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Semaglutida subcutânea combinada à terapia comportamental intensiva teve efeito significativo de perda de peso em adultos com sobrepeso ou obesidade

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A perda de peso melhora os fatores de risco cardiometabólico em pessoas com sobrepeso1 ou obesidade2. A intervenção intensiva no estilo de vida e a farmacoterapia são as abordagens não invasivas mais eficazes para a perda de peso.

O objetivo desse estudo, publicado pelo periódico JAMA, foi comparar os efeitos da semaglutida subcutânea3 uma vez por semana, 2,4 mg, vs placebo4 para controle de peso como um complemento à terapia comportamental intensiva com dieta inicial de baixa caloria5 em adultos com sobrepeso1 ou obesidade2 sem diabetes6.

Leia sobre "Atitudes para perder peso e manter o peso alcançado", "Obesidade2" e "Como tratar a obesidade2".

O estudo randomizado7, duplo-cego, de grupo paralelo, fase 3a, de 68 semanas (STEP 3) foi realizado em 41 locais nos EUA de agosto de 2018 a abril de 2020 em adultos sem diabetes6 (N = 611) e com excesso de peso (índice de massa corporal8 ≥27) mais pelo menos uma comorbidade9, ou obesidade2 (índice de massa corporal8 ≥30).

Os participantes foram randomizados (2:1) para semaglutida, 2,4 mg (n = 407) ou placebo4 (n = 204), ambos combinados com uma dieta de baixa caloria5 nas primeiras 8 semanas e terapia comportamental intensiva (ou seja, 30 consultas de aconselhamento) durante 68 semanas.

Os desfechos co-primários foram a mudança percentual no peso corporal e a perda de 5% ou mais do peso basal na semana 68. Os desfechos secundários confirmatórios incluíram perdas de pelo menos 10% ou 15% do peso basal.

De 611 participantes randomizados (495 mulheres [81,0%], idade média de 46 anos [DP, 13], peso corporal de 105,8 kg [DP, 22,9] e índice de massa corporal8 de 38,0 [DP, 6,7]), 567 (92,8%) concluíram o ensaio, e 505 (82,7%) estavam recebendo tratamento no final do ensaio.

Na semana 68, a alteração média estimada do peso corporal desde o início foi de –16,0% para semaglutida vs –5,7% para o placebo4 (diferença, –10,3 pontos percentuais [IC 95%, –12,0 a –8,6]; P <0,001).

Mais participantes tratados com semaglutida vs placebo4 perderam pelo menos 5% do peso corporal basal (86,6% vs 47,6%, respectivamente; P <0,001). Uma proporção mais alta de participantes no grupo semaglutida vs placebo4 obteve perdas de peso de pelo menos 10% ou 15% (75,3% vs 27,0% e 55,8% vs 13,2%, respectivamente; P <0,001).

Os eventos adversos gastrointestinais foram mais frequentes com semaglutida (82,8%) vs placebo4 (63,2%). O tratamento foi interrompido devido a esses eventos em 3,4% dos participantes da semaglutida versus 0% dos participantes do placebo4.

O estudo concluiu que, entre adultos com sobrepeso1 ou obesidade2, a semaglutida subcutânea3 uma vez por semana em comparação com o placebo4, usada como adjuvante da terapia comportamental intensiva e dieta inicial de baixa caloria5, resultou em perda de peso significativamente maior durante 68 semanas. Mais pesquisas são necessárias para avaliar a durabilidade dessas descobertas.

Veja também sobre "Terapia cognitivo10 comportamental" e "Dietas para emagrecer".

 

Fonte: JAMA, publicação em 24 de fevereiro de 2021.

 

NEWS.MED.BR, 2021. Semaglutida subcutânea combinada à terapia comportamental intensiva teve efeito significativo de perda de peso em adultos com sobrepeso ou obesidade. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1389600/semaglutida-subcutanea-combinada-a-terapia-comportamental-intensiva-teve-efeito-significativo-de-perda-de-peso-em-adultos-com-sobrepeso-ou-obesidade.htm>. Acesso em: 23 set. 2021.

Complementos

1 Sobrepeso: Peso acima do normal, índice de massa corporal entre 25 e 29,9.
2 Obesidade: Condição em que há acúmulo de gorduras no organismo além do normal, mais severo que o sobrepeso. O índice de massa corporal é igual ou maior que 30.
3 Subcutânea: Feita ou situada sob a pele; hipodérmica.
4 Placebo: Preparação neutra quanto a efeitos farmacológicos, ministrada em substituição a um medicamento, com a finalidade de suscitar ou controlar as reações, geralmente de natureza psicológica, que acompanham tal procedimento terapêutico.
5 Caloria: Dizemos que um alimento tem “x“ calorias, para nos referirmos à quantidade de energia que ele pode fornecer ao organismo, ou seja, à energia que será utilizada para o corpo realizar suas funções de respiração, digestão, prática de atividades físicas, etc. Carboidratos, proteínas, gorduras e álcool fornecem calorias na dieta. Carboidratos e proteínas têm 4 calorias em cada grama, gorduras têm 9 calorias por grama e álcool têm 7 calorias por grama.
6 Diabetes: Nome que designa um grupo de doenças caracterizadas por diurese excessiva. A mais frequente é o Diabetes mellitus, ainda que existam outras variantes (Diabetes insipidus) de doença nas quais o transtorno primário é a incapacidade dos rins de concentrar a urina.
7 Estudo randomizado: Ensaios clínicos comparativos randomizados são considerados o melhor delineamento experimental para avaliar questões relacionadas a tratamento e prevenção. Classicamente, são definidos como experimentos médicos projetados para determinar qual de duas ou mais intervenções é a mais eficaz mediante a alocação aleatória, isto é, randomizada, dos pacientes aos diferentes grupos de estudo. Em geral, um dos grupos é considerado controle - o que algumas vezes pode ser ausência de tratamento, placebo, ou mais frequentemente, um tratamento de eficácia reconhecida. Recursos estatísticos são disponíveis para validar conclusões e maximizar a chance de identificar o melhor tratamento. Esses modelos são chamados de estudos de superioridade, cujo objetivo é determinar se um tratamento em investigação é superior ao agente comparativo.
8 Índice de massa corporal: Medida usada para avaliar se uma pessoa está abaixo do peso, com peso normal, com sobrepeso ou obesa. É a medida mais usada na prática para saber se você é considerado obeso ou não. Também conhecido como IMC. É calculado dividindo-se o peso corporal em quilogramas pelo quadrado da altura em metros. Existe uma tabela da Organização Mundial de Saúde que classifica as medidas de acordo com o resultado encontrado.
9 Comorbidade: Coexistência de transtornos ou doenças.
10 Cognitivo: 1. Relativo ao conhecimento, à cognição. 2. Relativo ao processo mental de percepção, memória, juízo e/ou raciocínio. 3. Diz-se de estados e processos relativos à identificação de um saber dedutível e à resolução de tarefas e problemas determinados. 4. Diz-se dos princípios classificatórios derivados de constatações, percepções e/ou ações que norteiam a passagem das representações simbólicas à experiência, e também da organização hierárquica e da utilização no pensamento e linguagem daqueles mesmos princípios.
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