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Morte perinatal é mais comum para mães com obesidade e risco também é elevado para aquelas com sobrepeso

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A obesidade1 pode representar uma ameaça significativa para gestações saudáveis, de acordo com uma análise de mediação.

Em um estudo com 392.820 mulheres, aquelas que tinham obesidade1 antes da gravidez2 tinham 55% mais chances de mortalidade3 perinatal – definida como natimorto ou morte neonatal antes da alta hospitalar, relataram Jeffrey Bone, um candidato a PhD na University of British Columbia, em Vancouver, e colegas.

Mesmo as mulheres que tinham apenas sobrepeso4 antes da gravidez2 tiveram 22% mais chances de mortalidade3 perinatal em comparação com as mulheres que tinham um IMC5 normal, o grupo relatou no estudo publicado na revista PLoS One.

A maior força motriz entre esses dois fatores foi a idade gestacional no parto, mediando 63,1% da associação entre obesidade1 e morte perinatal, relataram os pesquisadores.

Leia sobre "Aborto: o que é" e "Perda gestacional recorrente".

Essas associações foram ajustadas para hipertensão6 crônica, tabagismo, uso de substâncias e álcool, natimorto anterior, parto prematuro anterior, paridade, idade materna, ano de nascimento, doenças crônicas e asma7.

“Mulheres com obesidade1 tendem a ter piores resultados na gravidez2, incluindo taxas mais altas de morte neonatal e natimortos, mas as razões para isso não são totalmente compreendidas”, disse Bone ao MedPage Today. “Queríamos ver se parte disso poderia ser explicado pelo fato de suas gestações terminarem mais cedo do que as de mulheres com peso normal”.

No artigo publicado, os pesquisadores contextualizam como a fisiopatologia8 por trás da associação entre obesidade1 e morte perinatal não é totalmente compreendida, mas pode ser em parte devido a taxas mais altas de complicações mais cedo na gravidez2 entre mulheres obesas. Assim, o objetivo foi quantificar a proporção de óbitos perinatais entre mulheres obesas e com sobrepeso4 mediadas pela idade gestacional no parto de natimorto ou nascido vivo.

O estudo incluiu todos os nascimentos únicos com ≥20 semanas de gestação na Colúmbia Britânica, de 2004 a 2017, e excluiu as interrupções da gravidez2. A proporção da associação entre IMC5 e óbito9 perinatal mediado pela idade gestacional no parto (em semanas) foi estimada por meio de modelos de efeito natural, com ajuste para potenciais fatores de confusão. Análises de sensibilidade para confusão não mensurada e mulheres com IMC5 ausente foram conduzidas.

Das 392.820 mulheres incluídas, 20,6% estavam com sobrepeso4 e 12,8% eram obesas. Mulheres com maior IMC5 tiveram menor idade gestacional no momento do parto.

A mortalidade3 perinatal foi de 0,5% (1.834 gestações); e foi elevada em mulheres com sobrepeso4 (razão de chances ajustada [AOR] = 1,22, intervalo de confiança [IC] de 95% 1,08-1,37) e obesas (AOR = 1,55, IC 95% 1,36-1,77).

A análise de mediação mostrou que 63,1% da associação entre obesidade1 e morte perinatal foi mediada pela idade gestacional no parto (efeito indireto natural AOR = 1,32, IC 95% 1,23-1,42, efeito direto natural AOR = 1,18, IC 95% 1,05-1,32).

Efeitos semelhantes, mas menores, foram observados ao comparar mulheres com sobrepeso4 versus mulheres com IMC5 normal. Os efeitos estimados não foram afetados pelo ajuste para fatores de risco adicionais para morte perinatal ou análises de sensibilidade para dados ausentes.

O estudo concluiu que gestações de mulheres obesas têm maior risco de morte perinatal em parte mediada por uma idade gestacional menor no parto.

Veja também sobre "Obesidade1", "Gravidez2 de risco: quando pode ocorrer" e "O que é parto prematuro".

 

Fontes:
PLoS One, publicação em 23 de março de 2022.
MedPage Today, notícia publicada em 25 de março de 2022.

 

NEWS.MED.BR, 2022. Morte perinatal é mais comum para mães com obesidade e risco também é elevado para aquelas com sobrepeso. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1413400/morte-perinatal-e-mais-comum-para-maes-com-obesidade-e-risco-tambem-e-elevado-para-aquelas-com-sobrepeso.htm>. Acesso em: 7 dez. 2022.

Complementos

1 Obesidade: Condição em que há acúmulo de gorduras no organismo além do normal, mais severo que o sobrepeso. O índice de massa corporal é igual ou maior que 30.
2 Gravidez: Condição de ter um embrião ou feto em desenvolvimento no trato reprodutivo feminino após a união de ovo e espermatozóide.
3 Mortalidade: A taxa de mortalidade ou coeficiente de mortalidade é um dado demográfico do número de óbitos, geralmente para cada mil habitantes em uma dada região, em um determinado período de tempo.
4 Sobrepeso: Peso acima do normal, índice de massa corporal entre 25 e 29,9.
5 IMC: Medida usada para avaliar se uma pessoa está abaixo do peso, com peso normal, com sobrepeso ou obesa. É a medida mais usada na prática para saber se você é considerado obeso ou não. Também conhecido como IMC. É calculado dividindo-se o peso corporal em quilogramas pelo quadrado da altura em metros. Existe uma tabela da Organização Mundial de Saúde que classifica as medidas de acordo com o resultado encontrado.
6 Hipertensão: Condição presente quando o sangue flui através dos vasos com força maior que a normal. Também chamada de pressão alta. Hipertensão pode causar esforço cardíaco, dano aos vasos sangüíneos e aumento do risco de um ataque cardíaco, derrame ou acidente vascular cerebral, além de problemas renais e morte.
7 Asma: Doença das vias aéreas inferiores (brônquios), caracterizada por uma diminuição aguda do calibre bronquial em resposta a um estímulo ambiental. Isto produz obstrução e dificuldade respiratória que pode ser revertida de forma espontânea ou com tratamento médico.
8 Fisiopatologia: Estudo do conjunto de alterações fisiológicas que acontecem no organismo e estão associadas a uma doença.
9 Óbito: Morte de pessoa; passamento, falecimento.
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