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Em pacientes com fibrilação atrial e doença hepática, anticoagulantes orais não-AVK foram associados a melhores resultados clínicos do que os antagonistas da vitamina K

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A anticoagulação para pacientes1 com fibrilação atrial e doença hepática2 permanece uma questão controversa na prática clínica, uma vez que esta população única apresenta um risco aumentado de eventos tromboembólicos e hemorrágicos3.

Por um lado, a anticoagulação oral (ACO) com antagonista4 da vitamina5 K (AVK) é a base do tratamento, mas dado o risco potencial de hemorragia6 e dificuldade de controle do INR, a segurança clínica e a eficácia ainda não foram determinadas.

Por outro lado, há uma escassez de evidências que apoiem o uso de anticoagulantes7 orais não-AVK (ACONs) neste grupo específico de pacientes.

Nesta análise combinada, publicada no European Heart Journal Cardiovascular Pharmacotherapy, Chen et al. avaliaram a eficácia e segurança de diferentes tratamentos de anticoagulação em 20.000 pacientes com fibrilação atrial e doença hepática2.

Saiba mais sobre "Como se dá a coagulação8 sanguínea", "Hemorragias9 - o que precisamos saber" e "Anticoagulantes7: prós e contras".

A análise mostrou que o AVK parece reduzir o risco de acidente vascular cerebral10 isquêmico11 (AVCI) / tromboembolismo12 (TE), mas aumenta todos os eventos de hemorragia6. Isso destaca que seu valor clínico na prevenção de eventos tromboembólicos pode ser, por sua vez, compensado reversamente por complicações hemorrágicas13 notáveis, indicando que novas estratégias mais seguras são necessárias para pacientes1 com doença hepática2.

Curiosamente, os ACONs tiveram efeito semelhante na redução do risco de AVCI / TE, ao mesmo tempo que apresentaram risco significativamente menor de hemorragia6 maior e hemorragia6 intracraniana em comparação com o AVK.

No geral, o estudo atual indica a superioridade dos anticoagulantes7 orais não-AVK sobre os antagonistas da vitamina5 K no tratamento de pacientes com doença hepática2, o que é uma conclusão com implicações clínicas robustas em um campo anteriormente inexplorado.

O estudo avaliando a eficácia e segurança de diferentes anticoagulantes7, ou seja, antagonista4 da vitamina5 K (AVK) e anticoagulantes7 orais não-AVK (ACONs), consistiu de uma análise agrupada envolvendo dados clínicos atualizados. Dois subconjuntos: subconjunto A (AVK vs. não anticoagulação) e subconjunto B (ACONs vs. AVK) foram pré-especificados.

Os resultados do estudo foram acidente vascular cerebral10 isquêmico11 (AVCI) / tromboembolismo12 (TE), hemorragia6 maior (HM), hemorragia6 intracraniana (HIC), hemorragia6 gastrointestinal (HGI) e mortalidade14 por todas as causas.

Um total de 20.042 dados de pacientes foram analisados ​​(subconjunto A: N = 10.275; subconjunto B: N = 9.767). Idade média geral: 71 ± 11 anos; pontuação média do CHA2DS2-VASc: 4,0 ± 1,8; pontuação média do HAS-BLED: 3,6 ± 1,2. A maioria dos pacientes era da categoria Child-Pugh (A-B).

Em comparação com não anticoagulação, AVK parecia reduzir o risco de AVCI / TE [odds ratio (OR): 0,60, P = 0,05], mas aumentar o risco de todos os eventos de hemorragia6, incluindo HM (OR: 2,81, P = 0,01), HIC (OR: 1,60, P = 0,01) e HGI (OR: 3,32, P = 0,01).

Quando comparados com AVK, ACONs tiveram eficácia semelhante na redução do risco de AVCI / TE (OR: 0,82, P = 0,64), risco significativamente menor de HM (OR: 0,54, P = 0,0003) e HIC (OR: 0,35, P < 0,0001), e tendência de redução do risco de HGI (OR: 0,72, P = 0,12) e mortalidade14 por todas as causas (OR: 0,79, P = 0,35). Os efeitos favoráveis ​​foram mantidos em subgrupos de ACON individuais.

Assim, o estudo concluiu que antagonista4 da vitamina5 K parece reduzir o risco de AVC isquêmico11 / tromboembolismo12, mas aumenta todos os eventos hemorrágicos3. Anticoagulantes7 orais não-AVK têm efeito semelhante na redução do risco de AVCI / TE e têm risco significativamente menor de hemorragia6 maior e hemorragia6 intracraniana em comparação com AVK.

Desse modo, os anticoagulantes7 orais não-AVK parecem estar associados a melhores resultados clínicos do que os antagonistas da vitamina5 K em pacientes com doença hepática2 leve a moderada.

Leia sobre "Coagulopatias", "Diferenças entre trombose venosa profunda15 e tromboembolismo12 venoso", "Hemorragia6 cerebral" e "Acidente Vascular Cerebral10".

 

Fontes:
European Heart Journal Cardiovascular Pharmacotherapy, publicação em 19 de abril de 2021.
European Society of Cardiology, newsletter enviada em 12 de maio de 2021.

 

NEWS.MED.BR, 2021. Em pacientes com fibrilação atrial e doença hepática, anticoagulantes orais não-AVK foram associados a melhores resultados clínicos do que os antagonistas da vitamina K. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1394940/em-pacientes-com-fibrilacao-atrial-e-doenca-hepatica-anticoagulantes-orais-nao-avk-foram-associados-a-melhores-resultados-clinicos-do-que-os-antagonistas-da-vitamina-k.htm>. Acesso em: 20 set. 2021.

Complementos

1 Para pacientes: Você pode utilizar este texto livremente com seus pacientes, inclusive alterando-o, de acordo com a sua prática e experiência. Conheça todos os materiais Para Pacientes disponíveis para auxiliar, educar e esclarecer seus pacientes, colaborando para a melhoria da relação médico-paciente, reunidos no canal Para Pacientes . As informações contidas neste texto são baseadas em uma compilação feita pela equipe médica da Centralx. Você deve checar e confirmar as informações e divulgá-las para seus pacientes de acordo com seus conhecimentos médicos.
2 Hepática: Relativa a ou que forma, constitui ou faz parte do fígado.
3 Hemorrágicos: Relativo à hemorragia, ou seja, ao escoamento de sangue para fora dos vasos sanguíneos.
4 Antagonista: 1. Opositor. 2. Adversário. 3. Em anatomia geral, que ou o que, numa mesma região anatômica ou função fisiológica, trabalha em sentido contrário (diz-se de músculo). 4. Em medicina, que realiza movimento contrário ou oposto a outro (diz-se de músculo). 5. Em farmácia, que ou o que tende a anular a ação de outro agente (diz-se de agente, medicamento etc.). Agem como bloqueadores de receptores. 6. Em odontologia, que se articula em oposição (diz-se de ou qualquer dente em relação ao da maxila oposta).
5 Vitamina: Compostos presentes em pequenas quantidades nos diversos alimentos e nutrientes e que são indispensáveis para o desenvolvimento dos processos biológicos normais.
6 Hemorragia: Saída de sangue dos vasos sanguíneos ou do coração para o exterior, para o interstício ou para cavidades pré-formadas do organismo.
7 Anticoagulantes: Substâncias ou medicamentos que evitam a coagulação, especialmente do sangue.
8 Coagulação: Ato ou efeito de coagular(-se), passando do estado líquido ao sólido.
9 Hemorragias: Saída de sangue dos vasos sanguíneos ou do coração para o exterior, para o interstício ou para cavidades pré-formadas do organismo.
10 Acidente vascular cerebral: Conhecido popularmente como derrame cerebral, o acidente vascular cerebral (AVC) ou encefálico é uma doença que consiste na interrupção súbita do suprimento de sangue com oxigênio e nutrientes para o cérebro, lesando células nervosas, o que pode resultar em graves conseqüências, como inabilidade para falar ou mover partes do corpo. Há dois tipos de derrame, o isquêmico e o hemorrágico.
11 Isquêmico: Relativo à ou provocado pela isquemia, que é a diminuição ou suspensão da irrigação sanguínea, numa parte do organismo, ocasionada por obstrução arterial ou por vasoconstrição.
12 Tromboembolismo: Doença produzida pela impactação de um fragmento de um trombo. É produzida quando este se desprende de seu lugar de origem, e é levado pela corrente sangüínea até produzir a oclusão de uma artéria distante do local de origem do trombo. Esta oclusão pode ter diversas conseqüências, desde leves até fatais, dependendo do tamanho do vaso ocluído e do tipo de circulação do órgão onde se deu a oclusão.
13 Hemorrágicas: Relativo à hemorragia, ou seja, ao escoamento de sangue para fora dos vasos sanguíneos.
14 Mortalidade: A taxa de mortalidade ou coeficiente de mortalidade é um dado demográfico do número de óbitos, geralmente para cada mil habitantes em uma dada região, em um determinado período de tempo.
15 Trombose Venosa Profunda: Caracteriza-se pela formação de coágulos no interior das veias profundas da perna. O que mais chama a atenção é o edema (inchaço) e a dor, normalmente restritos a uma só perna. O edema pode se localizar apenas na panturrilha e pé ou estar mais exuberante na coxa, indicando que o trombo se localiza nas veias profundas dessa região ou mais acima da virilha. Uma de suas principais conseqüências a curto prazo é a embolia pulmonar, que pode deixar seqüelas ou mesmo levar à morte. Fatores individuais de risco são: varizes de membros inferiores, idade maior que 40 anos, obesidade, trombose prévia, uso de anticoncepcionais, terapia de reposição hormonal, entre outras.
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