Sua duração é de aproximadamente cinco a sete dias e tem uma maior incidência nos meses frios. Em geral desaparece naturalmente sem tratamento, apenas com medidas de controle geral (repouso relativo, ingestão de líquidos, etc.). Os antibióticos não funcionam na gripe e não devem ser utilizados de rotina.
24 Infecção: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
25 Fator de risco: Qualquer coisa que aumente a chance de uma pessoa desenvolver uma doença.
26 Acidente vascular cerebral: Conhecido popularmente como derrame cerebral, o acidente vascular cerebral (AVC) ou encefálico é uma doença que consiste na interrupção súbita do suprimento de sangue com oxigênio e nutrientes para o cérebro, lesando células nervosas, o que pode resultar em graves conseqüências, como inabilidade para falar ou mover partes do corpo. Há dois tipos de derrame, o isquêmico e o hemorrágico.
27 Preventivo: 1. Aquilo que previne ou que é executado por medida de segurança; profilático. 2. Na medicina, é qualquer exame ou grupo de exames que têm por objetivo descobrir precocemente lesão suscetível de evolução ameaçadora da vida, como as lesões malignas. 3. Em ginecologia, é o exame ou conjunto de exames que visa surpreender a presença de lesão potencialmente maligna, ou maligna em estágio inicial, especialmente do colo do útero.
28 Papanicolau: Método de coloração para amostras de tecido, particularmente difundido por sua utilização na detecção precoce do câncer de colo uterino.
29 Aterosclerose: Tipo de arteriosclerose caracterizado pela formação de placas de ateroma sobre a parede das artérias.
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