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Risco de transtornos afetivos e comportamentais aumentou em crianças após traumatismo cranioencefálico leve

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O risco de um novo transtorno afetivo ou comportamental é aumentado em crianças até quatro anos após sofrerem traumatismo1 cranioencefálico leve (TCE-l), de acordo com um estudo publicado na revista Pediatrics.

Richard L. Delmonico, PhD, do Kaiser Permanente Vallejo Medical Center, na Califórnia, e colegas conduziram um estudo de coorte2 de casos de TCE-l.

No artigo, os pesquisadores relatam que estudos recentes documentam uma associação entre traumatismos cranioencefálicos leves (TCE-ls) em crianças e transtornos psiquiátricos pós-lesão3. No entanto, esses estudos estavam sujeitos a limitações no desenho, falta de acompanhamento em longo prazo e resultados psiquiátricos mal definidos.

Este novo estudo determina a incidência4 e o risco relativo de novos transtornos afetivos e comportamentais pós-lesão3 4 anos após TCE-ls.

Foi realizado um estudo de coorte2 de casos de TCE-l e comparações correspondentes dentro de um sistema integrado de saúde5. O grupo de TCE-l incluiu pacientes ≤17 anos de idade, com diagnóstico6 de TCE-l de 2000 a 2014 (N = 18.917). As comparações incluíram 2 pacientes não expostos (N = 37.834) para cada paciente exposto ao TCE-l, selecionados aleatoriamente e pareados por idade, sexo, raça/etnia e data da consulta médica (data de referência à lesão3 do TCE-l).

Os resultados incluíram um diagnóstico6 de transtornos afetivos ou comportamentais nos 4 anos após o TCE-l ou na data de referência.

Os riscos ajustados para transtornos afetivos foram significativamente maiores nos primeiros 3 anos após a lesão3 para o grupo de TCE-l, especialmente durante o segundo ano, com um aumento de 34% no risco. Os riscos ajustados para transtornos comportamentais foram significativos nos anos 2 e 4, com um aumento de até 37% no risco. A faixa etária com maior risco para transtornos afetivos e comportamentais pós-lesão3 foi a dos pacientes de 10 a 13 anos.

O estudo concluiu que sofrer um TCE-l aumentou significativamente os riscos de ter um novo transtorno afetivo ou comportamental até 4 anos após a lesão3. A triagem inicial e contínua de transtornos afetivos e comportamentais após um TCE pode identificar condições persistentes que podem representar barreiras à recuperação.

Leia sobre "Traumatismos cranianos", "Transtornos afetivos", "Transtorno de oposição desafiante" e "Transtorno de conduta".

 

Fonte: Pediatrics, Vol. 153, Nº 2, em fevereiro de 2024.

 

NEWS.MED.BR, 2024. Risco de transtornos afetivos e comportamentais aumentou em crianças após traumatismo cranioencefálico leve. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1466097/risco-de-transtornos-afetivos-e-comportamentais-aumentou-em-criancas-apos-traumatismo-cranioencefalico-leve.htm>. Acesso em: 21 abr. 2024.

Complementos

1 Traumatismo: Lesão produzida pela ação de um agente vulnerante físico, químico ou biológico e etc. sobre uma ou várias partes do organismo.
2 Estudo de coorte: Um estudo de coorte é realizado para verificar se indivíduos expostos a um determinado fator apresentam, em relação aos indivíduos não expostos, uma maior propensão a desenvolver uma determinada doença. Um estudo de coorte é constituído, em seu início, de um grupo de indivíduos, denominada coorte, em que todos estão livres da doença sob investigação. Os indivíduos dessa coorte são classificados em expostos e não-expostos ao fator de interesse, obtendo-se assim dois grupos (ou duas coortes de comparação). Essas coortes serão observadas por um período de tempo, verificando-se quais indivíduos desenvolvem a doença em questão. Os indivíduos expostos e não-expostos devem ser comparáveis, ou seja, semelhantes quanto aos demais fatores, que não o de interesse, para que as conclusões obtidas sejam confiáveis.
3 Lesão: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
4 Incidência: Medida da freqüência em que uma doença ocorre. Número de casos novos de uma doença em um certo grupo de pessoas por um certo período de tempo.
5 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
6 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
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