Gostou do artigo? Compartilhe!

Resultados de pequeno estudo demonstram remissão do câncer retal em 100% dos pacientes, utilizando um inibidor de PD-1

A+ A- Alterar tamanho da letra
Avalie esta notícia

O agente único dostarlimabe (Jemperli) levou a respostas completas em 100% de um pequeno grupo de pacientes com câncer1 retal localmente avançado deficiente em reparo de incompatibilidade (dMMR), permitindo que eles evitassem cirurgia, quimioterapia2 e radiação, pelo menos por enquanto.

O ensaio foi pequeno, com apenas 16 pacientes com câncer1 retal, e todos tomaram o mesmo medicamento. Mas os resultados foram surpreendentes. O câncer1 desapareceu em todos os pacientes, indetectável por exame físico, endoscopia3, PET Scan ou ressonância magnética4.

O Dr. Luis A. Diaz Jr., do Memorial Sloan Kettering Cancer1 Center, autor do artigo publicado no The New England Journal of Medicine descrevendo os resultados, disse que não sabia de nenhum outro estudo em que um tratamento obliterou completamente um câncer1 em cada paciente.

“Acredito que esta é a primeira vez que isso acontece na história do câncer”, disse o Dr. Diaz.

Todos os 12 pacientes acompanhados por pelo menos 6 meses tiveram respostas clínicas completas sem evidência de tumor5 na ressonância magnética4 de acompanhamento. O acompanhamento na coorte6 variou de 6 a 25 meses, e nenhum dos pacientes recebeu terapia adicional. Quatro outros pacientes com acompanhamento limitado têm evidência preliminar de resposta, incluindo uma resposta clínica completa.

Leia sobre "Câncer1 Colorretal" e "É possível acabar com o câncer1?"

O curso de 6 meses do inibidor de PD-1 foi bem tolerado e nenhum paciente desenvolveu eventos adversos de grau ≥3, relatou Andrea Cercek, MD, também do Memorial Sloan Kettering Cancer1 Center, na reunião anual da American Society of Clinical Oncology (ASCO), onde os resultados foram apresentados.

“Observamos 100% de resposta completa nos primeiros 12 pacientes consecutivos”, disse Cercek. “Não observamos eventos adversos de grau 3 ou 4. Nenhum paciente necessitou de quimioterapia2, radioterapia7 ou cirurgia. Não houve recorrência8 da doença durante o período de acompanhamento. Um acompanhamento mais longo certamente é necessário para estabelecer a durabilidade desse tratamento.”

“Esses dados fornecem a estrutura para terapias imunoablativas e destacam o impacto clínico da terapia com biomarcadores na doença em estágio inicial”, disse ela. “A população com doença em estágio inicial com deficiência no reparo de incompatibilidade tem o potencial de eliminar a necessidade de quimioterapia2, radiação e cirurgia em 3% a 4% de todos os cânceres. Isso tem o potencial de ser traduzido rapidamente para áreas ao redor o mundo sem acesso à quimioterapia2, radiação e cirurgia modernas.”

No artigo publicado, os pesquisadores descrevem os resultados do bloqueio de PD-1 no câncer1 retal localmente avançado e deficiente em reparo de incompatibilidade.

Eles contextualizam que a quimioterapia2 e radioterapia7 neoadjuvantes seguidas de ressecção cirúrgica do reto9 é um tratamento padrão para o câncer1 retal localmente avançado. Um subconjunto de câncer1 retal é causado por uma deficiência no reparo de incompatibilidade. Como o câncer1 colorretal deficiente em reparo de incompatibilidade é responsivo ao bloqueio de morte celular programada 1 (PD-1) no contexto de doença metastática10, foi levantada a hipótese de que o bloqueio de checkpoint imunológico poderia ser eficaz em pacientes com câncer1 retal localmente avançado e deficiente em reparo de incompatibilidade.

Os pesquisadores iniciaram um estudo prospectivo11 de fase 2 no qual o agente único dostarlimabe, um anticorpo12 monoclonal anti-PD-1, foi administrado a cada 3 semanas por 6 meses em pacientes com adenocarcinoma13 retal de estágio II ou III deficiente em reparo de incompatibilidade.

Este tratamento deveria ser seguido por quimiorradioterapia padrão e cirurgia. Os pacientes que tiveram uma resposta clínica completa após a conclusão da terapia com dostarlimabe prosseguiriam sem quimiorradioterapia e cirurgia.

Os desfechos primários foram resposta clínica completa sustentada 12 meses após a conclusão da terapia com dostarlimabe ou resposta patológica completa após a conclusão da terapia com dostarlimabe com ou sem quimiorradioterapia e resposta global à terapia neoadjuvante com dostarlimabe com ou sem quimiorradioterapia.

Um total de 12 pacientes completaram o tratamento com dostarlimabe e foram submetidos a pelo menos 6 meses de acompanhamento. Todos os 12 pacientes (100%; intervalo de confiança de 95%, 74 a 100) tiveram resposta clínica completa, sem evidência de tumor5 na ressonância magnética4, tomografia por emissão de pósitrons com 18F-fluorodesoxiglicose, avaliação endoscópica, toque retal ou biópsia14.

No momento deste relato, nenhum paciente havia recebido quimiorradioterapia ou sido submetido a cirurgia, e nenhum caso de progressão ou recorrência8 havia sido relatado durante o acompanhamento (intervalo de 6 a 25 meses). Nenhum evento adverso de grau 3 ou superior foi relatado.

O estudo concluiu que o câncer1 retal localmente avançado, deficiente em reparo de incompatibilidade, foi altamente sensível ao bloqueio de PD-1 com agente único. É necessário um acompanhamento mais longo para avaliar a duração da resposta.

Veja também sobre "Imunoterapia", "Marcadores tumorais: para que eles servem" e "Câncer1 - informações importantes".

 

Fontes:
The New England Journal of Medicine, publicação em 05 de junho de 2022.
MedPage Today, notícia publicada em 05 de junho de 2022.
The New York Times, notícia publicada em 05 de junho de 2022.

 

NEWS.MED.BR, 2022. Resultados de pequeno estudo demonstram remissão do câncer retal em 100% dos pacientes, utilizando um inibidor de PD-1. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1418815/resultados-de-pequeno-estudo-demonstram-remissao-do-cancer-retal-em-100-dos-pacientes-utilizando-um-inibidor-de-pd-1.htm>. Acesso em: 6 dez. 2022.

Complementos

1 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
2 Quimioterapia: Método que utiliza compostos químicos, chamados quimioterápicos, no tratamento de doenças causadas por agentes biológicos. Quando aplicada ao câncer, a quimioterapia é chamada de quimioterapia antineoplásica ou quimioterapia antiblástica.
3 Endoscopia: Método no qual se visualiza o interior de órgãos e cavidades corporais por meio de um instrumento óptico iluminado.
4 Ressonância magnética: Exame que fornece imagens em alta definição dos órgãos internos do corpo através da utilização de um campo magnético.
5 Tumor: Termo que literalmente significa massa ou formação de tecido. É utilizado em geral para referir-se a uma formação neoplásica.
6 Coorte: Grupo de indivíduos que têm algo em comum ao serem reunidos e que são observados por um determinado período de tempo para que se possa avaliar o que ocorre com eles. É importante que todos os indivíduos sejam observados por todo o período de seguimento, já que informações de uma coorte incompleta podem distorcer o verdadeiro estado das coisas. Por outro lado, o período de tempo em que os indivíduos serão observados deve ser significativo na história natural da doença em questão, para que haja tempo suficiente do risco se manifestar.
7 Radioterapia: Método que utiliza diversos tipos de radiação ionizante para tratamento de doenças oncológicas.
8 Recorrência: 1. Retorno, repetição. 2. Em medicina, é o reaparecimento dos sintomas característicos de uma doença, após a sua completa remissão. 3. Em informática, é a repetição continuada da mesma operação ou grupo de operações. 4. Em psicologia, é a volta à memória.
9 Reto: Segmento distal do INTESTINO GROSSO, entre o COLO SIGMÓIDE e o CANAL ANAL.
10 Doença metastática: Câncer que se espalhou do seu local de origem a outras partes do organismo.
11 Prospectivo: 1. Relativo ao futuro. 2. Suposto, possível; esperado. 3. Relativo à preparação e/ou à previsão do futuro quanto à economia, à tecnologia, ao plano social etc. 4. Em geologia, é relativo à prospecção.
12 Anticorpo: Proteína circulante liberada pelos linfócitos em reação à presença no organismo de uma substância estranha (antígeno).
13 Adenocarcinoma: É um câncer (neoplasia maligna) que se origina em tecido glandular. O termo adenocarcinoma é derivado de “adeno”, que significa “pertencente a uma glândula” e “carcinoma”, que descreve um câncer que se desenvolveu em células epiteliais.
14 Biópsia: 1. Retirada de material celular ou de um fragmento de tecido de um ser vivo para determinação de um diagnóstico. 2. Exame histológico e histoquímico. 3. Por metonímia, é o próprio material retirado para exame.
Gostou do artigo? Compartilhe!