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A estimulação cerebral profunda pode melhorar a função anos após o acidente vascular cerebral

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Após a estimulação cerebral profunda (ECP) do núcleo denteado cerebelar, uma região do cérebro1 envolvida no controle dos movimentos voluntários, 9 de 12 pacientes que sofreram um acidente vascular cerebral2 até 3 anos antes experimentaram melhorias clinicamente importantes na função motora e diminuição no comprometimento, de acordo com os resultados de um ensaio de fase 1 publicado na Nature Medicine.

Os pesquisadores não encontraram evidências de eventos adversos relacionados ao implante3 cirúrgico ou ao uso do dispositivo neste estudo de segurança e viabilidade.

Além disso, os participantes que tinham função pelo menos parcial dos dedos e do punho no lado afetado do corpo quando se inscreveram no estudo experimentaram melhorias mais substanciais após a combinação de ECP e fisioterapia4.

Os resultados do novo estudo apoiam a ECP como uma “ferramenta promissora” para melhorar a recuperação funcional em fases posteriores, escreveram os pesquisadores.

No estudo, avaliou-se a estimulação cerebral profunda cerebelar para reabilitação motora crônica pós-AVC.

Os pesquisadores relatam que o comprometimento dos membros superiores após acidente vascular cerebral2 continua sendo um grande desafio terapêutico e um alvo dos esforços do tratamento de neuromodulação.

Neste estudo de fase I aberto e não randomizado5, aplicou-se estimulação cerebral profunda ao núcleo denteado cerebelar combinada com reabilitação física renovada para promover a reorganização funcional do córtex ipsilesional em 12 indivíduos com comprometimento persistente (1-3 anos), moderado a grave dos membros superiores.

Não foram encontrados eventos adversos graves perioperatórios ou relacionados à estimulação, com os participantes demonstrando uma melhora mediana de sete pontos na escala de avaliação de Fugl-Meyer para a extremidade superior.

Saiba mais sobre "Neuromodulação - para que serve", "Neuroplasticidade cerebral" e "Reabilitação funcional".

Todos os indivíduos inscritos com preservação parcial da função motora distal6 excederam a diferença mínima clinicamente importante, independentemente do tempo desde o acidente vascular cerebral2, com uma melhoria média de 15 pontos na escala de avaliação de Fugl-Meyer para a extremidade superior.

Esses ganhos funcionais robustos foram diretamente correlacionados com a reorganização cortical evidenciada pelo aumento do metabolismo7 ipsilesional.

Essas descobertas apoiam a segurança e a viabilidade da estimulação cerebral profunda do núcleo denteado cerebelar como uma ferramenta promissora para a modulação da neuroplasticidade em estágio avançado para recuperação funcional e evidenciam a necessidade de ensaios clínicos8 maiores.

 

Fontes:
Nature Medicine, publicação em 14 de agosto de 2023.
JAMA, notícia publicada em 30 de agosto de 2023.

 

NEWS.MED.BR, 2023. A estimulação cerebral profunda pode melhorar a função anos após o acidente vascular cerebral. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1444520/a-estimulacao-cerebral-profunda-pode-melhorar-a-funcao-anos-apos-o-acidente-vascular-cerebral.htm>. Acesso em: 21 abr. 2024.

Complementos

1 Cérebro: Derivado do TELENCÉFALO, o cérebro é composto dos hemisférios direito e esquerdo. Cada hemisfério contém um córtex cerebral exterior e gânglios basais subcorticais. O cérebro inclui todas as partes dentro do crânio exceto MEDULA OBLONGA, PONTE e CEREBELO. As funções cerebrais incluem as atividades sensório-motora, emocional e intelectual.
2 Acidente vascular cerebral: Conhecido popularmente como derrame cerebral, o acidente vascular cerebral (AVC) ou encefálico é uma doença que consiste na interrupção súbita do suprimento de sangue com oxigênio e nutrientes para o cérebro, lesando células nervosas, o que pode resultar em graves conseqüências, como inabilidade para falar ou mover partes do corpo. Há dois tipos de derrame, o isquêmico e o hemorrágico.
3 Implante: 1. Em cirurgia e odontologia é o material retirado do próprio indivíduo, de outrem ou artificialmente elaborado que é inserido ou enxertado em uma estrutura orgânica, de modo a fazer parte integrante dela. 2. Na medicina, é qualquer material natural ou artificial inserido ou enxertado no organismo. 3. Em patologia, é uma célula ou fragmento de tecido, especialmente de tumores, que migra para outro local do organismo, com subsequente crescimento.
4 Fisioterapia: Especialidade paramédica que emprega agentes físicos (água doce ou salgada, sol, calor, eletricidade, etc.), massagens e exercícios no tratamento de doenças.
5 Randomizado: Ensaios clínicos comparativos randomizados são considerados o melhor delineamento experimental para avaliar questões relacionadas a tratamento e prevenção. Classicamente, são definidos como experimentos médicos projetados para determinar qual de duas ou mais intervenções é a mais eficaz mediante a alocação aleatória, isto é, randomizada, dos pacientes aos diferentes grupos de estudo. Em geral, um dos grupos é considerado controle – o que algumas vezes pode ser ausência de tratamento, placebo, ou mais frequentemente, um tratamento de eficácia reconhecida. Recursos estatísticos são disponíveis para validar conclusões e maximizar a chance de identificar o melhor tratamento. Esses modelos são chamados de estudos de superioridade, cujo objetivo é determinar se um tratamento em investigação é superior ao agente comparativo.
6 Distal: 1. Que se localiza longe do centro, do ponto de origem ou do ponto de união. 2. Espacialmente distante; remoto. 3. Em anatomia geral, é o mais afastado do tronco (diz-se de membro) ou do ponto de origem (diz-se de vasos ou nervos). Ou também o que é voltado para a direção oposta à cabeça. 4. Em odontologia, é o mais distante do ponto médio do arco dental.
7 Metabolismo: É o conjunto de transformações que as substâncias químicas sofrem no interior dos organismos vivos. São essas reações que permitem a uma célula ou um sistema transformar os alimentos em energia, que será ultilizada pelas células para que as mesmas se multipliquem, cresçam e movimentem-se. O metabolismo divide-se em duas etapas: catabolismo e anabolismo.
8 Ensaios clínicos: Há três fases diferentes em um ensaio clínico. A Fase 1 é o primeiro teste de um tratamento em seres humanos para determinar se ele é seguro. A Fase 2 concentra-se em saber se um tratamento é eficaz. E a Fase 3 é o teste final antes da aprovação para determinar se o tratamento tem vantagens sobre os tratamentos padrões disponíveis.
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