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Hipertensão em estágio 1 em mulheres durante a meia idade é um fator de risco forte para síndromes coronarianas agudas

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A hipertensão1 tem sido sugerida como um fator de risco2 mais forte para síndromes coronarianas agudas (SCA) em mulheres do que em homens. Não se sabe se isso também se aplica ao estágio 1 de hipertensão1 (pressão arterial3 [PA] 130-139 / 80-89 mmHg).

A incidência4 de síndrome5 coronariana aguda e as taxas de mortalidade6 diminuíram nos países ocidentais nas últimas décadas, mas essas tendências favoráveis não parecem incluir mulheres mais jovens.

Mulheres saudáveis na faixa dos 40 anos têm pressão arterial3 e prevalência7 de hipertensão1 significativamente mais baixas em comparação com os homens, mas as mulheres jovens com infarto do miocárdio8 têm maior probabilidade do que os homens de ter hipertensão1.

Leia sobre "O que vem a ser pressão arterial3", "Sinais9 de doenças cardíacas em mulheres" e "Doenças cardiovasculares10".

Um estudo norueguês de base populacional, publicado no European Journal of Preventive Cardiology, testou se a pressão arterial3 levemente elevada no início da faixa dos 40 anos de idade representava um risco diferente de SCA durante a meia-idade para mulheres e homens.

O estudo descobriu que uma PA de 130-139 / 80-89 mmHg no início dos 40 anos dobrou o risco de SCA durante a meia-idade em mulheres, enquanto a associação não foi significativa em homens quando ajustada para fatores de risco cardiovascular de confusão.

Os pesquisadores testaram associações de hipertensão1 em estágio 1 com SCA em 12.332 participantes no Hordaland Health Study (idade média da linha de base 41 anos, 52% mulheres).

Os participantes foram agrupados por categoria de PA basal: Normotensão (PA <130/80 mmHg), hipertensão1 estágio 1 e estágio 2 (PA ≥140/90 mmHg). A SCA foi definida como hospitalização ou óbito11 por infarto do miocárdio8 ou angina12 de peito13 instável durante 16 anos de acompanhamento.

No início do estudo, uma proporção menor de mulheres do que homens tinha hipertensão1 estágios 1 e 2, respectivamente (25 vs. 35% e 14 vs. 31%, P <0,001). Durante o acompanhamento, 1,4% das mulheres e 5,7% dos homens experimentaram SCA incidente14 (P <0,001).

Ajustado para diabetes15, tabagismo, índice de massa corporal16, colesterol17 e atividade física, a hipertensão1 estágio 1 foi associada a maior risco de SCA em mulheres (razão de risco [HR] 2,18, intervalo de confiança [IC] de 95% 1,32-3,60), enquanto o a associação não foi significativa em homens (HR 1,30, IC 95% 0,98-1,71).

Após ajuste adicional para PA sistólica e diastólica, respectivamente, a hipertensão1 diastólica em estágio 1 foi associada com SCA em mulheres (HR 2,79 [IC 95% 1,62-4,82]), mas não em homens (HR 1,24 [IC 95% 0,95-1,62]), enquanto a hipertensão1 sistólica em estágio 1 não foi associada com SCA em nenhum dos sexos.

O estudo concluiu que entre os indivíduos com cerca de 40 anos, a hipertensão1 em estágio 1 foi um fator de risco2 mais forte para síndrome5 coronariana aguda durante a meia-idade em mulheres do que em homens.

Veja também sobre "Hipertensão arterial18", "Sintomas19 da hipertensão arterial18" e "Sete passos para um coração20 saudável".

 

Fontes:
European Journal of Preventive Cardiology, publicação em 16 de maio de 2021.
European Society of Cardiology, newsletter enviada em 02 de junho de 2021.

 

NEWS.MED.BR, 2021. Hipertensão em estágio 1 em mulheres durante a meia idade é um fator de risco forte para síndromes coronarianas agudas. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1396575/hipertensao-em-estagio-1-em-mulheres-durante-a-meia-idade-e-um-fator-de-risco-forte-para-sindromes-coronarianas-agudas.htm>. Acesso em: 19 set. 2021.

Complementos

1 Hipertensão: Condição presente quando o sangue flui através dos vasos com força maior que a normal. Também chamada de pressão alta. Hipertensão pode causar esforço cardíaco, dano aos vasos sangüíneos e aumento do risco de um ataque cardíaco, derrame ou acidente vascular cerebral, além de problemas renais e morte.
2 Fator de risco: Qualquer coisa que aumente a chance de uma pessoa desenvolver uma doença.
3 Pressão arterial: A relação que define a pressão arterial é o produto do fluxo sanguíneo pela resistência. Considerando-se a circulação como um todo, o fluxo total é denominado débito cardíaco, enquanto a resistência é denominada de resistência vascular periférica total.
4 Incidência: Medida da freqüência em que uma doença ocorre. Número de casos novos de uma doença em um certo grupo de pessoas por um certo período de tempo.
5 Síndrome: Conjunto de sinais e sintomas que se encontram associados a uma entidade conhecida ou não.
6 Mortalidade: A taxa de mortalidade ou coeficiente de mortalidade é um dado demográfico do número de óbitos, geralmente para cada mil habitantes em uma dada região, em um determinado período de tempo.
7 Prevalência: Número de pessoas em determinado grupo ou população que são portadores de uma doença. Número de casos novos e antigos desta doença.
8 Infarto do miocárdio: Interrupção do suprimento sangüíneo para o coração por estreitamento dos vasos ou bloqueio do fluxo. Também conhecido por ataque cardíaco.
9 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
10 Doenças cardiovasculares: Doença do coração e vasos sangüíneos (artérias, veias e capilares).
11 Óbito: Morte de pessoa; passamento, falecimento.
12 Angina: Inflamação dos elementos linfáticos da garganta (amígdalas, úvula). Também é um termo utilizado para se referir à sensação opressiva que decorre da isquemia (falta de oxigênio) do músculo cardíaco (angina do peito).
13 Peito: Parte superior do tronco entre o PESCOÇO e o ABDOME; contém os principais órgãos dos sistemas circulatório e respiratório. (Tradução livre do original
14 Incidente: 1. Que incide, que sobrevém ou que tem caráter secundário; incidental. 2. Acontecimento imprevisível que modifica o desenrolar normal de uma ação. 3. Dificuldade passageira que não modifica o desenrolar de uma operação, de uma linha de conduta.
15 Diabetes: Nome que designa um grupo de doenças caracterizadas por diurese excessiva. A mais frequente é o Diabetes mellitus, ainda que existam outras variantes (Diabetes insipidus) de doença nas quais o transtorno primário é a incapacidade dos rins de concentrar a urina.
16 Índice de massa corporal: Medida usada para avaliar se uma pessoa está abaixo do peso, com peso normal, com sobrepeso ou obesa. É a medida mais usada na prática para saber se você é considerado obeso ou não. Também conhecido como IMC. É calculado dividindo-se o peso corporal em quilogramas pelo quadrado da altura em metros. Existe uma tabela da Organização Mundial de Saúde que classifica as medidas de acordo com o resultado encontrado.
17 Colesterol: Tipo de gordura produzida pelo fígado e encontrada no sangue, músculos, fígado e outros tecidos. O colesterol é usado pelo corpo para a produção de hormônios esteróides (testosterona, estrógeno, cortisol e progesterona). O excesso de colesterol pode causar depósito de gordura nos vasos sangüíneos. Seus componentes são: HDL-Colesterol: tem efeito protetor para as artérias, é considerado o bom colesterol. LDL-Colesterol: relacionado às doenças cardiovasculares, é o mau colesterol. VLDL-Colesterol: representa os triglicérides (um quinto destes).
18 Hipertensão arterial: Aumento dos valores de pressão arterial acima dos valores considerados normais, que no adulto são de 140 milímetros de mercúrio de pressão sistólica e 85 milímetros de pressão diastólica.
19 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
20 Coração: Órgão muscular, oco, que mantém a circulação sangüínea.
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