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Resultados de fase II para AADvac1, a primeira vacina contra a proteína tau patológica na doença de Alzheimer, foram publicados na Nature Aging

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A Axon Neuroscience, uma empresa de biotecnologia de estágio clínico na vanguarda do tratamento e prevenção da doença de Alzheimer1, anunciou em junho a publicação na Nature Aging dos resultados de seu estudo ADAMANT de Fase II concluído avaliando a vacina2 AADvac1, candidata a ser o primeiro imunizante3 contra a doença de Alzheimer1.

O ADAMANT atingiu com sucesso seu objetivo principal, com a AADvac1 mostrando ser segura e bem tolerada. A excepcional resposta de anticorpos4 tau demonstrada pela vacina2 é especialmente importante no tratamento de idosos.

Destaques

  • AADvac1 demonstra resposta robusta de anticorpos4, excelente perfil de segurança e impacto altamente significativo na neurodegeneração.
  • Evidência de efeito terapêutico claro na proteína sanguínea chamada neurofilamento de cadeia leve em toda a amostra do estudo.
  • Em pacientes com perfil confirmado de biomarcadores da doença de Alzheimer1 (positividade para amiloide e tau), AADvac1 mostra um forte sinal5 de eficácia, demonstrado pela desaceleração significativa do declínio clínico e funcional.
Leia sobre "Mal de Alzheimer6", "Vacinas - como funcionam e prós e contras" e "Antígenos7 e anticorpos4 - o que são".

A patologia8 da doença de Alzheimer1 (DA) é parcialmente caracterizada pelo acúmulo de formas aberrantes da proteína tau. Na publicação, são relatados os resultados do ADAMANT, um ensaio clínico randomizado9, duplo-cego, de braço paralelo, de fase II multicêntrico controlado por placebo10 de AADvac1, uma vacina2 de peptídeo ativo projetada para atingir a tau patológica na DA.

Onze doses de AADvac1 foram administradas a pacientes com demência11 leve da DA a 40 μg por dose ao longo do estudo. O objetivo principal foi avaliar a segurança e tolerabilidade do tratamento de longo prazo com AADvac1. Os objetivos secundários foram avaliar a imunogenicidade e eficácia do tratamento com AADvac1 em retardar o declínio cognitivo12 e funcional.

Um total de 196 pacientes foram randomizados 3:2 entre AADvac1 e placebo10. A AADvac1 foi segura e bem tolerada (AADvac1 n = 117, placebo10 n = 79; eventos adversos graves observados em 17,1% dos indivíduos tratados com AADvac1 e 24,1% dos indivíduos tratados com placebo10; eventos adversos observados em 84,6% dos indivíduos tratados com AADvac1 e 81,0% dos indivíduos tratados com placebo10).

A vacina2 induziu altos níveis de anticorpos4 IgG. Nenhum efeito significativo foi encontrado em testes cognitivos13 e funcionais em toda a amostra do estudo (diferença de pontos médios ajustados na escala de Avaliação Clínica de Demência11 – Soma das Caixas [CDR-SB] de -0,360 (IC 95% -1,306; 0,589)), pontuação z média ajustada por bateria cognitiva14 personalizada diferença de 0,0008 (IC 95% -0,169; 0,172).

Também foram apresentados os resultados de análises exploratórias e post hoc analisando biomarcadores relevantes e resultados clínicos em subgrupos específicos.

A AADvac1 reduziu significativamente o acúmulo de neurofilamento de cadeia leve (“NfL”), um importante biomarcador de neurodegeneração, no sangue15 em 58% (valor de p = 0,004). Isso foi apoiado por uma forte redução dos biomarcadores centrais da doença de Alzheimer1 no líquido cefalorraquidiano16 de patologia8 da tau e neurodegeneração da tau, incluindo o biomarcador mais específico fosfotau-T217 (valor de p = 0,009).

Os efeitos mais pronunciados da vacina2 sobre os resultados clínicos e funcionais foram observados no subgrupo de pacientes com perfil confirmado de biomarcadores da doença de Alzheimer1. Neste subgrupo, AADvac1 em comparação com o placebo10 diminuiu significativamente o declínio clínico em 27%, conforme medido pela escala CDR-SB (valor de p = 0,048) e o declínio funcional em 30%, conforme medido pela escala ADCS-MCI-ADL (valor de p = 0,039).

O sinal5 de eficácia foi espelhado por uma forte redução dos níveis sanguíneos de NfL em 62% (valor de p = 0,010) em comparação com o placebo10. Este subgrupo de pacientes (n = 109) foi identificado em colaboração com a University of California San Francisco usando o classificador multimodal de ressonância magnética17.

O efeito terapêutico do tratamento com AADvac1 em medidas clínicas e biomarcadores de fluidos apoia seu uso potencial para tratar e possivelmente prevenir a patologia8 da tau, a força motriz por trás do declínio clínico de pacientes com Alzheimer6.

Michal Fresser, CEO da Axon Neuroscience, comentou: “Nosso ensaio de Fase II demonstrou com sucesso os pontos fortes de nosso ativo principal AADvac1, uma vacina2 para tau no caminho para prevenir e tratar a doença de Alzheimer1. Após um extenso processo de revisão por pares, temos o prazer de publicar os resultados na revista científica Nature Aging. Os resultados confirmam o efeito modificador da doença da AADvac1 e apoiam o progresso da Axon em direção a um estágio fundamental do desenvolvimento clínico. Em vista da recente aprovação da terapia à base de amiloide, nossos fortes resultados de desfecho do NfL podem servir como um substituto em nosso próximo desenvolvimento clínico para obter aprovação acelerada.”

Assim, os resultados do estudo mostram que a vacina2 AADvac1 é segura e imunogênica, mas estudos estratificados maiores são necessários para avaliar melhor sua eficácia clínica potencial e impacto sobre os biomarcadores da doença.

Veja também sobre "Doenças degenerativas18", "Distúrbio neurocognitivo" e "Surdez em idosos e o risco de demência11".

 

Fontes:
Nature Aging, publicação em 14 de junho de 2021.
PR Newswire, notícia publicada em 14 de junho de 2021.

 

NEWS.MED.BR, 2021. Resultados de fase II para AADvac1, a primeira vacina contra a proteína tau patológica na doença de Alzheimer, foram publicados na Nature Aging. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1396315/resultados-de-fase-ii-para-aadvac1-a-primeira-vacina-contra-a-proteina-tau-patologica-na-doenca-de-alzheimer-foram-publicados-na-nature-aging.htm>. Acesso em: 20 set. 2021.

Complementos

1 Doença de Alzheimer: É uma doença progressiva, de causa e tratamentos ainda desconhecidos que acomete preferencialmente as pessoas idosas. É uma forma de demência. No início há pequenos esquecimentos, vistos pelos familiares como parte do processo normal de envelhecimento, que se vão agravando gradualmente. Os pacientes tornam-se confusos e por vezes agressivos, passando a apresentar alterações da personalidade, com distúrbios de conduta e acabam por não reconhecer os próprios familiares e até a si mesmos quando colocados frente a um espelho. Tornam-se cada vez mais dependentes de terceiros, iniciam-se as dificuldades de locomoção, a comunicação inviabiliza-se e passam a necessitar de cuidados e supervisão integral, até mesmo para as atividades elementares como alimentação, higiene, vestuário, etc..
2 Vacina: Tratamento à base de bactérias, vírus vivos atenuados ou seus produtos celulares, que têm o objetivo de produzir uma imunização ativa no organismo para uma determinada infecção.
3 Imunizante: Que ou o que imuniza; que faz ficar imune ou refratário a um agente patogênico ou a uma moléstia infecciosa.
4 Anticorpos: Proteínas produzidas pelo organismo para se proteger de substâncias estranhas como bactérias ou vírus. As pessoas que têm diabetes tipo 1 produzem anticorpos que destroem as células beta produtoras de insulina do próprio organismo.
5 Sinal: 1. É uma alteração percebida ou medida por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida. 2. Som ou gesto que indica algo, indício. 3. Dinheiro que se dá para garantir um contrato.
6 Alzheimer: Doença degenerativa crônica que produz uma deterioração insidiosa e progressiva das funções intelectuais superiores. É uma das causas mais freqüentes de demência. Geralmente começa a partir dos 50 anos de idade e tem incidência similar entre homens e mulheres.
7 Antígenos: 1. Partículas ou moléculas capazes de deflagrar a produção de anticorpo específico. 2. Substâncias que, introduzidas no organismo, provocam a formação de anticorpo.
8 Patologia: 1. Especialidade médica que estuda as doenças e as alterações que estas provocam no organismo. 2. Qualquer desvio anatômico e/ou fisiológico, em relação à normalidade, que constitua uma doença ou caracterize determinada doença. 3. Por extensão de sentido, é o desvio em relação ao que é próprio ou adequado ou em relação ao que é considerado como o estado normal de uma coisa inanimada ou imaterial.
9 Randomizado: Ensaios clínicos comparativos randomizados são considerados o melhor delineamento experimental para avaliar questões relacionadas a tratamento e prevenção. Classicamente, são definidos como experimentos médicos projetados para determinar qual de duas ou mais intervenções é a mais eficaz mediante a alocação aleatória, isto é, randomizada, dos pacientes aos diferentes grupos de estudo. Em geral, um dos grupos é considerado controle – o que algumas vezes pode ser ausência de tratamento, placebo, ou mais frequentemente, um tratamento de eficácia reconhecida. Recursos estatísticos são disponíveis para validar conclusões e maximizar a chance de identificar o melhor tratamento. Esses modelos são chamados de estudos de superioridade, cujo objetivo é determinar se um tratamento em investigação é superior ao agente comparativo.
10 Placebo: Preparação neutra quanto a efeitos farmacológicos, ministrada em substituição a um medicamento, com a finalidade de suscitar ou controlar as reações, geralmente de natureza psicológica, que acompanham tal procedimento terapêutico.
11 Demência: Deterioração irreversível e crônica das funções intelectuais de uma pessoa.
12 Cognitivo: 1. Relativo ao conhecimento, à cognição. 2. Relativo ao processo mental de percepção, memória, juízo e/ou raciocínio. 3. Diz-se de estados e processos relativos à identificação de um saber dedutível e à resolução de tarefas e problemas determinados. 4. Diz-se dos princípios classificatórios derivados de constatações, percepções e/ou ações que norteiam a passagem das representações simbólicas à experiência, e também da organização hierárquica e da utilização no pensamento e linguagem daqueles mesmos princípios.
13 Cognitivos: 1. Relativo ao conhecimento, à cognição. 2. Relativo ao processo mental de percepção, memória, juízo e/ou raciocínio. 3. Diz-se de estados e processos relativos à identificação de um saber dedutível e à resolução de tarefas e problemas determinados. 4. Diz-se dos princípios classificatórios derivados de constatações, percepções e/ou ações que norteiam a passagem das representações simbólicas à experiência, e também da organização hierárquica e da utilização no pensamento e linguagem daqueles mesmos princípios.
14 Cognitiva: 1. Relativa ao conhecimento, à cognição. 2. Relativa ao processo mental de percepção, memória, juízo e/ou raciocínio. 3. Diz-se de estados e processos relativos à identificação de um saber dedutível e à resolução de tarefas e problemas determinados. 4. Diz-se dos princípios classificatórios derivados de constatações, percepções e/ou ações que norteiam a passagem das representações simbólicas à experiência, e também da organização hierárquica e da utilização no pensamento e linguagem daqueles mesmos princípios.
15 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
16 Líquido cefalorraquidiano: Líquido cefalorraquidiano (LCR), também conhecido como líquor ou fluido cérebro espinhal, é definido como um fluido corporal estéril, incolor, encontrado no espaço subaracnoideo no cérebro e na medula espinhal (entre as meninges aracnoide e pia-máter). Caracteriza-se por ser uma solução salina pura, com baixo teor de proteínas e células, atuando como um amortecedor para o córtex cerebral e a medula espinhal. Possui também a função de fornecer nutrientes para o tecido nervoso e remover resíduos metabólicos do mesmo. É sintetizado pelos plexos coroidais, epitélio ventricular e espaço subaracnoideo em uma taxa de aproximadamente 20 mL/hora. Em recém-nascidos, este líquido é encontrado em um volume que varia entre 10 a 60 mL, enquanto que no adulto fica entre 100 a 150 mL.
17 Ressonância magnética: Exame que fornece imagens em alta definição dos órgãos internos do corpo através da utilização de um campo magnético.
18 Degenerativas: Relativas a ou que provocam degeneração.
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