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Dois modos de ventilação não invasiva se mostraram melhores opções para recém-nascidos com maior risco na UTIN

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As vantagens conhecidas de certas técnicas de suporte respiratório não invasivo prevaleceram para recém-nascidos extremamente prematuros após a extubação e para aqueles com insuficiência respiratória1 mais grave, segundo análises de subgrupo do estudo NASONE.

O uso de ventilação2 por pressão positiva intermitente3 nasal (VPPIN) não invasiva não sincronizada ou ventilação2 oscilatória de alta frequência (VOAF) não invasiva foi associado a 15% a 28% menos reintubações em comparação com a pressão positiva contínua nas vias aéreas nasal (NCPAP) em subgrupos de interesse. O número necessário para tratar para evitar uma reintubação variou de três a sete lactentes4.

Além disso, os tratamentos com VPPIN e VOAF também foram associados a um número significativamente menor de intubações precoces, em particular. E os casos de reintubação precoce que ocorreram com o tratamento com VPPIN e VOAF foram menos frequentemente um resultado de hipoxemia5 refratária, relataram Zhichun Feng, MD, do Seventh Medical Center do Chinese PLA General Hospital em Pequim, e co-autores.

“Esses resultados confirmam os principais resultados do estudo NASONE e ajudam a adaptar a estratégia de suporte respiratório para bebês6 extremamente prematuros ou gravemente doentes”, escreveram os autores no JAMA Network Open.

Saiba mais sobre "Prematuridade e os cuidados necessários", "Intubação endotraqueal: o que é" e "CPAP – Continuous Positive Airway Pressure".

Eles acrescentaram que os grupos VPPIN e VOAF passaram menos dias em ventilação2 mecânica intensiva (VMI) do que o grupo NCPAP. Bebês6 no grupo de tratamento com VOAF, em particular, também tiveram significativamente menos displasia broncopulmonar7 (DBP) moderada a grave, para um número necessário para tratar de oito a nove bebês6 nos subgrupos.

Notavelmente, essa redução na DBP moderada a grave pode ser atribuída à abordagem ventilatória baseada na fisiologia8 do estudo NASONE, disseram eles, que permite maior pressão nas vias aéreas e manobras de recrutamento alveolar permitidas no grupo VOAF.

Feng e seus colegas por fim afirmaram que, embora esses achados sugiram que VPPIN ou VOAF são melhores opções de tratamento do que NCPAP, é importante ser criterioso e entender a situação única dos subgrupos estudados.

“Como existem várias técnicas respiratórias disponíveis, é claro que não existe uma solução única para todos os pacientes. Por outro lado, podemos considerar que a VPPIN e a VOAF são essencialmente semelhantes, e melhores que a NCPAP, em termos de reintubação e duração total da VMI durante toda a estadia na UTIN”, sugeriram.

“Os resultados, notadamente aqueles relativos à DBP moderada a grave (que foi apenas um resultado secundário), devem ser confirmados em estudos especificamente projetados”, acrescentaram.

No artigo, os pesquisadores relatam que o estudo NASONE (Nasal Oscillation Post-Extubation) mostrou que a ventilação2 oscilatória de alta frequência (VOAF) não invasiva reduz levemente a duração da ventilação2 mecânica invasiva (VMI) em bebês6 prematuros, enquanto a VOAF e a ventilação2 por pressão positiva intermitente3 nasal (VPPIN) não invasiva resultam em menos reintubações do que a pressão positiva contínua nas vias aéreas nasal (NCPAP).

Não se sabe se a VOAF é igualmente eficaz em neonatos9 extremamente prematuros ou naqueles com insuficiência respiratória1 mais grave (com base na duração da ventilação2 anterior e nos níveis de CO2).

O objetivo, portanto, foi esclarecer se VOAF é melhor que VPPIN e NCPAP na redução da duração da VMI em neonatos9 extremamente prematuros ou com insuficiência respiratória1 grave.

Este estudo é uma análise secundária predefinida de um ensaio clínico randomizado10 multicêntrico que foi realizado em unidades de terapia intensiva11 neonatal (UTINs) acadêmicas terciárias na China.

Os participantes incluíram recém-nascidos inscritos no estudo NASONE entre dezembro de 2017 e maio de 2021 e pertencentes a 3 subgrupos predefinidos: (1) nascidos com 28 semanas (mais 6 dias) ou menos de gestação, (2) ventilados de forma invasiva por mais de 1 semana desde o nascimento e (3) com CO2 maior que 50 mmHg antes ou nas 24 horas após a extubação.

A análise dos dados foi realizada em agosto de 2022.

A intervenção do estudo foi NCPAP, VPPIN ou VOAF desde a primeira extubação e até a alta da UTIN, com pressão nas vias aéreas maior em VOAF do que em VPPIN e do que em NCPAP.

Os resultados co-primários foram a duração total da VMI durante a internação na UTIN, necessidade de reintubação e dias sem ventilação2 calculados de acordo com o protocolo do estudo original. Os resultados foram analisados com base na intenção de tratar como para todo o estudo, e as análises de subgrupo seguiram o plano estatístico original.

Entre 1.137 bebês6 prematuros, 455 (279 meninos [61,3%]) nasceram com 28 semanas de gestação ou menos, 375 (218 meninos [58,1%]) foram submetidos à VMI por mais de 1 semana desde o nascimento e 307 (183 meninos [59,6%]) tinham CO2 maior que 50 mmHg antes ou nas 24 horas após a extubação.

Tanto a VPPIN quanto a VOAF foram associadas a um número significativamente menor de reintubações (faixa de diferença de risco, -28% [IC 95%, -39% a -17%] a -15% [IC 95%, -25% a -4%]; número necessário tratar, 3-7 bebês6) e reintubações precoces (faixa de diferença de risco, -24% [IC 95%, -35% a -14%] a -20% [IC 95%, -30% a -10%]) do que NCPAP, e essas reintubações foram menos frequentemente devido a hipoxemia5 refratária.

A VMI foi mais curta nos grupos VPPIN e VOAF (faixa de diferença média, -5,0 dias [IC 95%, -6,8 a -3,1 dias] a -2,3 dias [IC 95%, -4,1 a -0,4 dias]) do que no grupo NCPAP.

Os resultados co-primários não foram diferentes entre VPPIN e VOAF; não houve efeito de interação significativo.

Os bebês6 do grupo VOAF mostraram significativamente menos displasia broncopulmonar7 moderada a grave do que os bebês6 do grupo NCPAP (faixa, -12% a -10%; número necessário para tratar, 8-9 bebês6) e melhor troca gasosa pós-extubação em todos os subgrupos. As 3 intervenções foram realizadas com diferentes pressões médias nas vias aéreas e foram igualmente seguras.

As análises de subgrupo de bebês6 extremamente prematuros ou mais doentes confirmam os resultados obtidos em toda a população: VPPIN e VOAF pareceram igualmente eficazes na redução da duração da VMI em comparação com NCPAP.

Leia sobre "Insuficiência respiratória1", "Displasia broncopulmonar7" e "Sofrimento fetal ou hipóxia12 neonatal".

 

Fontes:
JAMA Network Open, publicação em 03 de julho de 2023.
MedPage Today, notícia publicada em 06 de julho de 2023.

 

NEWS.MED.BR, 2023. Dois modos de ventilação não invasiva se mostraram melhores opções para recém-nascidos com maior risco na UTIN. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1442020/dois-modos-de-ventilacao-nao-invasiva-se-mostraram-melhores-opcoes-para-recem-nascidos-com-maior-risco-na-utin.htm>. Acesso em: 14 abr. 2024.

Complementos

1 Insuficiência respiratória: Condição clínica na qual o sistema respiratório não consegue manter os valores da pressão arterial de oxigênio (PaO2) e/ou da pressão arterial de gás carbônico (PaCO2) dentro dos limites da normalidade, para determinada demanda metabólica. Como a definição está relacionada à incapacidade do sistema respiratório em manter níveis adequados de oxigenação e gás carbônico, foram estabelecidos, para sua caracterização, pontos de corte na gasometria arterial: PaO2 50 mmHg.
2 Ventilação: 1. Ação ou efeito de ventilar, passagem contínua de ar fresco e renovado, num espaço ou recinto. 2. Agitação ou movimentação do ar, natural ou provocada para estabelecer sua circulação dentro de um ambiente. 3. Em fisiologia, é o movimento de ar nos pulmões. Perfusão Em medicina, é a introdução de substância líquida nos tecidos por meio de injeção em vasos sanguíneos.
3 Intermitente: Nos quais ou em que ocorrem interrupções; que cessa e recomeça por intervalos; intervalado, descontínuo. Em medicina, diz-se de episódios de febre alta que se alternam com intervalos de temperatura normal ou cujas pulsações têm intervalos desiguais entre si.
4 Lactentes: Que ou aqueles que mamam, bebês. Inclui o período neonatal e se estende até 1 ano de idade (12 meses).
5 Hipoxemia: É a insuficiência de oxigênio no sangue.
6 Bebês: Lactentes. Inclui o período neonatal e se estende até 1 ano de idade (12 meses).
7 Displasia broncopulmonar: Doença pulmonar crônica, de etiologia multifatorial e complexa. Acomete, em geral, os recém-nascidos prematuros submetidos à oxigenioterapia e à ventilação mecânica nos primeiros dias de vida.
8 Fisiologia: Estudo das funções e do funcionamento normal dos seres vivos, especialmente dos processos físico-químicos que ocorrem nas células, tecidos, órgãos e sistemas dos seres vivos sadios.
9 Neonatos: Refere-se a bebês nos seus primeiros 28 dias (mês) de vida. O termo “recentemente-nascido“ refere-se especificamente aos primeiros minutos ou horas que se seguem ao nascimento. Esse termo é utilizado para enfocar os conhecimentos e treinamento da ressuscitação imediatamente após o nascimento e durante as primeiras horas de vida.
10 Randomizado: Ensaios clínicos comparativos randomizados são considerados o melhor delineamento experimental para avaliar questões relacionadas a tratamento e prevenção. Classicamente, são definidos como experimentos médicos projetados para determinar qual de duas ou mais intervenções é a mais eficaz mediante a alocação aleatória, isto é, randomizada, dos pacientes aos diferentes grupos de estudo. Em geral, um dos grupos é considerado controle – o que algumas vezes pode ser ausência de tratamento, placebo, ou mais frequentemente, um tratamento de eficácia reconhecida. Recursos estatísticos são disponíveis para validar conclusões e maximizar a chance de identificar o melhor tratamento. Esses modelos são chamados de estudos de superioridade, cujo objetivo é determinar se um tratamento em investigação é superior ao agente comparativo.
11 Terapia intensiva: Tratamento para diabetes no qual os níveis de glicose são mantidos o mais próximo do normal possível através de injeções freqüentes ou uso de bomba de insulina, planejamento das refeições, ajuste em medicamentos hipoglicemiantes e exercícios baseados nos resultados de testes de glicose além de contatos freqüentes entre o diabético e o profissional de saúde.
12 Hipóxia: Estado de baixo teor de oxigênio nos tecidos orgânicos que pode ocorrer por diversos fatores, tais como mudança repentina para um ambiente com ar rarefeito (locais de grande altitude) ou por uma alteração em qualquer mecanismo de transporte de oxigênio, desde as vias respiratórias superiores até os tecidos orgânicos.
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