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Colesterol HDL plasmático elevado foi associado ao aumento do risco de qualquer demência e doença de Alzheimer

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A associação do colesterol1 de lipoproteína de alta densidade (HDL2) plasmático com o risco de demência3 não é clara. Portanto, nesse estudo publicado no jornal científico Cardiovascular Research, pesquisadores testaram a hipótese de que níveis elevados de colesterol1 HDL2 plasmático estão associados a risco aumentado de demência3 e se uma possível associação é de natureza causal.

Leia sobre "Entendendo o colesterol1 do organismo" e "Distúrbio neurocognitivo".

Em dois estudos prospectivos de base populacional, o Copenhagen General Population Study e o Copenhagen City Heart Study (N = 111.984 indivíduos), primeiro testou-se se o colesterol1 HDL2 elevado no plasma4 está associado a um risco aumentado de qualquer demência3 e seus subtipos.

Essas análises em homens e mulheres separadamente foram ajustadas multifatorialmente para outros fatores de risco, incluindo o genótipo5 da apolipoproteína E (APOE).

Em segundo lugar, aproveitando a randomização mendeliana de duas amostras, testou-se se o colesterol1 HDL2 geneticamente elevado estava causalmente associado à doença de Alzheimer6 usando dados de consórcios disponíveis publicamente em 643.836 indivíduos.

Observacionalmente, os modelos de spline cúbico restrito de regressão de Cox ajustada multifatorialmente mostraram que tanto homens quanto mulheres com concentrações de colesterol1 HDL2 extremamente altas tinham risco aumentado de qualquer demência3 e doença de Alzheimer6.

Homens nos percentis de ordem 96-99 e 100 vs. 41-60 de colesterol1 HDL2 apresentavam taxas de risco ajustadas multifatorialmente incluindo o genótipo5 APOE de 1,66 (intervalo de confiança de 95% 1,30-2,11) e 2,00 (1,35-2,98) para qualquer demência3 e 1,59 (1,16-2,20) e 1,87 (1,11-3,16) para a doença de Alzheimer6.

As estimativas correspondentes para mulheres foram 0,94 (0,74-1,18) e 1,45 (1,03-2,05) para qualquer demência3 e 0,94 (0,70-1,26) e 1,69 (1,13-2,53) para a doença de Alzheimer6.

Geneticamente, a razão de chances da randomização mendeliana de duas amostras para a doença de Alzheimer6 por 1 desvio padrão (DP) de aumento no colesterol1 HDL2 foi de 0,92 (0,74-1,10) no consórcio IGAP2019 e 0,98 (0,95-1,00) no consórcio ADSP/IGAP/PGC-ALZ/UKB. Estimativas semelhantes foram observadas em análises estratificadas por sexo.

O estudo concluiu que o colesterol1 HDL2 elevado no plasma4 foi observacionalmente associado ao aumento do risco de qualquer demência3 e doença de Alzheimer6, sugerindo que o colesterol1 HDL2 pode ser usado como um biomarcador plasmático facilmente acessível para avaliação de risco individual.

Saiba mais sobre "O que fazer para aumentar os níveis do HDL2", "Mal de Alzheimer7" e "O que fazer para reduzir o colesterol1".

 

Fonte: Cardiovascular Research, publicação em 08 de maio de 2021.

 

NEWS.MED.BR, 2021. Colesterol HDL plasmático elevado foi associado ao aumento do risco de qualquer demência e doença de Alzheimer. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1395175/colesterol-hdl-plasmatico-elevado-foi-associado-ao-aumento-do-risco-de-qualquer-demencia-e-doenca-de-alzheimer.htm>. Acesso em: 13 jun. 2021.

Complementos

1 Colesterol: Tipo de gordura produzida pelo fígado e encontrada no sangue, músculos, fígado e outros tecidos. O colesterol é usado pelo corpo para a produção de hormônios esteróides (testosterona, estrógeno, cortisol e progesterona). O excesso de colesterol pode causar depósito de gordura nos vasos sangüíneos. Seus componentes são: HDL-Colesterol: tem efeito protetor para as artérias, é considerado o bom colesterol. LDL-Colesterol: relacionado às doenças cardiovasculares, é o mau colesterol. VLDL-Colesterol: representa os triglicérides (um quinto destes).
2 HDL: Abreviatura utilizada para denominar um tipo de proteína encarregada de transportar o colesterol sanguíneo, que se relaciona com menor risco cardiovascular. Também é conhecido como “Bom Colesterol”. Seus valores normais são de 35-50mg/dl.
3 Demência: Deterioração irreversível e crônica das funções intelectuais de uma pessoa.
4 Plasma: Parte que resta do SANGUE, depois que as CÉLULAS SANGÜÍNEAS são removidas por CENTRIFUGAÇÃO (sem COAGULAÇÃO SANGÜÍNEA prévia).
5 Genótipo: Composição genética de um indivíduo, ou seja, os genes que ele tem.
6 Doença de Alzheimer: É uma doença progressiva, de causa e tratamentos ainda desconhecidos que acomete preferencialmente as pessoas idosas. É uma forma de demência. No início há pequenos esquecimentos, vistos pelos familiares como parte do processo normal de envelhecimento, que se vão agravando gradualmente. Os pacientes tornam-se confusos e por vezes agressivos, passando a apresentar alterações da personalidade, com distúrbios de conduta e acabam por não reconhecer os próprios familiares e até a si mesmos quando colocados frente a um espelho. Tornam-se cada vez mais dependentes de terceiros, iniciam-se as dificuldades de locomoção, a comunicação inviabiliza-se e passam a necessitar de cuidados e supervisão integral, até mesmo para as atividades elementares como alimentação, higiene, vestuário, etc..
7 Alzheimer: Doença degenerativa crônica que produz uma deterioração insidiosa e progressiva das funções intelectuais superiores. É uma das causas mais freqüentes de demência. Geralmente começa a partir dos 50 anos de idade e tem incidência similar entre homens e mulheres.
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