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Estudo destaca associação entre enterovírus e risco de autoimunidade de ilhotas ou diabetes tipo 1

quarta-feira, 19 de julho de 2023
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Estudo destaca associação entre enterovírus e risco de autoimunidade de ilhotas ou diabetes tipo 1

Os enterovírus são rotineiramente detectados com métodos moleculares em grandes coortes com risco de diabetes tipo 1. O objetivo deste estudo, publicado no The Lancet Diabetes & Endocrinology, foi examinar a associação entre enterovírus e autoimunidade de ilhotas ou diabetes tipo 1.

Para esta revisão sistemática e metanálise, pesquisou-se as bases de dados PubMed e Embase para estudos observacionais controlados desde o início até 1º de janeiro de 2023. Estudos de coorte ou caso-controle eram elegíveis se RNA ou proteína de enterovírus fossem detectados em indivíduos com resultados de autoimunidade de ilhotas ou diabetes tipo 1.

Estudos sobre diabetes gestacional ou outros tipos de diabetes foram excluídos. A extração e avaliação de dados envolveu contato com o autor e desduplicação, o que foi feito de forma independente por três revisores. A qualidade do estudo foi avaliada com a Escala de Newcastle-Ottawa e os níveis de evidência do Conselho Nacional de Saúde e Pesquisa Médica. Metanálises agrupadas e de subgrupos foram feitas no RevMan versão 5.4, com modelos de efeitos aleatórios e razões de chances de Mantel-Haenszel (ORs; ICs de 95%).

A busca retornou 3.266 publicações, com 897 textos completos analisados. Após a desduplicação, 113 registros elegíveis corresponderam a 60 estudos (40 diabetes tipo 1; 9 autoimunidade de ilhotas; 11 ambos), abrangendo 12.077 participantes (5.981 casos; 6.096 controles). O desenho e a qualidade dos estudos variaram, gerando substancial heterogeneidade estatística.

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A metanálise de 56 estudos mostrou associações entre enterovírus e autoimunidade de ilhotas (OR 2,1, IC 95% 1,3-3,3; p = 0,002; n = 18; heterogeneidade χ2/df 2,69; p = 0,0004; I² = 63%), diabetes tipo 1 (OR 8,0, IC 95% 4,9-13,0; p <0,0001; n = 48; χ2/df 6,75; p <0,0001; I² = 85%), ou dentro de 1 mês do diabetes tipo 1 (OR 16,2, IC 95% 8,6-30,5; p <0,0001; n = 28; χ2/df 3,25; p <0,0001; I² = 69%).

A detecção de enterovírus múltiplos ou consecutivos foi associada à autoimunidade de ilhotas (OR 2,0, IC 95% 1,0-4,0; p = 0,050; n = 8). A detecção de Enterovirus B foi associada ao diabetes tipo 1 (OR 12,7, IC 95% 4,1-39,1; p <0,0001; n = 15).

Esses achados destacam a associação entre enterovírus e autoimunidade de ilhotas ou diabetes tipo 1. Os dados reforçam a justificativa para o desenvolvimento de vacinas direcionadas aos tipos de enterovírus diabetogênicos, particularmente aqueles dentre os Enterovirus B. Estudos prospectivos do início da vida são necessários para elucidar o papel do tempo, tipo e duração da infecção do enterovírus no início da autoimunidade de ilhotas e na progressão para o diabetes tipo 1.

 

Fonte: The Lancet Diabetes & Endocrinology, publicação em 27 de junho de 2023.

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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