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Antipsicóticos injetáveis de longa ação, em comparação com antipsicóticos orais, podem melhorar os resultados na esquizofrenia

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Evidências de benefícios comparativos de antipsicóticos injetáveis ​​de longa ação (ILAs) versus antipsicóticos orais para esquizofrenia1 têm sido inconsistentes entre diferentes modelos de estudo. O objetivo deste novo estudo, publicado no The Lancet Psychiatry, foi avaliar os benefícios comparativos de antipsicóticos ILAs versus orais em três modelos de estudo para informar a tomada de decisão clínica.

Foi realizada uma revisão sistemática abrangente e metanálise comparando antipsicóticos ILAs versus orais para esquizofrenia1 cobrindo três modelos de estudo: ensaios clínicos2 randomizados (ECRs), estudos de coorte3 e estudos pré-teste/pós-teste.

A pesquisa bibliográfica ocorreu sem restrições de idioma, no MEDLINE e PubMed, na Cochrane Library, Scopus e Embase, para estudos publicados desde o início do banco de dados até uma última pesquisa em 13 de março de 2020. Também foram pesquisados estudos não publicados e a base ClinicalTrials.gov.

Foram incluídos estudos com duração de pelo menos 6 meses que visavam adultos com esquizofrenia1 e transtornos relacionados (>80% dos participantes). Estudos sobre penfluridol (nem um antipsicótico ILA nem oral diário), relatos de casos e séries de casos com menos de 20 pacientes foram excluídos.

Leia: "Esquizofrenia1 - o que saber sobre ela" e "O que saber sobre os antipsicóticos".

Dois investigadores extraíram independentemente os dados em nível de estudo e resolveram as discordâncias por consenso ou por meio de um terceiro investigador. Os autores do estudo foram contatados para obter informações adicionais conforme necessário.

Para o desfecho primário, foi feita metanálise da razão de risco (RR) para hospitalização ou recidiva4 com antipsicóticos ILAs versus orais por um modelo de efeitos aleatórios, com a hospitalização usada preferencialmente em vez de recidiva4. Como análises secundárias, inverteu-se a ordem preferencial de recidiva4 em relação à hospitalização e avaliou-se o risco de hospitalização e o risco de recidiva4 individualmente. Outros desfechos secundários incluíram todos os dados metanalisáveis, classificados por relevância para efetividade, eficácia, segurança, qualidade de vida, função cognitiva5 e outros desfechos, e analisados ​​pelo modelo do estudo. Desfechos dicotômicos foram expressos como RR agrupada e desfechos contínuos como diferença média padronizada (DMP).

Foram identificados 14.687 registros, dos quais 137 estudos (397.319 pacientes) preencheram os critérios de inclusão (32 ECRs [23,4%; 8.577 pacientes], 65 estudos de coorte3 [47,4%; 377.447 pacientes] e 40 estudos pré-teste/pós-teste [29,2%; 11.295 pacientes]) e foram analisados.

A qualidade dos estudos em termos de risco de viés variou entre os modelos de estudo e dentro de cada modelo de estudo de baixa a alta.

Os antipsicóticos ILAs foram associados a um menor risco de hospitalização ou recidiva4 do que os antipsicóticos orais em cada um dos três modelos de estudo (ECRs: 29 estudos, 7.833 pacientes, RR 0,88 [IC 95% 0,79-0,99], p = 0,033; estudos de coorte3: 44 estudos, 106.136 pacientes, RR 0,92 [0,88-0,98], p = 0,0044; estudos pré-teste/pós-teste: 28 estudos, 17.876 pacientes, RR 0,44 [0,39-0,51], p <0,0001). Essa associação foi mantida em todos os modelos de estudo quando inverteu-se a ordem preferencial de risco de recidiva4 em relação à hospitalização e na análise individual do risco de hospitalização. A associação foi mantida apenas em estudos pré-teste/pós-teste para risco de recidiva4 sozinho.

Em todos os outros desfechos relacionados a efetividade, eficácia, segurança, qualidade de vida, função cognitiva5 e outros desfechos, os antipsicóticos ILAs foram mais benéficos do que os antipsicóticos orais em 60 (18,3%) de 328 comparações, não diferente em 252 (76,88%) comparações, e menos benéfico em 16 (4,9%) comparações quando analisado pelo modelo do estudo.

Heterogeneidade significativa foi observada em todos os três modelos de estudo. Os vieses de publicação foram aparentes em estudos de coorte3 e pré-teste/pós-teste, mas os tamanhos de efeito foram semelhantes após as análises de corte e preenchimento.

Embora os modelos de estudo tenham pontos fortes e fracos, incluindo baixa qualidade potencial de estudos observacionais, foram consistentemente identificados benefícios significativos com antipsicóticos injetáveis de longa ação versus antipsicóticos orais na prevenção de hospitalização ou recidiva4, em ambientes que variam de pesquisa restrita (ensaios clínicos2 randomizados) a aplicação de palavra real (estudos de coorte3 e pré-teste/pós-teste).

Esses resultados sugerem que o aumento do uso clínico de antipsicóticos injetáveis de longa ação pode melhorar os resultados na esquizofrenia1.

Veja também sobre "Saúde6 mental", "Principais transtornos mentais" e "Neurologia ou Psiquiatria: quais são as diferenças".

 

Fonte: The Lancet Psychiatry, publicação em 13 de abril de 2021.

 

NEWS.MED.BR, 2021. Antipsicóticos injetáveis de longa ação, em comparação com antipsicóticos orais, podem melhorar os resultados na esquizofrenia. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1393125/antipsicoticos-injetaveis-de-longa-acao-em-comparacao-com-antipsicoticos-orais-podem-melhorar-os-resultados-na-esquizofrenia.htm>. Acesso em: 16 jun. 2021.

Complementos

1 Esquizofrenia: Doença mental do grupo das Psicoses, caracterizada por alterações emocionais, de conduta e intelectuais, caracterizadas por uma relação pobre com o meio social, desorganização do pensamento, alucinações auditivas, etc.
2 Ensaios clínicos: Há três fases diferentes em um ensaio clínico. A Fase 1 é o primeiro teste de um tratamento em seres humanos para determinar se ele é seguro. A Fase 2 concentra-se em saber se um tratamento é eficaz. E a Fase 3 é o teste final antes da aprovação para determinar se o tratamento tem vantagens sobre os tratamentos padrões disponíveis.
3 Estudos de coorte: Um estudo de coorte é realizado para verificar se indivíduos expostos a um determinado fator apresentam, em relação aos indivíduos não expostos, uma maior propensão a desenvolver uma determinada doença. Um estudo de coorte é constituído, em seu início, de um grupo de indivíduos, denominada coorte, em que todos estão livres da doença sob investigação. Os indivíduos dessa coorte são classificados em expostos e não-expostos ao fator de interesse, obtendo-se assim dois grupos (ou duas coortes de comparação). Essas coortes serão observadas por um período de tempo, verificando-se quais indivíduos desenvolvem a doença em questão. Os indivíduos expostos e não-expostos devem ser comparáveis, ou seja, semelhantes quanto aos demais fatores, que não o de interesse, para que as conclusões obtidas sejam confiáveis.
4 Recidiva: 1. Em medicina, é o reaparecimento de uma doença ou de um sintoma, após período de cura mais ou menos longo; recorrência. 2. Em direito penal, significa recaída na mesma falta, no mesmo crime; reincidência.
5 Cognitiva: 1. Relativa ao conhecimento, à cognição. 2. Relativa ao processo mental de percepção, memória, juízo e/ou raciocínio. 3. Diz-se de estados e processos relativos à identificação de um saber dedutível e à resolução de tarefas e problemas determinados. 4. Diz-se dos princípios classificatórios derivados de constatações, percepções e/ou ações que norteiam a passagem das representações simbólicas à experiência, e também da organização hierárquica e da utilização no pensamento e linguagem daqueles mesmos princípios.
6 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
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