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O uso de um substituto do sal pode reduzir o risco de derrame, eventos cardiovasculares e morte

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Dados do Salt Substitute and Stroke Study sugerem que a mudança do sal comum para um substituto do sal pode reduzir o risco de acidente vascular cerebral1 em 14% e os pesquisadores acreditam que esses resultados podem ser aplicados a populações de pacientes em todo o mundo.

Os resultados são de um estudo aberto conduzido em vilas na China rural, publicado no The New England Journal of Medicine, e indicam que substitutos do sal com níveis reduzidos de sódio e níveis aumentados de potássio podem reduzir significativamente o risco de acidente vascular cerebral1 e morte em indivíduos idosos com hipertensão2 ou histórico de acidente vascular cerebral1.

Intitulado Salt Substitute and Stroke Study (SSaSS), os resultados indicam que o uso do substituto do sal foi associado a uma menor taxa de acidente vascular cerebral1, eventos cardiovasculares adversos maiores e morte ao longo de um período de acompanhamento de 5 anos.

Saiba mais sobre "Doenças cardiovasculares3", "Acidente Vascular Cerebral1", "Hipertensão Arterial4" e "Estratégias para reduzir o sal na dieta".

“Este estudo fornece evidências claras sobre uma intervenção que poderia ser realizada muito rapidamente a um custo muito baixo. Um estudo de modelagem recente feito para a China projetou que 365.000 derrames e 461.000 mortes prematuras poderiam ser evitados a cada ano na China se o substituto do sal se mostrasse eficaz. Nós agora mostramos que é eficaz e esses são os benefícios apenas para a China. A substituição do sal poderia ser usada por bilhões a mais de pessoas, com benefícios ainda maiores”, disse o pesquisador principal, Professor Bruce Neal, PhD, diretor executivo do George Institute for Global Health em Sydney, Austrália, em um comunicado.

Apesar da compreensão das associações entre níveis elevados de consumo de sódio na dieta e risco cardiovascular, poucos estudos no passado forneceram evidências de uma solução eficaz para reduzir a ingestão de sódio e se esses métodos reduziriam subsequentemente o risco cardiovascular nesses pacientes.

Os substitutos do sal com níveis reduzidos de sódio e níveis aumentados de potássio já mostraram reduzir a pressão arterial5, mas seus efeitos sobre os resultados cardiovasculares e de segurança são incertos.

Os pesquisadores conduziram um ensaio clínico randomizado6 de grupo aberto envolvendo pessoas de 600 aldeias na China rural. Os participantes tinham história de acidente vascular cerebral1 ou tinham 60 anos de idade ou mais e tinham pressão alta.

As aldeias foram distribuídas aleatoriamente em uma proporção de 1:1 para o grupo de intervenção, no qual os participantes usaram um substituto do sal (75% de cloreto de sódio e 25% de cloreto de potássio em massa), ou para o grupo de controle, no qual os participantes continuaram a usar sal normal (cloreto de sódio 100%).

O desfecho primário foi acidente vascular cerebral1, os desfechos secundários foram eventos cardiovasculares adversos maiores e morte por qualquer causa, e o desfecho de segurança foi hipercalemia7 clínica.

Um total de 20.995 pessoas foram inscritas no ensaio. A idade média dos participantes foi de 65,4 anos, sendo 49,5% do sexo feminino, 72,6% com histórico de AVC e 88,4% com histórico de hipertensão2. A duração média do acompanhamento foi de 4,74 anos.

A taxa de acidente vascular cerebral1 foi menor com o substituto do sal do que com o sal regular (29,14 eventos vs. 33,65 eventos por 1000 pessoas-ano; razão de taxas, 0,86; intervalo de confiança [IC] de 95%, 0,77 a 0,96; P = 0,006), bem como as taxas de eventos cardiovasculares maiores (49,09 eventos vs. 56,29 eventos por 1000 pessoas-ano; razão de taxas, 0,87; IC 95%, 0,80 a 0,94; P <0,001) e morte (39,28 eventos vs. 44,61 eventos por 1000 pessoas-anos; razão de taxas, 0,88; IC 95%, 0,82 a 0,95; P <0,001).

A taxa de eventos adversos graves atribuídos à hipercalemia7 não foi significativamente maior com o substituto do sal do que com o sal regular (3,35 eventos vs. 3,30 eventos por 1000 pessoas-ano; razão de taxas, 1,04; IC 95%, 0,80 a 1,37; P = 0,76).

O estudo concluiu que entre as pessoas com histórico de acidente vascular cerebral1 ou com 60 anos de idade ou mais e hipertensão2, as taxas de AVC, eventos cardiovasculares maiores e morte por qualquer causa foram menores com o substituto do sal do que com o sal normal.

“O resultado do ensaio é particularmente empolgante porque a substituição do sal é uma das poucas maneiras práticas de conseguir mudanças no sal que as pessoas comem. Outras intervenções de redução de sal têm dificuldades para alcançar um impacto grande e sustentável”, acrescentou Neal, na declaração mencionada.

Leia sobre "Dieta para hipertensos", "Sete passos para um coração8 saudável" e "Alimentação saudável".

 

Fontes:
The New England Jounal of Medicine, publicação em 29 de agosto de 2021.
Practical Cardiology, notícia publicada em 29 de agosto de 2021.

 

NEWS.MED.BR, 2021. O uso de um substituto do sal pode reduzir o risco de derrame, eventos cardiovasculares e morte. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1400940/o-uso-de-um-substituto-do-sal-pode-reduzir-o-risco-de-derrame-eventos-cardiovasculares-e-morte.htm>. Acesso em: 20 set. 2021.

Complementos

1 Acidente vascular cerebral: Conhecido popularmente como derrame cerebral, o acidente vascular cerebral (AVC) ou encefálico é uma doença que consiste na interrupção súbita do suprimento de sangue com oxigênio e nutrientes para o cérebro, lesando células nervosas, o que pode resultar em graves conseqüências, como inabilidade para falar ou mover partes do corpo. Há dois tipos de derrame, o isquêmico e o hemorrágico.
2 Hipertensão: Condição presente quando o sangue flui através dos vasos com força maior que a normal. Também chamada de pressão alta. Hipertensão pode causar esforço cardíaco, dano aos vasos sangüíneos e aumento do risco de um ataque cardíaco, derrame ou acidente vascular cerebral, além de problemas renais e morte.
3 Doenças cardiovasculares: Doença do coração e vasos sangüíneos (artérias, veias e capilares).
4 Hipertensão arterial: Aumento dos valores de pressão arterial acima dos valores considerados normais, que no adulto são de 140 milímetros de mercúrio de pressão sistólica e 85 milímetros de pressão diastólica.
5 Pressão arterial: A relação que define a pressão arterial é o produto do fluxo sanguíneo pela resistência. Considerando-se a circulação como um todo, o fluxo total é denominado débito cardíaco, enquanto a resistência é denominada de resistência vascular periférica total.
6 Randomizado: Ensaios clínicos comparativos randomizados são considerados o melhor delineamento experimental para avaliar questões relacionadas a tratamento e prevenção. Classicamente, são definidos como experimentos médicos projetados para determinar qual de duas ou mais intervenções é a mais eficaz mediante a alocação aleatória, isto é, randomizada, dos pacientes aos diferentes grupos de estudo. Em geral, um dos grupos é considerado controle – o que algumas vezes pode ser ausência de tratamento, placebo, ou mais frequentemente, um tratamento de eficácia reconhecida. Recursos estatísticos são disponíveis para validar conclusões e maximizar a chance de identificar o melhor tratamento. Esses modelos são chamados de estudos de superioridade, cujo objetivo é determinar se um tratamento em investigação é superior ao agente comparativo.
7 Hipercalemia: É a concentração de potássio sérico maior que 5.5 mmol/L (mEq/L). Uma concentração acima de 6.5 mmol/L (mEq/L) é considerada crítica.
8 Coração: Órgão muscular, oco, que mantém a circulação sangüínea.
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