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Intervenções não medicamentosas foram mais eficazes do que as medicamentosas para reduzir os sintomas de depressão em pessoas com demência

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Uma revisão sistemática e metanálise publicada pelo The British Medical Journal teve como objetivo descrever a eficácia comparativa de intervenções medicamentosas e não medicamentosas para reduzir os sintomas1 de depressão em pessoas com demência2 que apresentam depressão como um sintoma3 neuropsiquiátrico de demência2 ou têm um diagnóstico4 de transtorno depressivo maior.

Foram pesquisadas as bases de dados Medline, Embase, Cochrane Library, CINAHL, PsycINFO e literatura cinzenta entre o início e 15 de outubro de 2020.

Critérios de elegibilidade para a seleção de estudos consistiram em ensaios clínicos5 randomizados comparando intervenções medicamentosas ou não medicamentosas com o tratamento usual ou qualquer outra intervenção direcionada aos sintomas1 de depressão em pessoas com demência2.

Leia mais sobre "Depressões", "Demência2" e "O que saber sobre antidepressivos".

Pares de revisores examinaram estudos, abstraíram dados de nível agregado e avaliaram o risco de viés com a ferramenta Cochrane de risco de viés, que facilitou a derivação de diferenças médias padronizadas e diferenças médias transformadas de volta (na escala de Cornell para depressão em demência2) das metanálises de rede de efeitos aleatórios bayesianos e metanálises de pares.

De 22.138 citações examinadas, 256 estudos (28.483 pessoas com demência2) foram incluídos. Dados ausentes representam o maior risco para a revisão dos resultados.

Na metanálise de rede de estudos incluindo pessoas com demência2 sem um diagnóstico4 de transtorno depressivo maior que apresentavam sintomas1 de depressão (213 estudos; 25.177 pessoas com demência2; variância entre estudos 0,23), sete intervenções foram associadas a uma redução maior nos sintomas1 de depressão em comparação com o tratamento usual:

  • estimulação cognitiva6 (diferença média -2,93, intervalo de credibilidade de 95% -4,35 a -1,52)
  • estimulação cognitiva6 combinada com um inibidor da colinesterase (-11,39, -18,38 a -3,93)
  • massagem e terapia de toque (-9,03, -12,28 a -5,88)
  • cuidados multidisciplinares (-1,98, -3,80 a -0,16)
  • terapia ocupacional7 (-2,59, -4,70 a -0,40)
  • exercícios combinados com interação social e estimulação cognitiva6 (-12,37, -19,01 a -5,36)
  • terapia de reminiscência (-2,30, -3,68 a -0,93)

Exceto para massagem e terapia de toque, estimulação cognitiva6 combinada com um inibidor da colinesterase e estimulação cognitiva6 combinada com exercícios e interação social, que foram mais eficazes do que algumas intervenções medicamentosas, nenhuma diferença estatisticamente significativa foi encontrada na eficácia comparativa de intervenções medicamentosas e não medicamentosas para reduzir os sintomas1 de depressão em pessoas com demência2 sem diagnóstico4 de transtorno depressivo maior.

A heterogeneidade clínica e metodológica impediu uma metanálise de rede de estudos comparando a eficácia de intervenções especificamente para reduzir os sintomas1 de depressão em pessoas com demência2 e um transtorno depressivo maior (22 estudos; 1.829 pacientes).

Nesta revisão sistemática, as intervenções não medicamentosas foram consideradas mais eficazes do que as intervenções medicamentosas para reduzir os sintomas1 de depressão em pessoas com demência2 sem um transtorno depressivo maior.

Veja também sobre "Distúrbio neurocognitivo", "Uso excessivo de antidepressivos" e "Principais síndromes geriátricas".

 

Fonte: The BMJ, publicação em 24 de março de 2021.

 

NEWS.MED.BR, 2021. Intervenções não medicamentosas foram mais eficazes do que as medicamentosas para reduzir os sintomas de depressão em pessoas com demência. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1390720/intervencoes-nao-medicamentosas-foram-mais-eficazes-do-que-as-medicamentosas-para-reduzir-os-sintomas-de-depressao-em-pessoas-com-demencia.htm>. Acesso em: 24 jun. 2021.

Complementos

1 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
2 Demência: Deterioração irreversível e crônica das funções intelectuais de uma pessoa.
3 Sintoma: Qualquer alteração da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. O sintoma é a queixa relatada pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
4 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
5 Ensaios clínicos: Há três fases diferentes em um ensaio clínico. A Fase 1 é o primeiro teste de um tratamento em seres humanos para determinar se ele é seguro. A Fase 2 concentra-se em saber se um tratamento é eficaz. E a Fase 3 é o teste final antes da aprovação para determinar se o tratamento tem vantagens sobre os tratamentos padrões disponíveis.
6 Cognitiva: 1. Relativa ao conhecimento, à cognição. 2. Relativa ao processo mental de percepção, memória, juízo e/ou raciocínio. 3. Diz-se de estados e processos relativos à identificação de um saber dedutível e à resolução de tarefas e problemas determinados. 4. Diz-se dos princípios classificatórios derivados de constatações, percepções e/ou ações que norteiam a passagem das representações simbólicas à experiência, e também da organização hierárquica e da utilização no pensamento e linguagem daqueles mesmos princípios.
7 Terapia ocupacional: A terapia ocupacional trabalha com a reabilitação das pessoas para as atividades que elas deixaram de fazer devido a algum problema físico (derrame, amputação, tetraplegia), psiquiátrico (esquizofrenia, depressão), mental (Síndrome de Down, autismo), geriátrico (Doença de Alzheimer, Doença de Parkinson) ou social (ex-presidiários, moradores de rua), objetivando melhorar a qualidade de vida dessas pessoas. Além disso, ela faz a organização e as adaptações do domicílio para facilitar o trânsito dessa pessoa e as medidas preventivas para impedir o aparecimento de deformidades nos braços fazendo exercícios e confeccionando órteses (aparelhos confeccionados sob medida para posicionar partes do corpo).
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