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Um inibidor oral de JAK, Baricitinibe, produziu crescimento capilar dramático e durável em pacientes com alopecia areata grave

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Um inibidor oral das Janus Associated Kinases (JAK) produziu crescimento capilar1 significativo e durável, incluindo couro cabeludo, sobrancelhas2 e cílios3 em pacientes com alopecia areata4 grave, de acordo com dados de longo prazo de dois estudos randomizados.

Quase 40% dos pacientes alcançaram um escore na Ferramenta de Gravidade da Alopecia5 (SALT, do inglês Severity of Alopecia5 Tool) ≤20 (porcentagem total de perda de cabelo6) em 52 semanas com uma dose mais alta de baricitinibe (Olumiant) e quase 30% tiveram um escore SALT ≤10.

Os pacientes tinham uma pontuação SALT média >80 no início do estudo. Quase metade dos pacientes preencheram os critérios de resposta para o crescimento de sobrancelhas2 e cílios3, relatou Brett King, MD, PhD, da Yale School of Medicine.

Os eventos adversos (EAs) que ocorreram com mais frequência com baricitinibe do que com placebo7 foram acne8, níveis elevados de creatinina9 quinase e aumento do colesterol10 LDL11 e HDL12, disse King em uma apresentação na reunião da Academia Americana de Dermatologia (AAD).

Os resultados de 52 semanas mostraram melhora contínua em comparação com os resultados após 36 semanas de acompanhamento, que foram publicados simultaneamente no The New England Journal of Medicine.

Saiba mais sobre "O que é alopecia areata4" e "Queda de cabelos - o que acontece".

“O tratamento continuado com baricitinibe após 36 semanas resultou em aumentos adicionais na proporção de pacientes que atingiram o crescimento capilar1 no couro cabeludo, sobrancelha e cílios”, disse King. “A proporção de pacientes que atingem uma pontuação SALT <20 e/ou uma pontuação SALT <10 – e isso é um parâmetro alto – continuou a aumentar. A proporção de pacientes que atingiram o Resultado Relatado pelo Médico para queda de cabelo6 nas sobrancelhas2 e cílios3 também continuou a aumentar, restaurando para quase normal ou normal.”

“Isso é realmente transformador para os pacientes”, acrescentou. “Esses pacientes começam se parecendo em nada com eles mesmos e terminam o estudo, pelo menos quando funciona, parecendo eles mesmos novamente, restaurados ao normal”.

A alopecia areata4 é uma condição autoimune13 caracterizada pela rápida perda de cabelo6 no couro cabeludo, sobrancelhas2 e cílios3, para a qual os tratamentos são limitados. O baricitinibe, um inibidor oral, seletivo e reversível das Janus quinases 1 e 2, pode interromper a sinalização de citocinas14 implicadas na patogênese15 da alopecia areata4.

Foram conduzidos dois ensaios clínicos16 randomizados, controlados por placebo7, de fase 3 (BRAVE-AA1 e BRAVE-AA2) envolvendo adultos com alopecia areata4 grave com uma pontuação da Ferramenta de Gravidade da Alopecia5 (SALT) de 50 ou superior (intervalo, 0 [sem perda de cabelo6 no couro cabeludo] a 100 [perda total de cabelo6 no couro cabeludo]).

Os pacientes foram distribuídos aleatoriamente em uma proporção de 3:2:2 para receber baricitinibe uma vez ao dia na dose de 4 mg, baricitinibe na dose de 2 mg ou placebo7. O desfecho primário foi uma pontuação SALT de 20 ou menos na semana 36.

Foram inscritos 654 pacientes no estudo BRAVE-AA1 e 546 no estudo BRAVE-AA2. A porcentagem estimada de pacientes com pontuação SALT de 20 ou menos na semana 36 foi de 38,8% com 4 mg de baricitinibe, 22,8% com 2 mg de baricitinibe e 6,2% com placebo7 no BRAVE-AA1 e 35,9%, 19,4% e 3,3%, respectivamente, no BRAVE-AA2.

No BRAVE-AA1, a diferença entre 4 mg de baricitinibe e placebo7 foi de 32,6 pontos percentuais (intervalo de confiança [IC] de 95%, 25,6 a 39,5), e a diferença entre 2 mg de baricitinibe e placebo7 foi de 16,6 pontos percentuais (IC 95%, 9,5 a 23,8) (P <0,001 para cada dose versus placebo7).

No BRAVE-AA2, os valores correspondentes foram 32,6 pontos percentuais (IC 95%, 25,6 a 39,6) e 16,1 pontos percentuais (IC 95%, 9,1 a 23,2) (P <0,001 para cada dose versus placebo7).

Desfechos secundários para baricitinibe na dose de 4 mg, mas não na dose de 2 mg, geralmente favoreceram o baricitinibe em relação ao placebo7. Acne8, níveis elevados de creatina quinase e níveis aumentados de colesterol10 de lipoproteína de baixa e alta densidade foram mais comuns com baricitinibe do que com placebo7.

Nesses dois estudos de fase 3 envolvendo pacientes com alopecia areata4 grave, demonstrou-se que o baricitinibe oral foi superior ao placebo7 em relação ao crescimento capilar1 em 36 semanas. Ensaios mais longos são necessários para avaliar a eficácia e segurança do baricitinibe para alopecia areata4.

Leia sobre "Doenças autoimunes17", "Queda de cabelo6 em mulheres" e "Calvície18 masculina".

 

Fontes:
The New England Journal of Medicine, publicação em 26 de março de 2022.
MedPage Today, notícia publicada em 28 de março de 2022.

 

NEWS.MED.BR, 2022. Um inibidor oral de JAK, Baricitinibe, produziu crescimento capilar dramático e durável em pacientes com alopecia areata grave. Disponvel em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1413555/um-inibidor-oral-de-jak-baricitinibe-produziu-crescimento-capilar-dramatico-e-duravel-em-pacientes-com-alopecia-areata-grave.htm>. Acesso em: 27 jun. 2022.

Complementos

1 Capilar: 1. Na medicina, diz-se de ou tubo endotelial muito fino que liga a circulação arterial à venosa. Qualquer vaso. 2. Na física, diz-se de ou tubo, em geral de vidro, cujo diâmetro interno é diminuto. 3. Relativo a cabelo, fino como fio de cabelo.
2 Sobrancelhas: Linhas curvas de cabelos localizadas nas bordas superiores das cavidades orbitárias.
3 Cílios: Populações de processos móveis e delgados que são encontrados revestindo a superfície dos ciliados (CILIÓFOROS) ou a superfície livre das células e que constroem o EPITÉLIO ciliado. Cada cílio nasce de um grânulo básico na camada superficial do CITOPLASMA. O movimento dos cílios propele os ciliados através do líquido no qual vivem. O movimento dos cílios em um epitélio ciliado serve para propelir uma camada superficial de muco ou fluido.
4 Alopecia areata: Doença de causa desconhecida, que atinge igualmente homens e mulheres, caracterizando-se pela queda repentina dos pêlos nas áreas afetadas, sem alteração da superfície cutânea. Entre as possíveis causas estão uma predisposição genética que seria estimulada por fatores como o estresse emocional e fenômenos autoimunes. É uma perda de cabelo localizada em áreas bem delimitadas, arredondadas ou ovais, do couro cabeludo ou de outras partes do corpo. Pode surgir em qualquer idade, embora 60% dos seus portadores tenham menos de 20 anos.
5 Alopécia: Redução parcial ou total de pêlos ou cabelos em uma determinada área de pele. Ela apresenta várias causas, podendo ter evolução progressiva, resolução espontânea ou ser controlada com tratamento médico. Quando afeta todos os pêlos do corpo, é chamada de alopécia universal.
6 Cabelo: Estrutura filamentosa formada por uma haste que se projeta para a superfície da PELE a partir de uma raiz (mais macia que a haste) e se aloja na cavidade de um FOLÍCULO PILOSO. É encontrado em muitas áreas do corpo.
7 Placebo: Preparação neutra quanto a efeitos farmacológicos, ministrada em substituição a um medicamento, com a finalidade de suscitar ou controlar as reações, geralmente de natureza psicológica, que acompanham tal procedimento terapêutico.
8 Acne: Doença de predisposição genética cujas manifestações dependem da presença dos hormônios sexuais. As lesões começam a surgir na puberdade, atingindo a maioria dos jovens de ambos os sexos. Os cravos e espinhas ocorrem devido ao aumento da secreção sebácea associada ao estreitamento e obstrução da abertura do folículo pilosebáceo, dando origem aos comedões abertos (cravos pretos) e fechados (cravos brancos). Estas condições favorecem a proliferação de microorganismos que provocam a inflamação característica das espinhas, sendo o Propionibacterium acnes o agente infeccioso mais comumente envolvido.
9 Creatinina: Produto residual das proteínas da dieta e dos músculos do corpo. É excretada do organismo pelos rins. Uma vez que as doenças renais progridem, o nível de creatinina aumenta no sangue.
10 Colesterol: Tipo de gordura produzida pelo fígado e encontrada no sangue, músculos, fígado e outros tecidos. O colesterol é usado pelo corpo para a produção de hormônios esteróides (testosterona, estrógeno, cortisol e progesterona). O excesso de colesterol pode causar depósito de gordura nos vasos sangüíneos. Seus componentes são: HDL-Colesterol: tem efeito protetor para as artérias, é considerado o bom colesterol. LDL-Colesterol: relacionado às doenças cardiovasculares, é o mau colesterol. VLDL-Colesterol: representa os triglicérides (um quinto destes).
11 LDL: Lipoproteína de baixa densidade, encarregada de transportar colesterol através do sangue. Devido à sua tendência em depositar o colesterol nas paredes arteriais e a produzir aterosclerose, tem sido denominada “mau colesterol“.
12 HDL: Abreviatura utilizada para denominar um tipo de proteína encarregada de transportar o colesterol sanguíneo, que se relaciona com menor risco cardiovascular. Também é conhecido como âBom Colesterolâ. Seus valores normais são de 35-50mg/dl.
13 Autoimune: 1. Relativo à autoimunidade (estado patológico de um organismo atingido por suas próprias defesas imunitárias). 2. Produzido por autoimunidade. 3. Autoalergia.
14 Citocinas: Citoquina ou citocina é a designação genérica de certas substâncias segregadas por células do sistema imunitário que controlam as reações imunes do organismo.
15 Patogênese: Modo de origem ou de evolução de qualquer processo mórbido; nosogenia, patogênese, patogenesia.
16 Ensaios clínicos: Há três fases diferentes em um ensaio clínico. A Fase 1 é o primeiro teste de um tratamento em seres humanos para determinar se ele é seguro. A Fase 2 concentra-se em saber se um tratamento é eficaz. E a Fase 3 é o teste final antes da aprovação para determinar se o tratamento tem vantagens sobre os tratamentos padrões disponíveis.
17 Autoimunes: 1. Relativo à autoimunidade (estado patológico de um organismo atingido por suas próprias defesas imunitárias). 2. Produzido por autoimunidade. 3. Autoalergia.
18 Calvície: Também chamada de alopécia androgenética é uma manifestação fisiológica que ocorre em indivíduos geneticamente predispostos, sendo que a herança genética pode vir do lado paterno ou materno. É resultado da estimulação dos folículos pilosos por hormônios masculinos que começam a ser produzidos na adolescência (testosterona). Ao atingir o couro cabeludo de pacientes com tendência genética para a calvície, a testosterona sofre a ação de uma enzima, a 5-alfa-redutase, e é transformada em diidrotestosterona (DHT). É a DHT que vai agir sobre os folículos pilosos promovendo a sua diminuição progressiva. O resultado final deste processo de diminuição e afinamento dos fios de cabelo é a calvície.
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